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Segurança

Avanços na luta feminina contra a violência

Delegada de polícia afirma que as mulheres precisam se cuidar ainda mais, identificar o ciclo de violência e se fortalecer

Delegada Diana
Por Izabel Seehaber - izabel@jornalbomdia.com.br

Delegada de polícia afirma que as mulheres precisam se cuidar ainda mais, identificar o ciclo de violência e se fortalecer

A delegada titular da Delegacia da Mulher em Erechim, Diana Zanatta, salienta que, desde que o departamento de polícia começou a operar, o município de Erechim sempre apresentou números bem expressivos, especialmente no período de 2010 a 2012. “De lá para cá notamos uma espécie de estabilidade nas ocorrências. Os números ainda são altos, mas não refletem que a violência é exacerbada, mas sim que o número de registros é grande”, pontuou, citando que, depois que as mulheres providenciam o registro, muitas delas retomam o relacionamento, por motivos diversos e que não cabe julgamento. “Então, são números que aportam à Justiça, via delegacia de polícia, mas não refletem posteriormente no Judiciário em condenações”, salientou. 

No ano de 2015 foram efetuados 2.236 boletins de ocorrência. Já nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, foram 504.

Há casos em que há possibilidade de a mulher pedir a anulação do registro de ocorrência. No entanto, no que se referente ao crime de lesão corporal, não pode ser retirado. 

A lei Maria da Penha na prática

Diana Zanatta ressalta que toda mulher que procura o sistema é atendida, principalmente com as medidas protetivas. Os registros são encaminhados ao poder Judiciário no mesmo momento, via plantão de polícia. 

Na avaliação da delegada, já houveram muitos avanços, porém, o ponto que preocupa é que as mulheres ainda retomam os relacionamentos violentos e diante disso, há muita possibilidade de os delitos ocorrerem novamente. Ela comentou ainda, que isso não quer dizer que o casal que enfrenta problemas no relacionamento, não possa superar, mas para isso é preciso uma mudança comportamental, de postura, que parte de ambas as partes. “Acho que isso pode estar faltando um pouco. De qualquer forma, o balanço é positivo, são mais avanços que retrocessos. Por quantos anos a mulher foi completamente submissa, não procurava ajuda, e agora a realidade está muito melhor”, acrescentou.

Quando os delitos se repetem, a equipe de polícia encontra mais desafios. “Às vezes nos frustramos um pouco, pois tem toda uma equipe mobilizada no trabalho e de repente algumas mulheres resolvem mudar o que disseram anteriormente e assim, todo um trabalho é praticamente em vão”, pontuou.

Crimes mais comuns

Entre os delitos mais frequentes estão os crimes contra a honra, ameaça e lesões corporais leves. Além disso, existem as tentativas de homicídio, os feminicídios e os estupros, inclusive de vulneráveis, os quais ocorrem até mesmo na próxima família.

Parcerias

Segundo Diana, as parcerias são importantes e auxiliam muito, inclusive, o trabalho de prevenção. Entre elas está a Brigada Militar e o curso de Psicologia da URI, através do qual, duas estudantes do último ano do curso realizam a parte prática. “Atualmente esse serviço também é mais procurado, as mulheres entendem a importância, afinal, depois de passar por dramas psicológicos, como será que fica a autoestima? Muitas vezes as mulheres chegam à delegacia muito fragilizadas com os fatos e contam com um suporte de profissionais preparadas para auxiliá-las”, destacou a delegada.

O alerta

Conforme Diana, mais importante que denunciar, é o entendimento da mulher que precisa de ajuda. “As mulheres têm que se dar conta que a polícia é um braço repressivo do Estado. Entendemos que ela está fazendo um pedido de socorro, mas muitas confundem repressão estatal com mudança comportamental”, ponderou.

O fato de o Estado intervir via delegacia de polícia, instaurar um inquérito, para que vá à Juízo, que o sujeito seja processado e no final, eventualmente possa ser condenado, não significa que ele mude de comportamento. “Muitas mulheres não querem o divórcio, mas sim, que os homens mudem o comportamento com elas, que voltem a ser como no período que se conheceram. Isso é um objetivo da mulher que transborda as possibilidades jurídicas”, explicou, reforçando que a Polícia Civil não pode ser usada como às vezes é citado: “para assustar”. “Usamos a lei e o procedimento adequado. Todos os casos que chegam, tem a mesma atenção, desde os aparentemente mais simples até os mais graves”, completou.

“O alerta é que a mulher perceba as situações, que ela se ajude, se ame, se cuide para que consiga enxergar o ciclo de violência, se fortaleça e busque apoio para isso. Aí, consciente, ela procure a delegacia. Isso vai fazer com que ela tenha um resultado mais positivo”.

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