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Empoderamento feminino e materno

Direito de alimentar o bebê em público sendo desmistificado pela sociedade

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Foto: Jéssica Scartazzini
Divulgação
Por Jéssica Scartazzini - jessica@jornalbomdia.com.br

Direito de alimentar o bebê em público sendo desmistificado pela sociedade

A alimentação é necessária na vida de todas as pessoas. Comer em um lugar limpo, onde é possível se sentir bem e aconchegante torna o momento do abastecimento ainda mais delicioso. Agora, imagine-se fazendo qualquer refeição dentro de um banheiro, ou em um local mais afastado, tendo que fazer “as escondidas”. Além do desconforto gerado, seria um incomodo ter que comer em um ambiente assim. Mas, se esta regra é válida a todos, porque muitas mães recorrem a estes locais para amamentar seus bebês?

Embora o preconceito que engloba a amamentação em público esteja sendo desmistificado aos poucos, ainda há muitas mães que sentem-se envergonhadas em alimentar seus bebês em público. No entanto, o empoderamento feminino em muitos casos tem falado mais alto. Mãe há três meses, Joane Fantin sente-se à vontade e diz ser favorável ao direito de a mulher amamentar em público. Segundo ela, a pequena Stella Fantin mama em livre demanda, ou seja, quando e quanto ela quiser “independente do estabelecimento que eu me encontro, eu amamento minha filha se ela estiver com fome”. 

Mas, para Joane desconstruir este preconceito ela teve que trabalhar com suas próprias convicções. “No início eu evitava sair quando eu sabia o horário que ela queria mamar, mas como a livre demanda não marca hora ou tempo ocorria que ela sentia vontade de amamentar e eu tinha vergonha e acaba indo para casa para amamentá-la. Foi em um desses imprevistos que decidi que iria amamentar onde e quando ela quisesse, independente da minha vontade. Confesso que a primeira vez que amamentei fora se casa me senti mal, eu mesma ficava olhando para procurar algum olhar de reprovação, mas com o tempo tu vais se sentindo mais confortável e foi isso que aconteceu comigo. Hoje me sinto à vontade para amamentar minha filha onde e quando ela quiser”, contou. 

Joane e seu marido Wilian André Fantin acreditam que a amamentação é um direito não só das mães, mas como de seus bebês. “O bebê só tem essa maneira de se alimentar e ele não escolhe o lugar ou a hora para mamar”. A enfermeira obstétrica da Fundação Hospitalar Santa Terezinha Rafaella Schwendler frisa que a amamentação é extremamente importante, uma vez que cada mamãe tem seu bebê e cada bebê tem seu leite, que tem níveis diferentes de proteínas, glicídios, açucares e de lipídios, que são formulas metabólicas. Ela cita um exemplo de fácil entendimento: “o leite da mãe é diferente do leite de vaca, que tem uma proteína extremamente pesada para o intestino bebê. Durante a gestação o bebê só engole líquidos amnióticos, e é assim que ele vai treinando a própria digestão dele. Desta forma o bebê está acostumado com as proteínas e os aminoácidos do corpo da mãe dele, então quando ele nasce não se pode dar uma proteína diferente, como a da vaca, por exemplo, a qual ele não está acostumado e provavelmente irá sensibilizar o intestino para várias energias”, explicou a enfermeira. Além disso, ela destaca que o leite materno passa os anticorpos necessários, proteínas e lipídios, ou seja, é a alimentação específica para o bebê recém-nascido. 

De acordo com Rafaella, o leite materno é tão especial que existem estudos que mostram que as mães de bebe prematuro tem leite com mais proteína, a fim de que o bebe engorde e cresça mais forte. “A gente consegue fazer a engorda de um bebe na UTI pediátrica do hospital apenas pedindo que a mãe tire o leite do meio (o segundo leite, após o da primeira mamada do bebê)”, explicou. Conforme ela, a mãe sai do hospital sabendo que deve amamentar a qualquer hora do dia ou da noite, indiferente do local onde esteja.

A enfermeira é a favor da amamentação em qualquer lugar e frisa que a mulher tem que se empoderar da própria maternidade e alimentar o filho onde for necessário. “A amamentação é fisiológica e a mulher deve sim se sentir empoderada da maternidade e dizer que o filho é dela e que ela vai dar o mais saudável ao seu filho, não importa a hora, o lugar e nem quem estará ao lado”, disse Rafaella. Ela acredita que o preconceito está na forma de como os outros veem porque, conforma ela, quem vive a maternidade não vê maldade. “Tenho 13 anos de experiência em materno infantil e poucos casais não tem orgulho do filho mamando no peito, até porque, a mãe está alimento o filho e não há porquê para não oferecer uma alimentação saudável”.

Por fim, Rafaella deixa um recado à todas as mães: “Além de as mulheres terem o privilégio de gerar e dar à luz a um bebê, elas também têm o privilégio de alimentar este bebê até que ele tenha forças para sozinho se alimentar, mastigar e engolir alimentos sólidos. Então, mães, se empoderem da amamentação e da dádiva da natureza que é poder alimentar o bebê, não importa a hora, onde e como for”.

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