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De degustador a cervejeiro

Cada vez mais exigentes por qualidade, apreciadores da bebida apostam na fabricação própria e na busca por sabores únicos

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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br

Cada vez mais exigentes por qualidade, apreciadores das cervejas artesanais apostam na fabricação própria e na busca por sabores únicos

Presença indispensável em qualquer evento e uma das bebidas mais consumidas no mundo, a cerveja está entre as preferências dos brasileiros. E este consumo vive um novo momento: a exigência cada vez maior dos apreciadores têm motivado a criação de diversas fábricas de cervejas artesanais, conhecidas principalmente pelos sabores diferenciado e pela qualidade. Outro ponto que chama atenção nesta nova tendência é que a fabricação parte justamente de quem aprecia transformando, assim, degustadores em cervejeiros.

Prova deste novo momento é o grande interesse pelos assuntos ligados à área. Na última edição da Frinape, por exemplo, entre as atividades de destaque do Salão do Empreendedor estavam os workshops de microcervejaria que tiveram três edições com a participação de 60 pessoas. Os workshops foram organizados e ministrados pelo professor Arthur Bortolin Beskow, coordenador do curso de Engenharia Mecânica, e pelas alunas de doutorado em Engenharia de Alimentos Letícia Urnau e Rosicler Colet.
 
Beskow explica que o principal objetivo do curso foi passar para os participantes as teorias sobre a fabricação da cerveja artesanal e mostrar que é possível e fácil produzir em casa. Ele adiantou ainda que nos próximos meses deverá ser organizado mais alguns cursos sobre o assunto dentro da URI.

Grande demanda de interessados

Os workshops surgiram depois que Beskow construiu seus próprios equipamentos elétricos partindo de seu conhecimento técnico.  A partir disso, transformou a iniciativa em um projeto de extensão do curso de Engenharia Mecânica chamado "Engenharia em 24 horas" no qual os alunos projetaram, em 24 horas, uma planta industrial de produção de cerveja. "Na sequência surgiu a oportunidade de participar na Frinape com este tema, momento em que montou-se a parceria com a Engenharia de Alimentos", conta, destacando que embora soubesse do interesse da comunidade no assunto, foi surpreendido com a grande procura, já que no primeiro dia de inscrições todas as 60 vagas oferecidas foram esgotadas.

O professor destaca ainda que para quem pretende iniciar neste ramo, é necessário buscar conhecimento. "Sempre é bom fazer um curso, ler algumas apostilas e/ou livros antes de iniciar. Os equipamentos básicos são panelas e alguns acessórios. Os insumos (malte, lúpulo e fermento) são facilmente adquiridos pela internet em empresas especializadas, assim como os quites de equipamentos", pontua, adiantando ainda que existe a proposta do curso de Engenharia Mecânica montar uma empresa com alunos que forneça os equipamentos elétricos que foram desenvolvidos e que preste consultoria para os interessados começarem sua produção.

Evento para envolver a nova tendência

Pensando em envolver a nova tendência de consumo de cervejas especiais e ao mesmo tempo divulgar cervejeiros da região, o Mosaico Pub promove na noite de hoje (4) o "Clube da cerveja" que oferece a degustação de cervejas artesanais além de sequência de pratos e festa. Os sócios proprietários do local, Vagner Zeizer e Ubiratan Caldeira, explicam que um dos fatores que possibilitam a realização do evento, que já está na sua primeira edição, é a parceria com cervejeiros da cidade. "O Alto Uruguai possui uma associação dos cervejeiros que produzem sua própria cerveja e cada um pode fazer o seu estilo de cerveja. Isto é a diferenciação desta categoria. O apreciador de cerveja especial (artesanal) pode escolher um estilo de cerveja que gosta e pode produzir sua cerveja exclusiva. Então o evento tem o propósito de valorizar o público de Erechim, assim como mostrar aquilo que temos na cidade: cervejas premium de boa qualidade", pontuam.

Eles salientam ainda que o consumo desta categoria de cervejas tem um crescimento superior a 15% ao ano, muito acima das cervejas tradicionais (conhecidas). "Cada método de fabricação confere à cerveja um sabor, amargor, cor, características únicas e agrada diferentes apreciadores de cervejas. Estes estão cada vez mais exigentes, e preferem qualidade e diferenciação em vez de quantidade/preço", completam. 

Engenheiro e cervejeiro
Do gosto pela bebida ao desafio de produzir a sua própria cerveja, o engenheiro Renato Biazussi iniciou a fabricação no início de 2015, após a realização de um curso técnico. "Em meados de 2010 realizei uma viagem à Europa, passando por países que foram marcantes nessa caminhada, principalmente a Bélgica e Alemanha, onde tive contato com uma grande variedade de cerveja, dos mais diversos estilos, onde tive um choque cultura, pois no Brasil estávamos limitados na época a poucos rótulos e variedades. Na ocasião provei inúmeros rótulos e estilos que despertaram o interesse pela cultura cervejeira tornando-me inicialmente um apreciador e posteriormente cervejeiro caseiro", conta. Hoje ele fabrica principalmente cerca de 100 litros por brasagem, exclusivamente para consumo próprio. Em sua produção estão princpalmente os estilos Belga, Ingles e Americano (English Pale Ale, Trippel, American Indian Pale Ale, Americam Pale Ale, Witbier, etc.).
Ele destaca ainda que a produção de cerveja é um hobby. "Quando estou produzindo acabo esquecendo um pouco da rotina maçante do trabalho, busco sempre otimizar os processos e por isso estou sempre lendo e pesquisando sobre o assunto, tanto em literatura com em fóruns", afirma, salientando que considera o principal diferencial das cervejas artesanais o fato de serem feitas com insumos importados de alta qualidade "o que garantem a cerveja uma qualidade diferenciada, além de o cervejeiro poder adaptar cada estilo ao seu paladar, fazendo sempre uma cerveja única". 

 

Unidos por um hobby em comum

Com um hobby em comum, os cervejeiros, Jonas Bordin, Igor Meneguzzo e Guilherme Pegoraro também iniciaram a produção de suas cervejas no ano passado. "Adquirimos os equipamentos para fabricação no início de 2015 e começamos com uma cerveja de trigo que nomeamos de 'Bota Amarela Weiss'. Procuramos outras pessoas interessadas no assunto e juntos demos início à fundação de uma associação para os cervejeiros da região - a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Alto Uruguai Gaúcho (Cervau) - que hoje possui mais de 50 membros e tem o objetivo de promover a cultura cervejeira no Alto Uruguai e região norte do RS", relatam. Até o momento, eles explicam que já fizeram 11 brassagens, de estilos Golden Ale, English Pale Ale, Witbier, Indian Pale Ale - IPA, Kolsch, Weiss, e a preferida do trio - Stout - que já teve sua receita repetida três vezes.
Os jovens produzem cerca de 100 Litros por brasagem, sem fins comerciais, apenas como hobby e para compartilhar entre os amigos. Jonas explica que a duração do processo de fabricação depende do estilo da cerveja. "O tempo do processo varia, mas normalmente nossas brasagens demoram em média 8h. Procuramos nos encontrar nos domingos. Começamos de manhã e acabamos a noite, claro que sempre acompanhado por um belo churrasco e cerveja artesanal", salientam destacando que atualmente a produção não passa de "uma brincadeira que no futuro pode se tornar algo maior".

Tradição e conhecimento que viraram negócio
A tradição da família em produzir bebidas, o apreço pelo meio rural e a necessidade de ter um negócio para retorno financeiro. Todos estes fatores somados ao apreço pelas cervejas especais foram os ingredientes que motivaram Valmor Bandiera a investir em uma cervejaria localizada entre Erechim e Barão de Cotegipe. Quem chega na fábrica logo percebe alguns diferenciais: com pequenos tijolos à vista e arquitetura marcante, o local lembra os antigos monastérios. 
A escolha tem justificativas. Segundo Bandiera, os tijolos a mostra são uma homenagem aos sumérios, já que foi na Suméria que surgiram as primeiras cervejas, enquanto o formato da construção é uma associação ao fato de que foram os monges, nos monastérios, que caracterizaram as cervejas tal qual se conhece hoje. "Não me imagino fazendo outra coisa que não seja cerveja. Além 

disso, gosto muito do meio rural então pensei em fazer algo que unisse estas duas coisas com o diferencial de oferecer qualidade, aroma e sabor. Foi então que surgiu a Ágape", relata Bandiera, complementando ainda que a aposta vai ao encontro de sua formação acadêmica em biotecnologia industrial e de seus 18 anos de experiência no meio cervejeiro.
Em pouco tempo, a cervejaria criada por Bandiera foi ganhando o gosto dos apreciadores e hoje o negócio alcançou um patamar que ele não esperava. "Duas coisas me surpreenderam: em primeiro lugar a rápida transição entre cerveja comercial que tem uma campanha de marketing enorme por trás, para uma cerveja artesanal que não tinha nome. Em pouco tempo, várias pessoas já estavam apreciando, indicando aos amigos e nos pedindo que abríssemos a fábrica para que pudessem vir até aqui apreciar a cerveja e o local, e assim as coisas têm dado certo, o que nos motiva a melhorar sempre", pontua. 

 

 

 

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