Estimativa da Emater para a região se deve a condição climática adversa no período de brotação
Uma das frutas mais apreciadas durante o verão, e que motiva a organização da Festa di Bacco, poderá apresentar queda de 30% na safra no Alto Uruguai. A produção média é de 15 toneladas por hectares, em anos com clima normal. No entanto, neste deve ficar entre 10 a 12 toneladas.
Segundo o assistente técnico regional da Emater em fruticultura, Nilton Cipriano Dutra de Souza, a diminuição se deve as condições climáticas adversas no período de brotação, momento em que foi registrada geada. O excesso de calor em agosto também influenciou na diminuição. Além disso, o frio fora de época e a grande quantidade de chuva também afetaram a safra.
No momento, a fruta está em fase de preenchimento de grãos e algumas mais precoces já estão entrando no período de mudança de cor, se encaminhando para maturação dos grãos. "Talvez teremos algumas uvas mais precoces, mas o período de colheita inicia no final de dezembro e início de janeiro," comenta Dutra.
O Alto Uruguai tem uma área de 600 hectares de uvas viníferas, aquelas utilizadas na fabricação de vinhos. E a produção média gira em torno de 8.230 toneladas. Os municípios com área e produção mais expressiva na região são: Erechim, Barão de Cotegipe, Aratiba, Floriano Peixoto e Charrua.
Propriedade da família Slongo
Na propriedade de Marlene Slongo a família cultiva 10 hectares da fruta, sendo os principais tipos Isabel e Niágara. Cerca de 30% da produção de uva é comercializada in natura e o restante é utilizada na produção de vinho e suco, industrializado pela própria família.
Na safra passada, a família colheu mais de 150 toneladas de uva, uma média de 16 a 18 toneladas por hectare. Neste ano, a expectativa é de uma safra menor devido ao excesso de chuva. "Talvez chegue a 10 toneladas por hectare," pontua. Segundo ela, a qualidade da uva ainda não foi afetada pela variação climática, porém, se as chuvas persistirem há este risco, pois a fruta precisa de sol para ficar doce.
Perfil da uva
O perfil da uva produzida no Alto Uruguai se iguala as da Serra gaúcha, já que o clima não interfere tanto na qualidade e a fruta guarda as mesmas características. A maior parte da uva que da região é utilizada na fabricação de vinho, sucos e consumo in natura. Entre as cultivares mais comuns estão a Isabel e a Niágara.
Antigamente a crença dos produtores era de que a uva que nascia em solo Norte gaúcho tinha qualidade inferior às da Serra, por isso, a fruta era utilizada somente para fabricação de vinagre. A partir da organização das primeiras edições da Festa di Bacco, que esse preconceito foi sendo trabalhado, já que o evento deu vitrine e valorização à produção regional. Abriu-se mercado e os produtores precisaram se profissionalizar ainda mais, em função de clientes com paladar cada vez mais exigentes.
O técnico da Emater e um dos coordenadores da Festa di Bacco, Valmor Gasperin, explica que foi também com este objetivo que o evento foi pensado, o de desmistificar esta ideia.
Falta mão de obra
O principal problema enfrentado pelos viticultores é a falta de mão de obra, que refletiu diretamente na diminuição de área plantada na região. "As famílias estão menores e outras pessoas também não querem trabalhar com isso," diz Gasperin, explicando que a cultura exige mão de obra braçal em todas as fases: tratamento fitossanitário, poda e colheita.
Para Gasperin, a viticultura é um bom ramo de trabalho, pois apresenta uma grande oportunidade de renda aos produtores.