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Agora sim, o ano começou?

Adiar planos para depois do carnaval reforça o hábito da procrastinação, afirma psicóloga

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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Adiar planos para depois do carnaval reforça o hábito da procrastinação, afirma psicóloga

 “O ano só começa depois do carnaval”. A afirmação comumente difundida Brasil afora não é unanimidade quando o assunto é a rotina do início do ano. Se para muitos o ano novo teve seu início a zero hora do dia 1º de janeiro, para tantos outros - pelo menos simbolicamente - esse início foi adiado para o pós-feriado da maior festa brasileira.

A psicóloga Silvana Kirsten comenta sobre essa percepção. “O verão, as férias escolares, o cansaço do ano anterior e principalmente o temor normal de dar o “pontapé” inicial nos planos do ano novo contribuem para que a crença de que “o ano só começa após o carnaval” torne-se comum entre os brasileiros, sendo puramente cultural, tendo mais força em algumas regiões do Brasil do que em outras”, destaca. “Mas nem sempre o que é cultural, é real”, alerta a profissional ao destacar que muitas vezes esta espera acaba sendo mais uma das desculpas que reforçam o hábito da procrastinação.

Os efeitos na vida prática

A ideia de um ano que inicia somente após o carnaval tem seus reflexos em alguns setores. O comércio é um deles, em especial alguns segmentos. A vendedora de uma loja de artigos de construção e decoração, Luciana Pelizzaro, afirma que muitos dos negócios só são feitos após este feriado. “Claro que há vendas, que há movimento desde o início do ano. Mas por ser um período de férias escolares e de trabalho, muitas famílias viajam, querem descansar e acabam deixando planos maiores e mais complexos para o pós-feriado, depois que voltam das viagens, isto é, normalmente depois do carnaval”, pontua.

No setor de confecções a realidade é um pouco diferente, visto que situações como volta às aulas acabam favorecendo as compras por parte das famílias. “Como algumas coisas precisam ser resolvidas antes do carnaval, as pessoas se obrigam. Mas no dia a dia ouve-se bastante as pessoas comentando que se sentem fora da rotina, como se o ano não tivesse começado ainda”, comenta a gerente de uma loja, Rosane Hoffman, ao citar como exemplo principalmente quem trabalha em áreas ligadas à educação, cujas atividades do ano geralmente iniciam após o carnaval.

O perigo da procrastinação

Para a psicóloga Silvana, entre os fatores que contribuem para o adiamento dos planos sob a justificativa do carnaval, está também o medo de iniciar novos projetos. Segundo ela, além do receio, isso “exige muita energia - será que vou conseguir? Será que vale a pena? E se der errado? Por onde começar? -  parece ser mais fácil evitar e adiar seus problemas. Procrastinação é o termo utilizado ao hábito de transferir tarefas e prioridades, envolvendo-se em atividades mais fáceis e que muitas vezes proporcionam um prazer imediato ou a falsa sensação de estar envolvido em algo”, justifica. Entretanto, segundo ela, embora o descanso e o repouso sejam necessários para qualidade de vida, saúde mental e para o desempenho de um bom trabalho, eles não devem ser confundidos com o adiamento persistente das tarefas.

Questionada se esse adiamento para o pós-carnaval pode prejudicar na busca pelos objetivos do ano novo, ela destaca que “geralmente o comportamento de procrastinar proporciona estresse, ansiedade, nervosismo, angústia e sensação de incompetência”. Sendo assim, segundo a profissional, resulta em um acumulo de tarefas não realizadas, perda de prazos e ‘correrias atrás do tempo perdido’, provocando ainda mais ansiedade e resultando em tarefas com qualidade reduzida.

Conforme Silvana a maior dificuldade nesse pensamento comumente é o ‘sair do lugar’. “Basta dar o primeiro passo, que o desenrolar do processo ocorre de forma mais fácil. Organização, rotina, objetivos alcançáveis, expectativas reais, lista de prioridades, fragmentação da tarefa e pequenas recompensas são algumas das estratégias utilizadas no enfrentamento da procrastinação, que algumas vezes pode estar relacionada ainda a crenças pessoas que podem ser superadas com a ajuda da psicoterapia”, completa.

Leitores comentam: afinal, o ano começa mesmo depois do carnaval?

“Eu discordo. Não gosto de carnaval. Ignoro totalmente a data. Trabalhei normalmente e venho trabalhando muito desde a virada do ano. Creio que esse imaginário se aplique a quem é preguiçoso mesmo, ou a cultura de outros estados, mas aqui não”. Jaen Wilk, fotógrafo.

“Apesar da alegria e festa que o carnaval traz, acredito que a ideia de começar o ano apenas depois desse período é apenas atrasar ideias e projetos que você deseja pôr em prática. Confesso que já me autossabotei com essa mesma "desculpa": depois do carnaval começo isso, depois do carnaval faço aquilo... Mas creio que não deva ser dessa forma.  Ficar se autossabotando, adiando planos e projetos é perda de tempo. Diariamente há algo novo e bom que você pode fazer pelo mundo e principalmente por você”. Bruna Busnello, estudante.

“No meu caso, não concordo, porque na verdade não sou muito ligado com carnaval, apesar deste ano ter sido o primeiro que comemorei. Mas não teve um grande significado, poderia comparar com qualquer outra comemoração. Acredito que isso vá da realidade de vida de cada pessoa”, Eduardo Koch, fotógrafo.

“Acho que a expressão é bastante forte, embora no meu caso eu concorde em partes. Poderíamos corrigi-la para ‘a rotina começa mesmo depois do carnaval’. Isso porque o ano, de fato, já começou, as pessoas já estão com planos e projetos em andamento. Porém, a rotina do trabalho, das aulas (no caso de quem estuda) inicia mesmo depois dessas festas”. Analice Dudek, professora.

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