A Polícia Civil de Getúlio Vargas deve iniciar nesta terça-feira (30) as investigações sobre o acidente de trânsito que matou o músico Volmir Araújo Martins (48). O artista da música gaúcha morreu por volta da 1h30 da madrugada do último sábado (27) após perder o controle do veículo que dirigia na altura do KM 8 da estrada municipal que liga a cidade de Getúlio Vargas ao distrito de Rio Toldo. Outros quatro ocupantes da van com placas de Áurea, sofreram apenas ferimentos leves.
De acordo com a delegada Raquel Kolberg, o inquérito foi encaminhado para a Polícia Civil de Getúlio Vargas, e prova testemunal deve iniciar nos próximos dias, o que deve apurar as circunstâncias do acidente e de como ocorreu a morte do músico, Volmir Martins.
A morte precoce de Volmir Martins comoveu o meio artístico gaúcho e sensibiliou a comunidade regional. Momentos antes de morrer, Martins havia participado do Baile da Erva Mate, realizado no centro de eventos de Áurea e chegou a dividir o palco com o conjunto Os Monarcas. Na manhã de sábado, antes de iniciar viagem para o Paraná os integrantes do grupo erechinense, liderados por Gildinho, postaram um vídeo lamentando a morte do músico considerado como um grande amigo.
De acordo com o empresário do ramo de erva-mate, Leandro Prichoa, dono do veículo acidentado, Martins prestigiou o evento acompanhado de outros quatro amigos de Esteio e no momento do acidente estava retornando para a região Metropolitana, pois no domingo tinha show agendado em Vacaria. A vítima residia em Eldorado do Sul.
Após ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros de Getúlio Vargas, o corpo de Volmir Martins foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal de Passo fundo. Por volta das 10h30 foi liberado para ser levado a Porto Alegre, onde foi velado no 35° CTG. O sepultamento ocorreu no domingo (28), em Venâncio Aires, terra natal de Volmir.
Trecho perigoso
Na manhã de segunda-feira (29) a reportagem do Jornal Bom Dia percorreu a estrada onde ocorreu o acidente e identificou que a fatalidade foi provocado pela soma de diversos fatores. De acordo com relato de testemunhas, Volmir Martins optou por dirigir o veículo logo após se despedir do palco. Ele seguia pela ERS 477 e deveria passar por Erechim, mas nas proximidades do distrito de Rio Toldo, não percebeu a sinalização para dobrar a direita e seguiu direto pela estrada de chão. Um dos amigos que estava no banco da frente teria contado que o músico manuseava um aparelho GPS para tentar saber a localização após percorrer mais de seis quilômetros pelo caminho desconhecido pelos amigos.
"Não vai dar"
O local onde ocorreu o acidente é perigoso, pois a ponte sobre o Rio Castilho está situada no fim de um declive acentuado com várias curvas fechadas. Volmir também não teria observado algumas placas de sinalização que indicavam a curva final e a ponte sobre o Rio Castilho. Quando o condutor percebeu que não conseguiria seguir sobre a pista disse: "não vai dar". Na sequência o utilitário caiu de uma altura aproximada de dois metros e tombou. ficando o lado do motorista submerso nas águas. A suspeita inicial era que a morte tinha sido provocada por afogamento, mas o laudo assinado pelo médico perito, apontou que o óbito ocorreu após a vítima sofrer traumatismo cranioencefálico e hemorragia cerebral.
Pedido de Socorro
Por volta de 2h11 a família do agricultor Délcio Luiz Lazzari (53), ouviu gritos de socorro vindos da estrada. A residência está localizada distante 600 metros de onde ocorreu o acidente. Junto com o filho João Pedro (16), Lazzari abriu a porta para ouvir o relato dos dois homens que estavam com roupas molhadas, demonstravam estar feridos e contaram que não conseguiram salvar o motorista que permanecia preso nas ferragens. Após acionar a Brigada Militar de Getúlio Vargas, pai e filho foram até o local e constataram a veracidade dos fatos. Ao lado da mãe, João Pedro (16), contou para a reportagem que o cenário era de desolação pela perda do amigo.
A van acidentada está recolhida no pátio do Detran, em Erechim. Além das avarias na lataria, parte interna e vidros quebrados, é possível perceber que o impacto do acidente provocou o achatamento da cabine na altura do banco do motorista, podendo ser esta a possível causa das lesões que mataram o artista que ficou conhecido pelo bordão "Ataca as Égua, Salvador".