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Reflexões Amargas

Crônica de Elcemina Lúcia Balvedi Pagliosa

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Elcemina Lúcia Balvedi Pagliosa
Por Elcemina Lúcia Balvedi Pagliosa

Há duas semanas, mais precisamente na noite de 29 de janeiro, Porto Alegre passava por um dos piores temporais de sua história. As narrativas das pessoas que viveram aqueles momentos arrepiavam até os mais insensíveis. Eis que dois ou três dias após, lia, na coluna de Túlio Milman, que o preço dos vidros havia subido de forma incrível (vale lembrar que esses foram quebrados, no sinistro, em grande quantidade).

O fato me remeteu a outro acontecimento, também em janeiro, mas de 2015, ocasião em que Lages, Santa Catarina, teve em torno de 50% de sua população desabrigada em consequência de chuvas e granizo. Uma situação que tira o chão e os sonhos de qualquer um. Mesmo em meio a essa tragédia, o Diário Catarinense publicava que alguns empresários, daquela cidade, cobravam, pelas lonas utilizadas para cobrir propriedades destelhadas, até cinco vezes mais do que o valor normal de comercialização.

Pude observar, não com menos indignação, neste veraneio, a exploração aos turistas argentinos e outros que incrementaram sobremaneira nosso turismo, consequentemente nossa economia, nesse período difícil que nós brasileiros vivemos.

Pensei: devem ter entendido às avessas aquele princípio da administração de que se pode fazer das crises oportunidades de negócios. Desnecessário comentar a pequenez do feito.

Daí me ocorre a indagação: o que faz com que alguns seres humanos, não importa seu nível social, econômico, cultural, lá pelas tantas da vida, ponham as manguinhas de fora (ou as arregacem) e mostrem o lado mais sórdido do seu caráter?

Esbraveja-se e generaliza-se, notadamente nesse momento delicado que o Brasil vive em todos os setores, que os políticos são corruptos, gananciosos, mentirosos, ladrões, ignorantes....Não há o que não se ouça, mesmo daquele cidadão pouco ou quase nada ilustrado. Mas pasmem, mais uma vez! Isso ocorre em todos os segmentos. Até nos mais escolarizados, letrados... Até entre os detentores de mestrado, doutorado... Só que ali se dá de uma forma mais sutilmente hipócrita. Os fins são os mesmos – escusos – mas o vocabulário é aveludado, estrategicamente escolhido. Educadamente dito, com uma argumentação que transforma intenções vis em uma vida dourada e... abençoada por Deus... Ah, pela história da humanidade! Tudo é tão maquiado que até Freud teria dificuldades para entender.

Onde está a raiz de tudo isso, me pergunto. Estaria no DNA do ser humano? Na formação que recebeu da família? Numa escola só de conhecimentos e sem valores? Ou é a sociedade que naturalmente corrompe? Seriam os cargos que fascinam especialmente os incapazes?

Sabe-se que cada um teria uma história sombria para contar, mas o que vale mesmo é poder refletir: existe antídoto para tudo isso ou devemos nos conformar e crer que o andar da vida se encarrega de presentear a cada um com o destino que merece?

Enquanto isso, como já disse outras vezes, é melhor seguir Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer.” Assim, com dignidade, sabedoria, honradez e vergonha na cara, sem mais demora, cada um, se ainda não partiu, é tempo de juntar tudo e se pôr a caminho com coragem para construir um legado que não seja um borrão na história.

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