Se adotar um animal de rua é um gesto de amor. Quando a adoção é coletiva é comovente vislumbrar que o esforço coletivo e as ações conjuntas podem, definitivamente, mudar para sempre a vida de um bichinho.
O Preto, um cão sem raça definida, foi abandonado há cerca de 14 anos ainda filhotinho e tinha tudo para virar estatística no número de cães abandonados pelas ruas da cidade. Porém, uma adoção coletiva de moradores e empresários da Rua Torres Gonçalves em Erechim, fez com que o Preto tivesse muitos pais, muitas mães e muitos tutores que se dedicam ao bem-estar do animal.
Quem nos conta a história do Preto, é o empresário Paulo Roberto Madalozzo, proprietário de um pet shop no local. “O Preto vive por aqui há cerca de 14 anos. Durante o dia ele passa a maior parte do tempo em frente a nossa loja e à noite os taxistas recolhem ele para que o Preto durma abrigado na garagem que existe logo aqui em frente. De manhã, o primeiro taxista a chegar solta o Preto para que ele fique junto ao nosso convívio”, conta o empresário.
O Preto é literalmente um cão de guarda. Dócil e carinhoso com as pessoas que conhece, está sempre atento, cuidando da rua. Os que circulam pelo local não passam despercebidos aos olhares do Preto, que prima pela segurança de seus inúmeros tutores.
“São muitas pessoas que ajudam o preto com ração, banho, vacinas, medicamentos para o coração e artrose. Cada um aqui ajuda como pode e, dessa forma, o tratamento que o Preto recebe é realmente digno de um cão. Infelizmente a maldade existe e muitas pessoas ainda abandonam os animais a própria sorte. Mas aqui, temos o exemplo contrário. Aqui vemos a bondade do ser humano. Vemos o ser humano desempenhando o seu papel em cuidar dos animais”, disse Paulo Roberto.
O empresário também reforça que são realmente muitas pessoas que ajudam. O Preto toma todas as vacinas anuais, recebe a medicação que ele precisa. Tem água e alimentação. Toma banho a cada 15 dias. Usa coleira. Tem um teto para dormir e muitas pessoas para a amar.
Enquanto fotografávamos o cãozinho, que em um primeiro momento não simpatizou muito com a nossa câmera, muitas pessoas passavam pela rua e falavam “Oi Preto”, diziam entusiasmados ao encontrar o cão, que respondia ao cumprimento com uma balançada no pitoco rabinho.
Depois de um tempo de fotos e conversas, enfim ficamos conhecidos. Inclusive o Preto aceitou o nosso carinho e parece ter ficado feliz com a atenção. Acreditamos que uma amizade possa ter sido iniciada e, certamente que conhecer a história do Preto com mais detalhes, nos deixou com a esperança de um mundo melhor, onde as pessoas fazem o bem, não abandonam, nem maltratam animais e fazem aquilo que podem para que a vida se torne mais leve, com mais amor, compreensão e, principalmente, respeito a todas as espécies.
Precisamos confessar que, a partir de agora, uma passada pela Torres Gonçalves para dar um “olá” ao Preto fará parte da nossa rotina diária. Esse cãozinho, com cara de poucos amigos, na verdade é um cão que tem, não somente uma família composta por empresários, taxistas e moradores locais. O Preto é um cão de muitos amigos. Podemos dizer que ele tirou a sorte grande quando as pessoas da Torres Gonçalves arregaçaram as mangas, saíram da zona de conforto e proporcionaram uma vida com dignidade ao Preto.
Que a história do Preto e, principalmente o exemplo dessas pessoas possa tocar o coração de cada um. Parece clichê, mas se cada um fizer um pouco, o mundo certamente se tornará um local melhor para se viver.