Mobilização dos professores já passa de um mês e vem perdendo forças em Erechim
Mobilizando professores em todo o Estado, a greve do magistério estadual vem perdendo forças em Erechim. Nesta semana, pelo menos duas escolas que estavam com as aulas suspensas retornaram as atividades: a Escola Estadual Santo Agostinho e o Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali. Ainda assim, parte das instituições de ensino seguem paralisadas ou com aulas em períodos concentrados.
Para esta terça-feira (17), o Centro dos Professores do Estado do RS (Cpers) programa um ato na Praça da Bandeira. A iniciativa, além de mobilizar a categoria, busca sensibilizar à comunidade acerca de temas como doação de sangue, de órgãos e de medula. A iniciativa será realizada a partir das 15h, em consonância com o ato realizado pelo Cpers central, em Porto Alegre, do qual a diretora regional do sindicato, Marisa Betiatto, deve participar.
Avaliação do movimento
Uma das maiores escolas de Erechim a paralisar atividades quase que em sua totalidade foi a Haidée Tedesco Reali, que iniciou a mobilização com aulas em períodos concentrados e suspendeu as aulas desde o dia 18. O retorno às atividades aconteceu ontem (16), o que não significa, porém, que as reivindicações da categoria cessaram. “Não tínhamos visto nos últimos anos uma greve tão forte e isso é muito positivo porque reforça nossa luta. Nós encerramos a paralisação nesta semana, mas nossa mobilização não acaba”, pontuou o diretor da instituição, Darlan da Rocha.
Questionado sobre as críticas que a escola recebeu por parte de alguns pais e/ou responsáveis, o diretor salientou que a greve deve ser vista como instrumento de pressão. “Enquanto professor de História, eu digo com convicção que as grandes conquistas que a sociedade alcançou ao longo dos anos só foram possíveis por meio de manifestações e reivindicações. Com os professores não é diferente. Acho que falta essa consciência em todas as pessoas, de entender os motivos dessa mobilização e de perceber que todo mundo passa pela mão de um professor”, completou.
A Escola Santo Agostinho também retomou atividades nesta semana. Sobre o movimento grevista emitiu seu posicionamento através de comunicado em sua página no Facebook: “(...)os professores e funcionários decidiram encerrar o movimento grevista, não por termos atingido nossos objetivos, mas sim, por termos percebido a intransigência deste governo. Sendo assim, voltaremos às aulas normais a partir de segunda-feira, dia 16, nos três turnos”, dizia o post.
Outras instituições seguem com atividades paralisadas total ou parcialmente. Uma delas é a Escola Bela Vista, que tinha apenas três professores atuando normalmente e estava com reunião agendada para o fim da tarde de ontem (16) para definir sobre a continuidade do movimento. A Escola Érico Veríssimo também segue com as atividades suspensas, seguindo o calendário do sindicato. O mesmo vale para a Escola José Bonifácio, que no momento segue paralisada, com exceção das turmas do currículo.
Sequência da mobilização e recuperação das aulas
Ao avaliar a adesão ao movimento e a volta das atividades em algumas instituições de Erechim, a vice-diretora do 15º Núcleo do Cpers, Magda Schmitt, destacou que trata-se de uma mudança de estratégia. “Felizmente desta vez tivemos uma grande adesão de professores de toda a região, pois nossas pautas, desde a questão salarial até a luta para impedir que percamos direitos são muito importantes. Só que por ser uma greve extensa, é comum que a categoria seja tomada por um sentimento de impotência e algumas escolas acabam voltando. Mas isso não significa que estas abandonaram a luta, apenas que mudaram de estratégias”, salientou.
Questionada sobre como se dará a recuperação das aulas, a sindicalista destacou que até o momento não há discussão no Cpers em torno disto, visto que o tema só entrará em debate após o término da greve, que por usa vez, só pode ser definido em assembleia geral da categoria. “Quem está discutindo isso é o governo, pois esse assunto não foi pautado pelo sindicato ainda”, salientou.
Em nota divulgada em seu site, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) afirma que encaminhou orientações e critérios para a reorganização do calendário escolar 2017, para as escolas que se encontram em funcionamento normal a partir desta segunda-feira (16). A medida prevê aulas aos sábados e encerramento até 14 de janeiro. “Com a flexibilização das regras, as escolas podem utilizar todos os sábados disponíveis até a integralização do ano letivo de 2017, cujo encerramento deve ocorrer até 14 de janeiro. A integralização do calendário escolar das etapas/modalidades ofertadas pelas escolas no turno da noite não utilizará sábados. Nos casos dos professores que seguirem em greve, a recuperação pode se estender até abril de 2018. “Nossa preocupação é com os alunos, especialmente aqueles que estão concluindo o ensino médio e vão prestar provas para o ingresso nas universidades e Enem”, afirma o diretor de Recursos Humanos da Seduc, José Adílson Santos Antunes.