Quando o pet chega à terceira idade, merece cuidados especiais e até uma visita ao geriatra – isso mesmo, geriatra! Os avanços da medicina veterinária preventiva têm feito com que a expectativa de vida dos animais aumente. Há uma década, com seis anos os cães eram considerados animais de idade avançada. Hoje, graças a vacinas, tratamentos de última geração e alimentação de primeira, eles passaram a viver mais – e muito bem. Não é incomum se deparar por aí com bichos que já ultrapassaram uma década. E, para cuidar da maturidade deles, existe até veterinário especializado em geriatria.
O tempo passa para todos e, mais cedo ainda, para os animais de estimação. A maioria das pessoas calcula a idade real do cachorro multiplicando um ano humano por sete caninos. Na prática, cada raça tem etapas de vida (infância, juventude e adulta) e a velhice chega por volta dos oito anos. Já os gatos vivem, em média, 20 anos se não tiverem acesso à rua, onde há risco de atropelamento, envenenamento e demais fatalidades.
“O cálculo básico da idade do cão é que, a cada um ano animal equivale a sete do homem. Porém, isso varia conforme o tamanho. Enquanto um pequeno com três anos de idade equivale a 20 anos humanos, no cão grande pode chegar a 26 anos. No gato é um pouco diferente: um ano felino equivale a 15 anos humanos, dois a 24, três a 28 anos e por aí vai”, explica o veterinário, Rafael Justa de Oliveira.
De acordo com ele, o segredo para garantir uma vida longa começa quando o pet ainda é filhote. “O primeiro passo, é não separá-lo da mãe antes dos 30 dias de vida, pois toda a imunidade vem do leite materno. É também vacinar e vermifugar nas épocas corretas, respeitando os intervalos entre doses. E, lógico, manter acompanhamento veterinário desde antes do nascimento. Uma mãe saudável gera filhotes saudáveis”, enfatiza o médico veterinário.
Rafael lembra que as doenças na terceira idade variam de acordo com raça, tamanho e cuidado que o tutor teve durante toda a vida. Problemas oculares, como a catarata, ósseos e articulares, são mais comuns. “É preciso levar isso em consideração antes de comprar ou adotar um animal. Cães idosos, assim como os humanos, necessitam de atenção e cuidado maior”, declara o veterinário.
Cuidados na terceira idade
Com a imunidade baixa, os animais idosos ficam suscetíveis às doenças e os órgãos vão se debilitando. É preciso atenção especial aos rins, coração e pulmão. Deve-se fazer check-up de seis em seis meses, sem esquecer as vacinas anuais.
Alguns podem apresentar disfunções cognitivas e ter dificuldades de fazer as necessidades no lugar certo. Eles não devem ser punidos por isso.
Artrites/artroses tornam atos simples, como estar deitado e levantar, motivos de grande dor. Além dos remédios prescritos pelo veterinário, o ideal é medicar antes de chegar à terceira idade. Também facilite a locomoção pela casa, com rampas, por exemplo.
A obesidade é um fator comum, porque o metabolismo desacelera. A quantidade de comida deve ser reajustada e adaptada com indicação veterinária, com mais fibras e vitaminas.
Cegueira pode ocorrer por algum fator externo, como a catarata, com solução se diagnosticada cedo. Já a surdez, mesmo que leve, é inevitável. Os dentes também precisam de cuidado, mas o hábito da escovação deve começar antes da velhice.
Ambientes quentinhos, superfícies macias ajudam no bem-estar do animal. Mas é importante incentivá-lo a fazer atividades, como caminhadas leves.
O que muda quando eles ficam mais velhos?
As visitas ao veterinário devem se tornar mais frequentes. Enquanto os mais jovens passam por avaliações anuais, os idosos precisam ter a saúde conferida a cada seis meses. Nessas consultas, exames de rotina para avaliar coração, rins, boca, olhos e conferir como andam os níveis de alguns hormônios são essenciais.
Quais são os problemas mais frequentes nessa faixa etária?
São quatro: alterações cardíacas, problemas ortopédicos, insuficiência renal e disfunção cognitiva, que é quando os pets com idade muito avançada às vezes sofrem de uma degeneração similar ao Alzheimer. Se tornam lentos e distantes. O aprendizado e o treinamento que receberam ao longo da vida podem regredir consideravelmente. Porém, o melhor é que você pode prevenir a maioria deles ou, ao menos, evitar que avancem, diagnosticando cedo.
Como deve ser a alimentação?
O conselho é dar preferência às chamadas rações seniores, adaptadas às necessidades nutricionais da maturidade. Elas são ricas em ômega-3, zinco, proteínas, fibras e pobres em gordura.