Nos últimos anos, o mês de outubro tornou-se um importante aliado na luta contra o câncer de mama na mulher. Conhecido como Outubro Rosa, o movimento agrega várias instituições em prol da missão de orientar a população quanto à prevenção do tumor. No mundo animal a história não é diferente. Uma corrente cada vez maior de veterinários e profissionais da área se reúne todo mês de outubro para lembrar que o câncer de mama pode atingir também nossos melhores amigos. A conscientização para a prevenção e diagnóstico precoce ainda é a melhor estratégia para evitar evolução da neoplasia mamária em pets.
O câncer de mama é um dos tumores mais diagnosticados nas cadelas e gatas, principalmente idosas. De acordo com as veterinárias Júlia Leite e Mariana Ricci, a principal prevenção é a castração antes do primeiro cio. "Esse tipo de tumor tem alta dependência dos hormônios produzidos pelo útero e ovários, diante disso, se o pet for castrado antes do primeiro cio, a chance de desenvolver tumores é de apenas 0,5%", disseram as médicas veterinárias.
Castração X tumor de mama
A principal doença reprodutiva das cadelas, e o tumor mais comum de fêmeas intactas, é o tumor de mama. Ele é o segundo tumor mais frequente em cadelas e o terceiro mais comum em gatas. Hoje, sabe-se, por uma série de pesquisas e trabalhos científicos, que a castração feita antes da puberdade em fêmeas, ou seja, antes do primeiro cio, diminui em até 99,5% a chance de o animal vir a apresentar um tumor de mama, posteriormente.
Além disso, a castração precoce previne a ocorrência de praticamente todos os outros tumores relacionados ao sistema reprodutor, tanto em fêmeas quanto em machos, assim como outras doenças, tais como a Hiperplasia Endometrial Cística e a Piometra, doenças típicas de cadelas que receberam, em determinados momentos de sua vida, aplicações de hormônios anticoncepcionais para evitar o cio.
Outra vantagem da castração é de, indiretamente, estar fazendo um controle da população, pois grande parte dos proprietários não tem ainda consciência do problema eminente ao se deixar seus animais se reproduzirem sem critérios.
Tumores de mama
Estima-se que os tumores de mama correspondam a 30% em gatas e 45% em cadelas de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária. Algo pouco falado, mas que reforça a necessidade de conscientizar os tutores sobre a importância dos exames periódicos e no diagnóstico precoce da doença. O diagnóstico precoce em animais tem tanta relevância quanto que para humanos, pois aumenta em 90% as chances de cura.
Para diagnosticar o câncer de mama em animais, os tutores podem observar a aparição de nódulos, pólipos ou aumento de volume no tecido mamário. Ele pode ser identificado uma vez que com o passar do tempo e crescimento do nódulo podem ocorrer dor, feridas na pele e presença de secreção de leite, ou escura, nos mamilos.
As causas
Fatores como genética, natureza hormonal e até o ambiente podem influenciar no aparecimento da doença. Fêmeas com idade entre dez e 11 anos correm maior risco de desenvolver o câncer. Especialistas reforçam que a castração precoce, antes do primeiro cio, é o procedimento mais indicado na prevenção de tumores. A chance desenvolvimento da doença sobe de 0,5% para 26% em animais castrados somente depois do segundo cio.
O tumor de mama ocorre geralmente em animais mais velhos, com dez ou mais anos de idade, que possuem todo o aparelho reprodutivo, ou que foram castrados após numerosos cios. O aparecimento desta doença está relacionado com a produção de hormônios femininos, como o estrógeno e a progesterona.
Diagnóstico
Para confirmação do tumor, o exame laboratorial mais comum é a citologia aspirativa. A citologia é feita através de uma punção do nódulo com uma agulha bem pequena, não sendo necessário sedar o animal. Se confirmado o câncer de mama, o próximo passo é avaliar os pulmões. Segundo a veterinária Mariana Ricci, "os médicos veterinários sempre solicitam uma radiografia torácica para avaliar os pulmões, uma vez que os tumores mamários podem causar metástase para este órgão."
Tratamento
O tratamento é sempre cirúrgico. O animal realiza exames pré-anestésicos e em seguida é realizada a cirurgia para a retirada, parcial ou total, da mama afetada. Um exame histopatológico, ou biópsia, do nódulo removido vai definir se o bicho vai precisar ou não de quimioterapia. A indicação deste tipo de tratamento vai depender se o tumor é maligno, o que, se confirmado, também leva à análise de seu grau de avanço.
Quimioterapia
As consequências da quimioterapia em animais são diferentes do tratamento em humanos, pois não causa os mesmos efeitos colaterais. A quimioterapia pode envolver medicação oral, injetável, diluída em soro ou a combinação de todas essas possibilidades, dependendo do grau de malignidade, da idade do animal e da presença de outras doenças. O número de sessões e a frequência dependem do protocolo adotado. A maioria recebe medicação uma vez por semana durante três a seis meses.
Como fazer o autoexame
O ideal é que os tutores avaliem as mamas do seu animal periodicamente. "Uma dica é aproveitar a hora do carinho na barriga para avaliar as mamas – as cadelas têm cinco pares e as gatas, quatro pares - apalpando-as uma por uma e entre elas. Se o tutor notar nódulos, diferença de tamanho entre as mamas, aumento de volume ou algum tipo de secreção, deve levar o pet ao médico veterinário para a confirmação do diagnóstico, que é feito por meio de exames clínicos e laboratoriais", explica a médica veterinária Júlia Leite.
Viu alguma anormalidade
É importante que cada tutor faça o exame em seu animal, ação que os médicos veterinários chamam de afago com carinho. Esse toque deve ser feito, no mínimo, uma vez por mês. Após o afago, se o tutor notar algum nódulo, não importando o tamanho, é imprescindível encaminhar a cadela ou gata para realizar o exame citológico que avalia se o tumor é maligno ou benigno. Sempre é bom frisar que o indicado é procurar o médico veterinário de sua confiança, pois ele é o único profissional habilitado para diagnosticar o tumor.