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Rural

Evento capacita e busca a troca de experiências sobre plantas bioativas

11ª Reunião Técnica acontece até esta quinta-feira na URI Erechim

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Por Rosa Liberman - [email protected]
Foto Rosa Liberman

Morador na Linha Sete de Setembro, interior de Erechim, Geraldino Viniski (67), cultiva mandioca, ervilha, batata-doce e milho verde. A propriedade tem 12 hectares e no a no de 2001 teve um desafio, entrou em uma nova atividade: o cultivo de plantas medicinais. Na época encarou como uma alternativa de renda e hoje tem ela como a principal atividade da família. São quase 30 variedades cultivadas e todo o processo é realizado na propriedade: cultivo, colheita, secagem, embalagem e comercialização.

Geraldino, a esposa Helena (67) e a filha Lisiane (35) trabalham com divisões de tarefa, cada um cuidando uma parte do processo. Ele conta que tudo iniciou quando participou de um encontro sobre bovinocultura de leite quando surgiu o assunto e resolveu implantar na propriedade, aos poucos foi dando certo e ampliando o número de variedades. Segundo ele não dá muita mão de obra, mas tem retorno financeiro. Por conta disso, Lisiane resolveu seguir os passos dos pais e permanece na propriedade até hoje. A produção é comercializada em diversos mercados da cidade e na feira do produtor.  

Assim como Geraldino, Eliane Strapazzon que produz chás e condimentos em vasos, no Distrito Jaguaretê, também está expondo e comercializando sua produção na URI Erechim, aonde está acontecendo desde terça-feira, a 11ª Reunião Técnica Estadual de Plantas Bioativas e a 1ª Feira da Agrobiodiversidade.

Eles são dois dos oito produtores que trabalham com plantas bioativas no Alto Uruguai. De acordo com a extensionista da Emater Nádia da Rosa, elas são produzidas no sistema convencional ou em vasos, com a produção sendo comercializada diretamente para ervateiras, em embalagens na feira do produtor ou em mercados. E no primeiro dia do evento, cerca de 1.300 produtores participaram buscando qualificação para sua produção e também visando à troca de experiências, e conhecimento, para possíveis novos empreendimentos. No primeiro dia, pela parte da manhã foram realizadas palestras e na parte da tarde, oficinas. Na ocasião teve a troca de 3 mil mudas de plantas  entre os agricultores dos 32 municípios de abrangência da Emater Regional e mais de 5 mil pacotes de sementes de plantas medicinais entre os produtores.

Já na quarta e quinta-feira acontece a reunião técnica com os técnicos da Emater de todo Estado buscando a capacitação. Na quarta-feira o foco foi à alimentação básica e na quinta-feira a cadeia produtiva.

Nádia ressalta que a Reunião Técnica foi criada com o objetivo de organizar a cadeia já que das demais culturas já estava estruturada e organizar as ações em torno das plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Foi fomentada pela Emater e, posteriormente envolveu parcerias públicas e privadas.

Um dos convidados da 11ª Reunião Técnica, Glauco de Kruse Villas Bôas, da Fiocruz/RJ, apontou que os fitoterápicos são medicamentos e tem um impacto na vida das pessoas. Enfatizou que a prospecção à pesquisa dessas substâncias aumenta a possibilidade da produção de medicamentos a partir da biodiversidade brasileira. “O que é uma grande vantagem, porque o Brasil tem a maior biodiversidade do planeta. A questão é ver de que forma a sociedade se organiza para, junto com a pesquisa, os institutos de tecnologia, empresas, os agricultores serem os protagonistas desse movimento, de um movimento novo de produção de medicamentos no país. Essa é uma proposta da Redes Fito – Inovação em Medicamentos da Biodiversidade”, declara.

Segundo Villas Bôas, os programas de pesquisa precisam ser ampliados. O papel do ecossistema na produção de metabólicos tem que ser aumentado, pois o grande potencial da biodiversidade a gente desconhece. “Apenas sabemos que tem potencial e que poderia abrir uma grande estrada para o futuro e colocando o país como exemplo”, acrescenta. Destacando ainda que é comum as famílias utilizarem chás e ervas fitoterápicas, mas o que se busca é incluir no Sistema Único de Saúde, entretanto, há muitas barreiras culturais e políticas que estão retardando esse processo.

A 11ª edição é uma realização da Emater/RS-Ascar, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) e URI Erechim. O evento conta com apoio da prefeitura de Erechim, Universidade Fronteira Sul, Universidade Estadual do Rio grande do Sul (Uergs), Universidade de Passo Fundo (UPF), Senar, Centro de Apoio a Promoção da Agroecologia (Capa), Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate) e Cooperativa Alfa, com o patrocínio da Secretaria da Saúde, Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau), Sicredi, Fapergs e Itaipu Binacional.

 

 

Programação desta quinta-feira

Plantas bioativas - cadeia produtiva
8h 30 - Realização do 11ª Fórum de Meio Ambiente da Juventude do Alto Uruguai
Público: Estudantes do 9º ao 3º ano do Ensino Médio
8h30 - Palestra: Plantas bioativas de interesse para o manejo sanitário de agroecossistemas em transição agroecológica
Palestrante: Dr. Gustavo Schiedeck - Embrapa Pelotas

10h30 - Palestra: Produção e comercialização de plantas medicinais no Sul do Brasil
Palestrante: Dr. Pedro Melillo de Magalhães - Unicamp – São Paulo

13h30 - Mesa-redonda: Arranjos produtivos locais em plantas medicinais e condimentares
Participantes:
Representante da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo
Nadia Magali Farina Fiabane da Rosa - Emater/RS-Ascar, Erechim/RS
Rodrigo Strapasson - Produtor de Plantas Medicinais e Condimentares, Erechim/RS
Cecilia Cipriano Osaida - Harmonia Natural, Canelinhas/SC

15h – Leitura e aprovação da Carta de Erechim

15h15 - Oficinas e Minicursos

17h - Cerimônia de Encerramento do Evento
 

 

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