O Tribunal do Júri da Comarca de Erechim julga nesta quinta-feira (28) um dos crimes mais violentos ocorridos em Erechim nos últimos anos. No banco dos réus estará Marcos Antônio da Rosa (27), acusado pelo estupro, morte e ocultação do corpo de Patrícia Fátima Sosin de Oliveira, na época com nove anos de idade. O crime ocorreu no dia 28 de janeiro de 2015 no distrito de Capo-Erê, interior de Erechim. A prisão preventiva do suspeito foi decretada pela Justiça no dia 31 de janeiro e o suspeito ficou foragido até o dia 9 de fevereiro, quando foi recolhido ao Presídio Estadual de Erechim para aguardar o julgamento.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, baseada em investigação policial, Marcos Antônio da Rosa era vizinho da vítima e cometeu o estupro e o assassinato após consumir duas doses de caipira - mistura de cachaça, limão e açúcar, e ainda ingerir mais aguardente enquanto se dirigia para casa. O estado de embriaguez foi considerado como agravante na sentença de pronúncia publicada pela Justiça no dia 23 de novembro de 2016.
A investigação policial apurou que "o denunciado avistou a vítima, sozinha, caminhando em via pública e aproximou-se dela, perguntando onde estava indo. Ato contínuo, agarrou a vítima pelos cabelos e levou-a para o mato, quando a vítima começou a se debater. Usando de violência, o denunciado" cometeu violência sexual, provocando graves ferimentos na criança, conforme trechos do texto original do processo. "No momento do estupro a vítima ainda estava com vida, pois ofereceu resistência física tentando evitar o crime", narra a sentença que determinou a realização do júri popular, assinada pelo juiz Marcos Luis Agostini, titular da 1ª Vara Criminal e presidente da sessão de julgamento de hoje.
Laudos de necropsia anexados ao processo comprovam que além de ser estuprada, Patrícia morreu após ser atingida por 12 golpes de faca em diversas partes do corpo. Na época a Polícia Civil informou que mesmo após a criança estar morta o acusado voltou abusar da vítima sexualmente. A investigação policial apurou ainda que na manhã seguinte ao crime o réu roubou uma enxada de um cunhado e providenciou um local para enterrar o corpo da menina que estava desaparecida.
Enquanto policiais, voluntários e familiares procuravam pela criança, Marcos Antônio da Rosa, trocou o corpo da vítima de lugar em pelo menos mais duas ocasiões. "Percebendo que a polícia estava próxima de localizar o corpo da vítima, voltou ao local onde havia enterrado o cadáver de Patrícia, desenterrou com as próprias mãos, carregou-o no colo, e jogou-o no meio do milharal, escondendo o cadáver neste local", onde acabou sendo localizado no dia 3 de fevereiro.
No mesmo dia do desaparecimento a Brigada Militar, já havia iniciado a procura pela garota, que segundo a família tinha saído apenas com a roupa do corpo.Testemunhas apontaram que ela teria sido vista pela última vez com um homem. Traçado o caminho os policiais localizaram o suspeito e na casa encontraram as roupas do crime. Percebendo a situação, Rosa, fugiu e se entregou dias após na Polícia Civil, momento que confessou o crime.
Negativa de ocultação de cadáver
Durante a fase de instrução processual, Marcos Antônio da Rosa, confessou o estupro e o assassinato de patrícia, mas negou a ocultação do cadáver da criança.
Acusação
O Ministério Público requer que o acusado seja julgado por homicídio triplamente qualificado, motivo torpe, fútil, emprego de meio cruel, além de dificultar a defesa da vítima e provocar a morte para encobrir outro crime de estupro. A sessão de julgamento será presidida pelo juiz Marcos Luis Agostini, titular da 1ª Vara Civil da Comarca de Erechim. A defesa do acusado será feita pela Defensoria Pública. O julgamento inicia às 9h20 no plenário do Fórum de Erechim.