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Incêndio do Colégio São José completa 54 anos

Na manhã do dia 5 de setembro de 1963 a comunidade erechinense dava exemplo de amor a um de seus principais símbolos

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Erechim
Por Assessoria de imprensa
Foto Salus Loch

Quinta-feira, 5 de setembro de 1963. 6h15min. A cidade que acordava antevendo o desfile em homenagem à Pátria no sábado seguinte, 7, foi pega de surpresa. Do mesmo modo, na capela da Escola Normal São José, hoje Colégio Franciscano São José, o crepitar das labaredas anunciava o fogo que se instalara nas proximidades, afugentando os fiéis e dando início ao incêndio que destruiria o prédio principal de um dos mais tradicionais educandários do município.

A comoção foi geral. As perdas, de grande monta. À época, Erechim não contava com um Batalhão do Corpo de Bombeiros, situação que amplificou o tamanho da tragédia – mas que, também, por linhas tortas, deu provas da união da comunidade em torno de um dos seus principais símbolos.

A história, transcorrida há exatos 54 anos, é hoje motivo de reflexão, orgulho e reconhecimento para direção, pais e estudantes do presente e do passado do São José. Afinal, inúmeras foram as forças vivas da sociedade civil e do poder público que, ao lado de centenas de famílias e das Irmãs Franciscanas, não mediram esforços a fim de reparar os danos gerados, garantindo a pronta reconstrução das instalações e retomada das aulas na escola.

Para a diretora do São José, Irmã Silvana Arboit, o ocorrido mostrou a importância que o Colégio tinha (e tem) para a comunidade regional, legado do esforço das Irmãs Franciscanas, desde a fundação do educandário, em 1923. ‘É importante lembrarmos de episódios como este para jamais perdermos de vista nosso compromisso com Erechim e o Alto Uruguai. Esta ligação, felizmente, continua presente hoje e nos dá força para seguirmos avançando na busca da excelência e da formação de valores, educando nossas crianças e adolescentes para a vida’, observa a diretora.

 

Irmã Glória se emociona ao lembrar do incêndio

O incêndio, segundo lembra a ex-professora de trabalhos manuais do Colégio, Dona Joana Granzotto, mais conhecida como Irmã Glória (que estava na capela no momento do sinistro, em 1963), teve início na parte de madeira do estabelecimento, tomando de imediato conta de todo o prédio de alvenaria no último piso que teria ficado danificado.

A ausência de um Batalhão do Corpo de Bombeiros fez com que a população, acordada por sirenes, sinos e buzinas, se munisse de baldes e apetrechos afins, ajudando como podia. O esforço, acompanhado de choros tristes, serviu para que, pelo menos, alguns objetos fossem salvos, conta Irmã Joana, que, aos 96 anos, gentilmente interrompeu seu trabalho de costura para, com os olhos embaçados, lembrar do histórico acontecimento.

Segundo ela, a campanha de reconstrução do Colégio – que seria reinaugurado já no ano seguinte, 1964 – contou com doações, realização de rifas e a parceria de pessoas físicas (que formaram uma comissão de reconstrução), empresas, entidades, e dos poderes públicos local, estadual e federal, num dos mais plurais e belos gestos de desprendimento e carinho já vistos na quase centenária história de Erechim, e do próprio São José – que em 2018 completará 95 anos de existência.

À época, aliás, outros educandários da cidade cederam salas de aula para que os estudantes não tivessem seu ano letivo prejudicado.

Em solidariedade ao Colégio, naquele ano (1963), não houve o tradicional desfile de 7 de Setembro.

Atualmente, o Colégio São José atende, numa estrutura moderna e segura, a estudantes de Educação Infantil; Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º a 4º anos); Ensino Fundamental Anos Finais (5º a 9º anos); e Ensino Médio.

 

 

Legenda Foto 1: Colégio São José. Antigo prédio de madeira, década de 1920. Crédito: Livro Erechim - Retratos do Passados, Memórias do Presente

 

Legenda Foto 2: Há 54 anos, incêndio destruiu o Colégio, que no ano seguinte foi reconstruído com a participação da comunidade. Crédito: Livro Erechim - Retratos do Passados, Memórias do Presente

 

Legenda Foto 3: Irmã Glória, testemunha ocular do incêndio, em 1963, e a diretora do Colégio, Irmã Silvana, visitam espaço onde estava localizado o prédio de madeira consumido pelo fogo. Crédito: Salus Loch

 

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