O homem que matou a companheira com 21 facadas em Erechim foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim. Fernando Cesar da Silva (30), foi considerado culpado pela morte de Chaiane Bueno de Lima (24), assassinada dentro da própria casa na madrugada do dia 22 de dezembro de 2012, por volta das 4h20min, na Rua Sady Carlos Dias, Bairro Aeroporto. Preso em flagrante no local do crime, o réu confessou a autoria das facadas alegando que desferiu os golpes após uma discussão motivada por ciúmes. O réu suspeitava que estava sendo traído pela mulher com quem tinha três filhos.
A sessão do Tribunal do Júri iniciou tensa. Na chegada ao Fórum o réu disse que estava sendo ameaçado por familiares da vítima que aguardando para assistir ao julgamento. Fernando foi recolhido a uma sala especial e só entrou no plenário quando foi chamado para ser interrogado. O réu aguardou o julgamento em liberdade, beneficiado por um habeas corpus concedido pela Justiça, após ficar sete meses recolhido ao Presídio Estadual de Erechim.
Interrogado por mais de uma hora, inicialmente pelo juiz Marcos Luis Agostini, titular da Primeira Vara Criminal, e na sequência pelo promotor público Gustavo Burgos e pela defensora pública Raquel Fellini, Fernando Cesar da Silva, confirmou parte do depoimento prestado nas fases de inquérito policial e instrução processual.
Na noite do crime, segundo o réu, ele e Chaiane teriam participado de um churrasco na companhia de amigos e familiares na própria residência. O jantar durou até por volta das duas horas da madrugada. Quando os convidados foram embora, o casal teria iniciado uma discussão sobre a desconfiança do réu em relação a casos extraconjugais de Chiane. Diferente das versões anteriores, Fernando disse que naquela noite ele e a vítima não tinham consumido bebidas alcoólicas, mas que discutiram aspectos da união estável que durava seis anos. Os três filhos do casal e uma enteada estariam dormindo e, segundo o réu, não teriam presenciado a briga e o desfecho trágico.
Chaiane ainda gritou por socorro e familiares do réu correram até a residência, mas a vítima já estava morta. Os próprios irmãos de Fernando acionaram e seguraram Fernando até a chegada da Brigada Militar
Em depoimento anterior, Fernando afirmou que consumiu bebida alcoólica, junto com Chaiane. A intenção segundo ele, era embriagar a companheira para que a mesma revelasse a verdade sobre possíveis traições. Diante dos jurados e na fase inicial do processo, Fernando declarou que Chaiane admitiu ter um "amante" e que não tinha certeza se a última filha era mesmo de Fernando
Ainda segundo o réu, diante da confissão, ele decidiu sair de casa e avisar a avó de Chaine sobre o ocorrido, mas que teria sido impedido pela mulher, que teria pego uma faca para tentar agredi-lo. "O que me deixou com mais raiva {..} ela afirmou que não sabia se a última filha nossa era minha mesmo ou era do outro {...} Isso ali que eu acho, sei lá, tudo juntou assim, e por fato de "ta" bêbado também {...}tanto que não reconheci e queria o suicídio {...} hoje eu penso não consigo, eu mesmo não consigo me encontrar em mim, como que eu fiz aquilo", declarou o réu.
A versão foi contestada pela acusação que reforçou a qualificadora de motivo torpe para o crime. O promotor público Gustavo Burgos argumentou que Fernando aproveitou-se da vantagem física e da relação familiar para agredir e matar Chaiane.
A defensora pública Raquel Fellini anunciou que vai recorrer da sentença.