Escolas da região registraram mais de 2,4 mil casos de violência no primeiro semestre de 2017
As 112 escolas da região de abrangência da 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) registraram no primeiro semestre deste ano mais de 2,4 mil casos de violência. Os dados se referem a ocorrências que vão desde indisciplina, passando por depredação do patrimônio, bulliyng, intolerância e racismo, roubos, furtos, até agressões verbais e físicas. Os números foram apresentados na manhã de ontem (16) durante o primeiro Seminário das Comissões Internas de Prevenção à Violência Escolar (Cipave), realizado no Salão de Atos da URI Erechim.
Os números foram apresentados pela coordenadora do programa Cipave no Estado, Luciane Manfro. Em comparação com o último semestre do ano passado, as ocorrências tiveram um aumento de mais de 400 casos. Os dados servem como base para nortear ações da coordenadoria e das respectivas comissões de cada instituição no sentido de prevenir e mudar o cenário da violência escolar.
Apesar de preocupantes, Luciane faz uma ressalva quanto aos números, já que o mapeamento destes casos é recente. “O programa existe há um ano e meio e, se por um lado esse levantamento aponta um crescimento no número de ocorrências, por outro, nos mostra um ponto positivo, pois significa que desde que as Cipaves foram implantadas, estes casos vêm sendo acompanhados e registrados. Coisas que antes não eram notificadas, agora passaram a ter um novo olhar, encorajando muitos estudantes a buscarem ajuda”, avaliou.
Sobre o programa, ela destacou especialmente o papel de gestão dos conflitos escolares. “A escola é, na maioria dos casos, o local onde o aluno vai demonstrar seus problemas, mesmo que estes não estejam relacionados ao espaço escolar. E essas demonstrações vêm por meio de conflitos, indisciplina, mau comportamento, atitudes que na verdade são um pedido de ajuda. As Cipaves atuam no sentido de saber como gerir estas situações buscando maneiras de ajudar e contribuir para a solução e prevenção destes casos”, pontuou
Conforme o mapeamento, os casos de maior incidência são os de indisciplina em sala de aula, com 750 registros. Em seguida a violência física entre alunos, que somaram 587 casos no primeiro semestre de 2017 – 216 a mais do que no último semestre de 2016. Registros de Bulliyng também chamam atenção: foram 295 registros. Outro dado que chama atenção é relacionado aos casos de racismo, intolerância e preconceitos: do último semestre de 2016 para o primeiro de 2017 os registros deste tipo de violência subiram de 68 para 223 casos.

Cipaves em todas as escolas
Na abertura do evento, o coordenador regional de educação, Alencart Loch, explanou sobre os cenários das comissões em toda a região de abrangência da coordenadoria. Entre outros aspectos, ele destacou que a 15ª CRE é única do Estado na qual todas as 112 escolas têm suas respectivas Cipaves.
Ainda pela manhã, a programação do seminário contou com a participação do major Uilson Cecconello, do 13º Batalhão de Polícia Militar. Ele falou sobre a importância de haver mais comprometimento das famílias na educação e, também sobre a reflexão que a comunidade deve ter em relação ao trabalho da polícia. Destacou a necessidade de cada um se dedicar a fazer mais em relação ao trabalho da Cipave, uma vez que é este trabalho que vai evitar que conflitos se tornem ocorrências muito maiores.
À programação da tarde iniciou com a apresentação musical de dois estudantes da Escola de Educação Básica de Viadutos - Rafael Rossoni Leal, de 14 anos e Lucas Bohm de Grandi, de 17 – alunos do 1º e 3º ano do ensino médio, respectivamente. Na sequência a psicóloga Rodinara Roman realizou uma palestra com foco na questão dos jogos da Baleia Azul, que foram popularizados neste ano especialmente entre o público em idade escolar. A abordagem da profissional foi focada em ações opostas às defendidas no jogo, em uma ação intitulada “baleia rosa”, com o intuito de promover atividades e iniciativas de acolhimento, apoio e melhora da autoestima dos estudantes.
O seminário contou também com a apresentação do caso de uma escola do município de Paim Filho, no qual poder público municipal e estadual realizaram parcerias para ações da Cipave, apresentação cultural de estudantes indígenas e uma mesa-redonda com as entidades que formam a rede de apoio escolar.
Coordenadora da Cipave da Escola Irany Jaime Farina de Erechim, a professora Ana Paula Pio da Silva estava no seminário e destacou os resultados positivos que as comissões têm promovido nas escolas. “Além de melhorar a autoestima dos professores e, consequentemente o trabalho, a Cipave tem permitido que a gente faça as coisas de modo que os estudantes sintam-se estimulados a serem melhores, respeitosos e que visualizem um futuro melhor através do respeito, da dedicação e dos estudos”, comentou.
O trabalho das Cipaves
As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar são formadas por profissionais da escola e atuam orientando a comunidade escolar sobre as mais diversas situações que podem ocorrer no ambiente escolar, para que juntos possam identificar situações de violência, acidentes e causas; definir a frequência e a gravidade com que ocorrem; averiguar a circunstância em que ocorrem estas situações, além de planejar e recomendar formas de prevenção. Também são responsáveis por formar parcerias com entidades públicas e privadas para auxiliar no trabalho preventivo, estimular a fiscalização por parte da própria comunidade escolar, fazendo com que zele pelo ambiente escolar. Também é seu papel realizar estudos, coletar dados e mapear os casos ocorridos que envolvam violência e acidentes, para que sejam apresentados à comunidade e às autoridades, proporcionando que estas parcerias auxiliem no trabalho de combate e prevenção dos acidentes e violência na escola.