O melhor amigo do homem, o cão, também pode ser considerado responsável por trazer melhoria à saúde das pessoas. Comprovado cientificamente, a terapia com animais oferece benefícios terapêuticos da interação homem-animal que, além de trazer resultados comprovados para a saúde física, emocional, mental e social, colabora para o resgate dos vínculos afetivos e da qualidade de vida das pessoas.
É o que uma equipe de 14 voluntários de Erechim, que integram o projeto Super Patas desenvolve. Além dos voluntários, dois cães terapeutas da raça Golden Retriever, o Olly e a Anita, fazem parte do Super Patas. Até o final do ano mais duas fêmeas, que estão na fase final de treinamento integrarão a equipe: a Khatucha e a Vale.
Como tudo começou
O projeto Super Patas iniciou em Erechim em 2014, como um trabalho voluntário e sem fins lucrativos. Para se tornarem terapeutas, os cães foram adestrados desde os seis meses de idade, por um profissional capacitado, com especialização na área de Terapia Assistida por Animais e Cães de Assistência. O treinamento focou nas áreas de Atividade Assistida por Animais (AAA) e Terapia Assistida por Animais (TAA). Conforme explicam os voluntários do Super Patas, este tipo de terapia tem como objetivo, a inserção do animal na vida de pacientes em tratamento, para que ele se torne parte do processo de cura e assim, melhore o quadro de saúde dos assistidos.
Após, aproximadamente um ano de treinamento, os cães começaram a atuar em instituições e em atendimentos individuais de fisioterapia. Durante as atividades os cães são conduzidos pelos seus tutores, acompanhados pela equipe de voluntários e quando necessário, do adestrador. A equipe também conta, com a assessoria de profissional da área de psicologia, que orienta e acompanha sempre que necessário, fazendo a avaliação individual de cada caso.
Com isso, o Super Patas tem o suporte fundamental para que os limites e necessidades dos animais sejam respeitados, bem como o acompanhamento próximo de cada um dos assistidos. A saúde e o bem-estar dos cães é de extrema importância e para isso eles realizam visitas regulares aos seus veterinários, mantendo os exames e as vacinas em dia. Antes das atividades, os cães passam por uma higienização completa: tomam banho, os dentes são escovados e as unhas aparadas. Tudo é feito e preparado para que a visita seja uma experiência única e de muita alegria.
Patas em trabalho
Depois de um ano de treinamento contínuo, no dia 27 de agosto de 2014, a equipe do Super Patas fez sua primeira visita oficial ao Centro de Apoio Oncológico Luciano (Caol), entidade na qual continuam prestando terapia com os cães até hoje. Além do Caol, o Super Patas também desenvolve o seu trabalho na Aquarela Pró-Autista de Erechim e na Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (Adeve). Em 2016, a equipe também começou a trabalhar em conjunto com a equipe de voluntários dos Amigos da Alegria, que têm como missão levar sorrisos aos doentes e colorir corredores, salas e quartos das casas de saúde. Nestas ações, os cães se caracterizam de forma diferenciada para acompanhar os palhacinhos e interagirem com funcionários, pacientes e seus acompanhantes.
O que precisa para ser um cão terapeuta
Os voluntários do Super Patas esclareceram que a raça não é pré-requisito. “É importante salientar que para ser um cão terapeuta, não basta ele ser dócil em casa e conviver bem com a família. O cão precisa ter o temperamento específico para a função e apresentar características como ser calmo, ter alta tolerância ao toque e ser sociável tanto com pessoas desconhecidas, como com outros cães. Isto é de extrema importância pois caso contrário, os resultados podem ser muito negativos e estragar uma experiência tão especial e curadora que é o contato com o animal”, explicaram os voluntários.
Benefícios da terapia como cães
Dentre os benefícios, o pessoal do Super Patas destacou, melhorias na saúde física, psicológica e emocional, coordenação motora e desenvolvimento da memória dos assistidos. Também é comprovada a diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial, e a elevação da liberação dos hormônios relacionados ao prazer e ao bem-estar. Há diversos casos em que as terapias com a participação de animais podem ser utilizadas: idosos em lares de repouso; pessoas com deficiências mentais ou problemas de aprendizagem; pessoas hospitalizadas ou com problemas físicos; crianças e adultos com problemas de adaptação social; pessoas com problemas psicológicos.
Como as atividades são desenvolvidas
Exercícios de fonoaudiologia - as pessoas chamam os animais pelo nome, ajudando na dicção e estimulando os que possuem problemas de fala.
Tratamentos fisioterapêuticos - os pacientes acariciam, jogam a bola e penteiam os cães, o que ajuda nos movimentos de coordenação motora, ao mesmo tempo em que reduzem os riscos de problemas cardíacos, pois a pressão arterial diminui junto com o estresse.
Tratamentos psicológicos - as atividades com os animais diminuem a ansiedade e a dor. Dessa forma, até mesmo o uso de medicamentos diminui. Além disso, há casos comprovados na diminuição de sinais de depressão, pois o contato com os animais aumenta os níveis de endorfina.
Tratamentos respiratórios - o contato com os animais estimula a defesa das células e deixa o organismo mais tolerante a bactérias, diminuindo casos de alergias e diversos problemas respiratórios.
Atendimentos que tocam o coração
Durante os atendimentos, os voluntários destacaram momentos marcantes. “Nas primeiras sessões realizadas na Aquarela Pró-Autista de Erechim, encontramos crianças que não viam o cão como um ser vivo e outras que tinham medo de se aproximar. Com o andamento do trabalho, os pais relataram que o comportamento em casa mudou, e o tratamento com animais de estimação é totalmente diferente. Vivenciamos progressos incríveis. Hoje, durante as sessões, as crianças escovam os cães, abraçam, brincam e interagem de forma totalmente amorosa”, disseram.
“Na Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (Adeve) nos surpreendeu o depoimento da Jandira que nos disse que os cães transmitem paz e conforto. Segundo ela, parece que se esquece a deficiência e os problemas. Essa também é a sensação, quando visitamos o Centro de Apoio Oncológico Luciano (Caol), onde os residentes por um período esquecem a doença e mudam o foco, enquanto conversam, escovam e passeiam com os cães”, relataram.
“As reações, os depoimentos, o sorriso no rosto de cada assistido, isso não tem preço. É a maior recompensa que poderíamos ter ou querer. Tocar o coração das pessoas, fazer com que elas esqueçam as tristezas e as preocupações, nem que seja por apenas alguns minutos, é o que nos mostra que estamos no caminho certo. É muito especial ver a reação das pessoas quando os cães chegam. É um carinho que não tem igual. A maior recompensa de todo esforço e dedicação que este trabalho requer, é vermos um sorriso no rosto de cada assistido, quando faz carinho ou abraça o cão. Nosso dia se transforma”, declarou emocionada uma das voluntárias, Rosane Maria Cechet.