Coceira em excesso, vermelhidão que não some, lesão de pele são sinais que exigem cuidados especiais. Podem ser mais do que uma simples irritação na pele. Há, por parte dos proprietários, por vezes, uma grande preocupação em manter seu animalzinho bonito e perfumado, atentando apenas para a pelagem. Escovam para que o brilho se mantenha. Por vezes, o animal começa a se coçar repetidamente e a pessoa continua cuidando apenas do pelo, na ideia de que ali está o problema quando, na verdade, pode ser sintoma de alguma das doenças de pele em cães.
Muitas doenças dermatológicas de cães são tratadas diariamente nas clínicas sem grandes dificuldades. São determinadas, na maior parte das vezes, por alérgenos (substancias que podem induzir a uma reação de hipersensibilidade) que variam desde um ataque por ectoparasitas até as mais intrigantes sensibilidades individuais aos diferentes agentes químicos que podem fazer parte da composição de alimentos, desinfetantes e medicamentos em geral.
Segundo o médico veterinário, Alan Eduardo Bazzan, dentre as principais doenças de pele que acometem os cães, destacam-se as de origem alérgicas, infecções fúngicas e bacterianas e, atopias. Os problemas hormonais, como o hipertireoidismo e hiperadrenocorticismo são frequentemente relacionados a casos de doenças dermatológicas reincidias e de difícil tratamento. Ambos são diagnosticados com frequência e sua manifestação fica evidente pela presença de piodermites crônicas que alteram a cor da pele e, pela verificação de sobrepeso do animal.
O hipotireoidismo é uma doença de grande incidência em cães, porém pouco comum em gatos. Ela ocorre quando a glândula tireoide passa a não produzir a quantidade necessária de hormônio. A doença gera uma série de diferentes sintomas que podem muitas vezes ser confundidos com outras doenças. Suspeita-se de hipotireoidismo quando o animal apresenta sintomas de obesidade (mesmo com a ingestão de alimento na quantidade normal ou diminuída), ganho de peso excessivo e rápido, alopecia bilateral simétrica (queda de pelos) e problemas de pele, sendo a maioria desses sintomas em conjunto.
Já o hiperadrenocorticismo é uma endocrinopatia comumente diagnosticada em cães de meia idade e idosos. Caracteriza-se por uma série de alterações clínicas e laboratoriais decorrentes da produção excessiva do cortisol (hormônio sintetizado pelo córtex adrenal). Os sinais clínicos mais comuns do hiperadrenocorticismo incluem o aumento no consumo de água, aumento na frequência urinária, aumento do apetite, ganho de peso ou alteração na distribuição da gordura corporal, perda de pelo (bilateral e simétrica) ou fraqueza dos pelos (pelo fino, opaco e quebradiço), e problemas de pele secundários.
Devido à variedade de causas de problemas de pele, há diversos tratamentos que podem ser prescritos pelo Médico Veterinário. Alguns animais podem melhorar com o uso de anti-histamínicos e/ou esteroides, ou shampoos dermatológicos, enquanto outros precisarão antibióticos e/ou antifúngicos. Usar medicamentos, prescritos de acordo com as instruções do veterinário, é a atitude adequada pois, o uso de medicação de forma indiscriminada pode levar ao aparecimento de outras doenças secundárias, como é o caso de algumas endocrinopatias.
A alergia alimentar também é diagnosticada, rotineiramente, na clínica pet. Há, no entanto, um número grande de proprietários de animais que não sabe que os alimentos podem ser os causadores da coceira. Alegam que os animais sempre fizeram uso de determinada ração e não conseguem entender o porquê da necessidade de mudança dos hábitos alimentares. Mas, sim, os animais podem desenvolver alergia à uma substância ao longo do tempo.
Sendo assim, recomenda-se que, ao menor sinal de coceira em seu animalzinho, deve-se procurar o médico veterinário. A realização de exames imediatos e um tratamento adequado trazem a qualidade de vida que seu amiguinho merece.
Alan Eduardo Bazzan
Médico Veterinário/CRMV-RS 13419
Mestrando em Produção e Sanidade Animal
Marjorie Cadini
Assecom Centro Clínico Veterinário Bichos.cão