O Tribunal do Júri da Comarca de Erechim condenou na tarde desta segunda-feira (29) o réu acusado pela morte de uma mulher no ano de 2015. Andre Ronsoni, vulgo “Chalana” ou “Clarinho” (33), confessou a autoria do homicídio duplamente qualificado e foi considerado culpado pela morte de Loreni Nelzi Draier Wulff (50), alvejada por disparos de arma de fogo na chegada ao trabalho. A pena foi de 19 anos de reclusão no regime fechado.
O crime ocorreu no amanhecer do 02 de setembro de 2015 na Avenida Comandante Kraemer, em frente ao Hospital de Caridade, centro de Erechim e Ronsoni foi preso pela Polícia Civil no dia 16 de setembro
Em seu depoimento diante dos jurados, Andre Ronsoni alegou que matou a ex-sogra por esta ter influenciado a filha na decisão de romper o namoro e tê-lo humilhado na noite anterior ao crime. O réu disse ter ficado a noite toda bebendo e no fim da madrugada decidiu ir até o local onde Loreni trabalhava. O réu confessou que ficou aguardando a chegada da vítima por mais de uma hora.
A defesa foi realizada apelo defensor público Cláudio Luiz Covatti, de Caxias do Sul. A defesa requereu a impronúncia do réu, alegando a ausência de indícios de autoria. Também, requereu o afastamento das qualificadoras descritas na denúncia. Durante a instrução foram ouvidas dez testemunhas e interrogado o réu. Pela acusação atuou o promotor Gustavo Burgos de Oliveira.
Denúncia
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o denunciado dirigiu-se até o estacionamento do Hospital de Caridade a bordo do seu veículo GM/Kadett, estacionou o automóvel e lá aguardou pela chegada da Loreni. Com a chegada da vítima ao local, o réu desembarcou do veículo na posse de um revólver (não apreendido),foi ao encontro da mulher e desferiu, com vontade de matar, diversos disparos de arma de fogo na direção dela. Ao ser atingida, a vítima caiu na escadaria, tendo André continuado a efetuar disparos contra ela. Após executar a vítima com três tiros, o denunciado fugiu do local em seu veículo.
Segundo o promotor Gustavo, o crime foi cometido por motivo torpe, pois Ronsoni estaria inconformado com o término do relacionamento amoroso outrora mantido com a filha da vítima, e motivado pelo sentimento de vingança, “ceifou a vida da vítima, acreditando que esta apoiava a filha na decisão de terminar o relacionamento”, ponderou o promotor. O delito foi cometido, também, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, não lhe permitindo a adoção de qualquer gesto defensivo. A vítima era moradora do Bairro São Vicente de Paulo.
Julgamento
O julgamento teve inicio as 9h20 no Fórum de Erechim. O réu, que aguardou o julgamento preso, foi encaminhado pelos agentes da Susepe, até o plenário. Na plateia estava o viúvo e a filha da vítima, que aguardavam o curso do processo. Segundo a acusação, o réu já é “multirreincidente”, tendo contra ele outros quatro processos, entre eles tentativa de estupro, roubo, ameaça e porte de armas de fogo.
Em 2010, Ronsoni teria tentado estuprar a ex-companheira. No ano seguinte, em 2011, o acusado novamente foi acusado de agressão à outra namorada, em Viadutos.
No ano de 2013, a filha da Loreni registrou contra seu ex-companheiro uma ameaça de morte, mas não deu prosseguimento no processo. Em 2014, novamente a filha da vítima sofreu agressão e seus familiares foram ameaçados, inclusive crianças. Gislaine, que trabalhava no mesmo local que sua mãe, foi demitida após receber inúmeras ligações do réu, e suas colegas de trabalho vinham sofrendo com ameaças.
No ano de 2015, o acusado tentou matar a filha da vítima, atingindo ela com um disparo. Um mês depois da tentativa de homicídio, Ronsoni cumpriu sua promessa e executou Loreni, minutos antes de 7h, quando ela chegava ao trabalho. Após o ocorrido a família se mudou para Porto Alegre, por medo de represálias. Nas redes sociais o autor continuava a realizar diversas postagens com conteúdo de ameaça, além de debochar do crime que cometerá. O réu já teria outra companheira antes do crime.
O réu poderá recorrer da sentença, mas continuará recolhido ao Presídio Estadual de Erechim.