O que vem na sua mente quando o assunto é: pratos deliciosos? Para algumas pessoas isso é sinônimo de variedades, as quais incluem, muitas vezes, receitas calóricas. Ao mesmo tempo está presente a preocupação com a saúde e o bem-estar.
Diante desse cenário, a nutricionista Angela Dorigoni, salienta que é preciso buscar o equilíbrio nutricional dos cardápios. No entanto, ela diz que isso não é uma tarefa muito executada, considerando principalmente os hábitos culturais da região. “Quando nos referimos às cozinheiras de casa, percebemos que a preocupação vem juntamente com os problemas de saúde. Quem tem o hábito de cozinhar de maneira afetuosa, com mesa cheia, de chamar a família para uma refeição, é difícil mudar a postura dos pratos, exceto nos casos em que haja necessidade de encaminhamento para um médico ou nutricionista que vai reforçar a importância do controle da gordura, inclusão de fibras, enfim, de ter um regramento”, explica.
Conforme a nutricionista é um conceito de alimentação. Muitas pessoas têm o hábito de colocar os pratos à mesa e comer muitos tipos de carboidratos. Isso leva a comer em maior quantidade e de maneira não muito balanceada. O ideal seria um tipo de carboidrato, sendo um integral, além de um tipo de proteína, três tipos de saladas, sem esquecer as fibras. Desse modo, o processo saúde vai ser mais positivo com a mudança de postura”, orienta.
Na opinião de Angela, há cerca de 10 anos vem ocorrendo essa preocupação maior por parte da população, em observar o valor nutricional das refeições. Entre os fatores está o aumento de casos de triglicerídeos, altos índices de colesterol e diabetes. “Há problemas que podem ser revertidos ou controlados com a alimentação”, salienta.
Uma das preocupações do cotidiano é que em alguns casos, pessoas que atuam com gastronomia utilizam muita gordura na alimentação para deixar a comida com mais crocância, mas existem técnicas para isso sem utilizar tanto excesso.
Nos estabelecimentos comerciais aumenta esse compromisso em oferecer mais produtos saudáveis. “Existe uma lei que prevê que estabelecimentos que servem mais de 100 refeições ao dia, deveriam ter uma nutricionista. Isso mudaria a organização do cardápio, o valor nutricional de uma refeição para uma grande população, a higiene dos alimentos, a forma de preparo”, comenta Angela, citando que na área em que atua, são estudadas as técnicas de preparo para não haver perda de nutrientes, e são concedidas orientações sobre cozinhar no vapor, reaproveitar ou não a água após o cozimento, por exemplo.
Incentivo na infância
O processo, segundo Angela, deve iniciar cedo, inclusive nas escolas. “Já foram identificados problemas com a venda de alimentos em escolas, mas muitas já proibiram a comercialização de refrigerantes, salgadinhos, chocolates. Algumas optam por pasteis assados e não fritos. Nem todas as escolas têm nutricionista, mas na rede municipal tem e em algumas é feito até mesmo o reaproveitamento de nutrientes”, cita.
De acordo com a nutricionista, as crianças também devem ter acesso a comidas mais simples, tais como o arroz, o feijão, a carne. Tudo isso a aliado a temperos naturais, menos artificiais, evitando problemas como hipertensão ainda na infância.
“Seria interessante que os cozinheiros estimulassem boas práticas e as relacionassem à nutrição”, ressalta.