O assassino confesso da universitária Carla Bernardo Chagas, deverá ser ouvido na 2° Vara Criminal da Comarca de Erechim no mês de maio. Marcos de Lima Trindade (18) está preso desde o dia 7 de fevereiro, doze dias após o crime ocorrido na noite de 25 de janeiro na Rua Goiás, na região central de Erechim. Na audiência marcada para o dia 23 serão ouvidas as testemunhas arroladas na denúncia e poderá ocorrer o primeiro interrogatório do réu perante a Justiça. A investigação do caso que foi realizada pela Delegacia Especializada de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), teve seu inqueríto encaminhado ao Judiciário, dez dias após a prisão, que posteriormente solicitou o parecer do Ministério Público (MP), responsável por oferecer a denúncia contra Trindade.
No último despacho em 11 de abril, o juiz Antônio Carlos Ribeiro, que irá o julgar o caso, destacou que a denúncia do MP "narra a ocorrência de conduta criminosa. (...). Sendo que a materialidade delitiva está atestada pela certidão de óbito, pelas imagens e relatório de análise de imagens captadas, auto de apreensão, laudos periciais, auto de avaliação e testemunhos coletados na fase policial, os quais também apontam indícios de autoria em desfavor do denunciado", destaca.
Para que ocorra a primeira audiência, o magistrado também solicitou que a defesa de Trindade, seja realizada pelo defensor público, Leonardo Marcelo da Silva Darde. Procurado pela reportagem do Jornal Bom Dia, o defensor não foi encontrado. No documento de defesa apresentado nos autos do processo, Darde, destaca que o fato não ocorreu como foi apresentado na denúncia "isso será provado durante a fase de instrução do processo", destacou o defensor.
De acordo com assessoria da 2° Vara Execuções Criminais de Erechim, onde corre o processo, não existe uma previsão de sentença, apesar do réu estar preso. Em média um caso como este pode demorar até seis meses, devido ao número de audiências, laudos, perícias e testemunhas. Até o momento para este caso estão arroladas seis testemunhas, sendo duas na cidade de Passo Fundo, fato que pode impedir que Trindade seja ouvido pelo juiz, logo na primeira audiência.
No documento que indiciou o réu o promotor Daniel Barbosa Fernandes, solicitou a condenação pelo crime de roubo seguido de morte (latrocínio), em que a pena é de a reclusão de 20 a 30 anos. "O investigado relatou detalhadamente em seu depoimento com pormenores todo o caso, confessando o cometimento do crime", destacou o representante do MP na denúncia.
Em seu depoimento que conta no inquérito policial, Marcos de Lima Trindade, confessou que assassinou Carla para roubar o celular da jovem, que posteriormente seria trocado por drogas. De acordo com o inquérito o acusado declarou que havia usado crack, no Bairro São Cristóvão, e estava na frente de uma escola que fica próxima ao local do crime, quando a vítima, que já tinha visto algumas vezes naquele mesmo local se aproximou. Após dar uma volta, o réu retornou e começou a conversar com a jovem, convencendo a mesma a dar uma volta naquela região. Segundo o relato do réu confesso ao chegar na Rua Goiás o acusado pediu o telefone de Carla e diante da negativa da universitária, Trindade confirmou que desferiu pelo menos duas facadas no peito da vítima. Fugindo em direção ao Bairro São Vicente de Paulo, onde ficou escondido durante a noite. A arma e o celular teriam sido jogados em um riacho, localizado na Rua Sidney Guerra e não foram localizados pela Polícia Civil.