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Nova espécie de planta é encontrada na Amazônia

Espécie é da família burserácea e foi coletada em Rondônia

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A amostra coletada está no Herbário Rondoniensis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Por Assessoria de Imprensa
Foto Divulgação

Uma nova espécie de planta da família burserácea foi encontrada em Rondônia durante o trabalho de campo do Inventário Florestal Nacional (IFN), em 2015. A identificação, no entanto, foi feita no início deste mês pelo curador de Botânica Amazônica e diretor do Instituto de Sistemática Botânica do Jardim Botânico de Nova York, Douglas Daly.

Um dos maiores especialistas em botânica amazônica, Daly foi um dos participantes do workshop “Estratégias e Ferramentas para Identificação Botânica no âmbito do IFN”, promovido, no início do mês, pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em parceria com o Jardim Botânico de NY e Embrapa Amazônia Oriental.

Faz parte da família das burseráceas também, por exemplo, o breu branco, muito utilizado na indústria de perfumes pelo odor agradável de sua resina. A amostra coletada está no Herbário Rondoniensis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho, responsável por receber o material botânico coletado em Rondônia. O processo de identificação ainda está em andamento e levará um tempo até a nova espécie receber um nome, pois depende de confirmação da descoberta.

Novas técnicas de identificação

O workshop teve o objetivo de reunir os especialistas e profissionais envolvidos com a identificação botânica do Inventário Florestal para discutir novas técnicas de identificar as amostras coletadas. De acordo com o responsável por acompanhar a identificação botânica do IFN, Tiago Cruz, cerca de 80% do material coletado em campo é estéril, ou seja, estão sem frutos ou flores. E boa parte das técnicas atuais concentra-se, principalmente, em analisar esses elementos, que são órgãos reprodutores das plantas.

 “Pela ampla dimensão do levantamento feito pelo Inventário Florestal é impossível que as equipes de campo voltem para coletar as plantas quando estão floridas ou com frutos. A época de floração é muito distinta entre as espécies e há plantas que levam mais de 40 anos para florescer”, explica Cruz. “É fundamental que sejam aperfeiçoadas e desenvolvidas técnicas de identificação das plantas estéreis”, ressalta.

 Uma das técnicas apresentadas no evento foi a de arquitetura foliar, que faz a análise da estrutura das folhas, desenvolvida por Daly. No evento, houve também a troca de conhecimento sobre as famílias botânicas, já que o IFN possui consultores especializados em diversas famílias.

 Com tantos especialistas reunidos, foi realizado ainda um esforço concentrado, durante o evento, para identificar 200 amostras consideradas de difícil identificação coletadas em Rondônia, noroeste de Mato Grosso e leste do Pará. Além dessas, cerca de outras oito mil amostras paraenses foram classificadas até o nível do gênero, classificação anterior à da espécie.

Identificação botânica no IFN

Uma das atividades realizadas no Inventário Florestal, a identificação botânica está gerando informações detalhadas sobre a diversidade da flora brasileira. Até o momento, já foram coletadas em torno de 75 mil plantas em 15 estados e no Distrito Federal. Essas amostras estão sendo identificadas em 16 herbários espalhados pelo Brasil e mais de 100 profissionais estão ou estiveram envolvidos nesse processo.

 Além disso, o IFN também está fazendo uma estimativa da quantidade de cada uma delas, para avaliar as de maior e menor ocorrência. Com a realização sistemática do levantamento ao longo dos anos, será possível acompanhar a recuperação de espécies e a redução de outras. E também monitorar as espécies ameaçadas de extinção.

 Em vários estados, estão sendo encontrados novos registros de espécies para o respectivo estado. No estado de Sergipe, por exemplo, das 269 espécies identificadas, 66 são novos registros para o estado, ou seja, uma a cada quatro plantas coletadas.

 Em alguns estados, com flora menos conhecida, o IFN tem encontrado algumas espécies novas ou que são, pelo menos, indicativas de serem novas para a ciência, como é o caso do espécime da família burserácea encontrado em Rondônia.

“O Inventário Florestal Nacional é um exercício importantíssimo na história do país e da Amazônia porque é a primeira tentativa de estimar a diversidade, não somente em número, mas também de concentração e abundância de espécies”, elogia Douglas Daly.

 

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