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Ensino

Todas as atenções voltadas à educação do campo

Seminário internacional reúne participantes de cinco países em Erechim

Evento está acontecendo no Polo de Cultura
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Seminário internacional reúne participantes de cinco países em Erechim

Quase dois mil quilômetros percorridos durante dois dias de viagem. Esta foi a trajetória da estudante Poliana Souza de Oliveira até Erechim nesta semana. Ela veio de Tocantinópolis, no Estado do Tocantins, e está entre os mais de mil participantes da 3ª edição do Seminário Internacional de Educação do Campo (Sifedoc), que iniciou ontem (29), no Polo de Cultura, em Erechim.

O evento, que tem como tema “Resistência e Emancipação Social e Humana”, está realizando diversas abordagens com palestras, apresentações de pesquisas e grupos de estudo. O objetivo é promover a reflexão sobre as novas imposições aos trabalhadores, os desafios da educação no campo, as práticas educativas, entre outros assuntos, ligados à esta modalidade de ensino. O seminário segue com programação hoje (30) e amanhã (31) e conta com participantes de diversas partes do Brasil e também de outros países da América Latina, como México, Bolívia, Paraguai e Argentina. Paralelamente, está sendo realizado o 3º Fórum de Educação do Campo da Região Norte do Rio Grande do Sul.

No caso de Poliana, a participação no evento está ligada a sua formação. Estudante do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), a jovem veio acompanhada de outros 12 colegas a fim de conhecer melhor a realidade da área em que pretende atuar, além de fortalecer a luta por esta modalidade de ensino. “A gente acredita que a partir da junção de todos os cursos de educação do campo, tanto do Norte quanto do Sul podemos fortalecer nossa luta e aprimorar nossas práticas. O que trazemos de lá e o que levaremos daqui é uma troca de experiências da qual todos saem ganhando”, pontuou.

Um dos coordenadores do evento, o professor Denilson da Silva destaca que o seminário tem um papel não apenas acadêmico, mas também de cunho social e político. “Aqui estão sendo abordados temas relacionados à formulação de políticas públicas voltadas para a educação do campo e, da mesma forma, discussões em torno de maneiras de promover a dignidade das comunidades camponesas, que vivenciam diretamente estas questões. Toda essa discussão e mobilização protagonizada por diversas representações sociais se configura como uma forma de resistência e luta por esta modalidade de ensino”, pontuou.

Representatividade na abertura do evento

A abertura do Sifedoc na manhã de ontem contou com diversas apresentações artísticas e culturais protagonizadas especialmente por integrantes de movimentos sociais ligados à Educação do Campo. A conferência inicial do evento abordou os desafios da classe trabalhadora, no âmbito do atual momento da América Latina. O primeiro a falar foi o representante dos povos indígenas, Mateus Vitorino, que salientou a representatividade de seu povo não apenas no evento, mas também enquanto grupo protagonista do ensino.

Em sua fala ele destacou o desafio do povo indígena no que se refere ao acesso à universidade e à sua permanência. Entre outros aspectos, citou o preconceito com os povos indígenas que ainda precisa ser superado, para que estes possam se inserir no sistema político e social. Manifestaram-se ainda a representante da Via Campesina, Laís Tonato, além de representantes da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Sul) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

À tarde o evento seguiu com comunicações coordenadas por eixo de trabalho e no fim do dia foi realizado um ato político em defesa da educação pública. À noite teve início a 2ª edição da Conferência de Ensino, Pesquisa e Extensão (Coepe) da UFFS e atividades culturais, além da abertura da feira “Agroecologia, Saberes, Sabores e Cultura Camponesa”.

A programação tem sequência hoje (30) e amanhã (31). São promotores do seminário: Universidade Federal da Fronteira SL (UFFS), Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (Feab); Universidade Estadual do RS (Uergs), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Movimento dos Atingidos por Barragens, Via Campesina, Universidade Federal do RS (UFRGS), Unipampa, Universidade Federal de Santa Maria, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Sindicato e Federação dos Trabalhadores da Agricultura Federal (Fetraf/Sutraf), Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Instituto Educar de Pontão e Instituto de Educação Josué de Castro, com apoio da ACCIE e Cresol.

“União como forma de resistência”

Para os pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Welliton Souza e Michele Silva, eventos como o Sifedoc fortalecem a luta em torno da educação do campo, principalmente por unirem diferentes representações envolvidas com o tema. “Viemos dos movimentos sociais, somos educadores do campo e pesquisadores. Na atual conjuntura política, econômica e social, esta mobilização envolvendo movimentos sociais, pesquisadores e instituições mostra que há uma resistência, uma luta diante do descaso do poder público com a educação de modo geral, e em especial a do campo”, pontua Welliton.

Ambos viajaram mais de 1,3 mil quilômetros para participar do evento também com o objetivo de aproximar práticas educativas, já que atuam em escolas de educação do campo. “Temos em Minas Gerais um grupo de pesquisas intitulado “Trabalho, Movimentos Sociais e Educação do Campo (Trame), no qual desenvolvemos capacitações de professores em toda a região, inclusive junto às comunidades quilombolas e assentamentos do MST. Viemos para o Sifedoc para somar com nossas experiências e também levar um pouco do aprendizado de como a luta se dá aqui no sul e, assim, nos fortalecermos juntos”, completou.

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