Dia Internacional da Síndrome de Down busca celebrar a vida e disseminar informações para promover a inclusão
Era metade da manhã de ontem (20) quando a reportagem entrou em contato com a aposentada Darlei Szmais: “Alô, bom dia. A senhora é mãe do Thomaz?” Um longo e animado “sim” do outro lado da linha já demonstrava sinais do quão orgulhosa ela é pelo filho, a quem ela logo nas primeiras palavras do telefonema já chamou de “querido e amado”. Convite aceito para uma entrevista, pouco antes das 15h da segunda-feira eles nos recebiam em sua casa. A timidez inicial do jovem de 32 anos logo foi substituída pela animação e simpatia em nos receber.
Moradores do bairro Presidente Vargas, em Erechim, Thomaz Szmais e sua mãe são bastante conhecidos por aquelas redondezas, principalmente pelo envolvimento com as questões relacionadas à igreja. “Ainda bem que você ligou pela manhã, assim consegui segurar o Thomaz em casa, se não ele já estaria por aí passeando nos vizinhos e amigos, não é filho?”, comentou ela recebendo um aceno positivo dele, que ainda estava receoso em conversar. Minutos depois, porém, ele soltou-se e passou a relatar sua rotina.
Desde o futebol tradicional das quartas-feiras na TV, aos passeios diários pelos vizinhos e amigos do bairro, Thomaz tem uma vida normal. Semanalmente frequenta o Centro Ocupacional Albano Frey, costuma viajar para pescar com o amigo Vitor – que o adotou como “filho”, depois da morte de seu pai, ainda na infância – e adora jogar futebol no salão da comunidade. Gremista de coração, não esconde o amor pelo time e pelo esporte, já que nos recebe vestido com uma camiseta de time. “Por aqui todo mundo me conhece, estou sempre passeando, conversando com os amigos. Eu gosto daqui”, destaca ele.
Thomaz tem síndrome de Down, uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21, por isso também conhecida comotrissomia 21. Sua condição, porém, nunca lhe impediu de nada. “Ele vive normalmente, é meu grande parceiro, amigo e companheiro. Conversa com todos, tem seus amigos, gosta de desenhar, ouvir música, assistir futebol”, relata a mãe, ao reforçar os mesmos aspectos que a Fundação Síndrome de Down (FSDown) defende: “a síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição da pessoa associada a algumas questões que afetam o desenvolvimento do indivíduo, determinando algumas características físicas e cognitivas”.
Data de reflexão
O caso do Thomaz é um exemplo do que representa a data de hoje – 21 de março – quando se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down. “O objetivo do dia é celebrar a vida das pessoas com síndrome de Down e disseminar informações para promover a inclusão de todos na sociedade”, esclarece o Movimento Down, iniciativa que busca, por meio de conteúdos diversificados, ajudar famílias, profissionais e o público em geral a combater preconceitos e a buscar condições efetivas de inclusão.
A data escolhida representa a singularidade da triplicação (trissomia) do cromossomo 21 que causa esta ocorrência genética. Se hoje as discussões acerca da síndrome contribuem para a inclusão, vale lembrar que nem sempre foi assim. Darlei recorda do dia do nascimento do filho e da maneira como descobriu sua condição. “Hoje se tem como saber da síndrome antes de a criança nascer, mas naquela época não. Eu lembro que assim que ele nasceu eu percebi uma reação estranha dos enfermeiros ao olhá-lo. Só depois, já no quarto, o médico me explicou do que se tratava. Fiquei preocupada no início, até entender direito”, relata.
Um presente de Deus
Antes de Thomaz, Darlei já tinha outros três filhos. O caçula veio ao mundo quando ela já tinha 37 anos. As diferenças do filho, porém, nunca foram mal vistas por ela. “Lembro até hoje que o médico me explicou sobre a condição e sobre como eu deveria proceder. Ele disse que o Thomaz não me daria trabalho, apenas amor. Que eu poderia buscar ajuda com as escolas especiais e foi isso que fiz. Nunca o tratei como inferior, pelo contrário, sempre o estimulei no que pude. Hoje olho para ele, com toda sua inocência, amizade e carisma e vejo que ele foi, na verdade um presente de Deus”, completa ela, ao ressaltar que o exemplo do filho a ajudou a encorajar outras mães.
Bastante querido pela vizinhança, Thomaz diz nunca ter sentido preconceito. Empolgado, mostrou à reportagem as inúmeras fotos com amigos e colegas dos vários cursos que já realizou em iniciativas de inclusão. “Eu sou assim, as pessoas gostam de mim assim. Eu gosto de viver do meu jeito”, pondera ele, orgulhoso das amizades e do carinho que costuma receber.
