Ao final dos primeiros 45 minutos, o cenário no Colosso da Lagoa era o pior possível: o Ypiranga perdia para o Novo Hamburgo por 1 a 0 e repetia a sina de criar oportunidades e desperdiçá-las. Perguntado se a equipe conseguiria reverter a complicada situação tanto no jogo quanto no campeonato, o técnico Guilherme Macuglia falou pouco, mas com objetividade: "vai dar, vai dar". E deu. Com uma atuação intensa na segunda etapa, o Canarinho buscou uma virada que parecia improvável sobre o líder do Gauchão e, mais importante, volta a respirar na competição. Na próxima quarta-feira (22), Macuglia e seus comandados terão uma parada duríssima pela frente na luta para escapar de vez do rebaixamento, quando enfrentarão o Internacional, mais uma vez no Colosso.
Recebido com hostilidade pela torcida da casa, o Novo Hamburgo - em especial o ex-Ypiranga João Paulo - mostrou suas armas logo no início. A equipe do Vale dos Sinos começou melhor, empurrando o Canarinho para seu campo de defesa. Tanto insistiu, que aos 12 minutos o gol saiu. João Paulo, pela esquerda, achou Branquinho livre de marcação para chutar alto e tirar do lance o goleiro Carlão. Nóia 1 a 0. O placar adverso não desmotivou o clube erechinense - pelo contário. Embora tenha demonstrado nervosismo na hora da conclusão, o Ypiranga passou a ficar mais com a bola e criar as melhores oportunidades. Em uma delas, Talles acertou o travessão.
No início do segundo tempo, um lance impressionante: o atacante Franc, livre de marcação e frente a frente com o goleiro Mateus, não alcançou a bola. A jogada poderia desestabilizar o time, mas não foi o que aconteceu. Aos 11, o zagueiro do Novo Hamburgo Léo Carioca subiu para afastar de cabeça, mas acertou contra a própria meta. Gol contra e empate canarinho, para delírio da torcida que compareceu em bom número ao Colosso da Lagoa. Apenas dois minutos depois, Maycon se aproximava com perigo do gol até receber um tranco de Renan dentro da área. O árbitro Leandro Vuaden não teve dúvida: pênalti para o Ypiranga, convertido por Talles e bastante festejado por todo o grupo e comissão técnica.
Na base da raça e da vontade, o Canarinho manteve o controle do jogo até o apito final. O líder até tentou furar a forte marcação do Ypiranga, mas sem sucesso. A tarde teria que ser verde e amarela no Colosso.