Carência de efetivo policial afeta comunidade escolar na periferia da cidade
O retorno às aulas acentuou o problema da insegurança em alguns bairros de Erechim. A falta de efetivo policial obriga alunos, professores, servidores e até mesmo familiares de estudantes ao convívio diário com o medo que ronda escolas e unidades de saúde. O problema será levado ao secretário estadual de Segurança Pública, Cézar Schirmer, por meio do deputado estadual Juliano Roso (PCdoB), que na última segunda-feira (13) cumpriu agenda no município para acolher a demanda apresentada pela vereadora Sandra Picoli, que antes foi acionada por moradores e diretores de escola que demonstram preocupação com o avanço da violência que cresce na periferia da cidade.
No conglomerado formado pelos bairros Progresso, Cristo Rei, Petit Village, Estevão Carraro, Aurora, Social I, Social II, Colina, Poleto e São José moram mais de 20 mil pessoas, aproximadamente 20% de toda a população fixa do município. Enquanto a grande maioria se dedica ao trabalho, alguns usuários de drogas, traficantes e criminosos se refugiam em ambientes públicos e privados para atrapalhar o desenvolvimento social e econômico das referidas comunidades. Até a rixa entre famílias influencia na oferta dos serviços de saúde e educação. De acordo com a vereadora Sandra Regina Picoli, a situação fica ainda mais preocupante no turno da noite. "Muitos destes lugares são cercados por delinquentes que aguardam a saída das pessoas de bem, para praticar crimes ou até mesmo para provocar enfrentamentos com desavenças. No meio desta confusão fica a população que precisa de mais segurança", ressalta.
Segundo a parlamentar a insegurança nos bairros está ligada diretamente ao baixo efetivo policial, problema enfrentado diretamente pela Brigada Militar (BM). "Sabemos que nos últimos anos esta instituição perdeu muitos servidores, mas é importante que o Estado se mobilize e preencha estas vagas para reestabelecer a ordem e a segurança necessária. Enquanto isso não acontece, estamos buscando alternativas em reuniões com a comunidade e outros órgãos. Inicialmente estamos juntando ofícios das escolas e associações para depois apresentar ao comando da BM. Caso não resolva, vamos protocolar conjuntamente com o deputado Juliano Rosso, um pedido de reforço no efetivo a Secretária de Segurança do Estado", destaca Sandra.
Para o presidente do Bairro São José, Alcides Dartora, a presença efetiva da Brigada Militar poderia transformar a realidade da comunidade. "Ter segurança aqui é muito importante. A Brigada Militar faz sua parte e seguidamente as guarnições passam, mas ter policiais dentro do bairro fariam uma grande diferença", pontua o líder comunitário que há 20 anos mora no bairro.
Violência no ambiente escolar
Para evitar que a violência chegue ao ambiente escolar as direções dos educandários onde estudam mais de mil alunos, adotaram medidas preventivas. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom Pedro II, que atende crianças a partir dos sete anos, até adolescentes com 15 anos, a direção proibiu a entrada de adultos no pátio escolar após uma série de crimes ocorrida na região nos últimos meses. Outra medida para conter a violência foi a instalação de câmeras de segurança nos corredores, refeitório e no ginásio de esportes. "Registramos algumas invasões no ano passado, mas não temos registros de furtos ou roubos aqui dentro", comentou uma das professoras.
Segundo alguns pais o local tinha se tornando o ponto de encontro de famílias rivais, que iniciavam brigas dentro e fora do ambiente escolar. "Alguns ainda continuam nas esquinas aguardando a oportunidade para ameaçar pessoas, mas hoje o ambiente está mais tranquilo", comentou um pai que levou o filho até a escola ta tarde de ontem (14).
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cristo Rei (CAIC) a realidade é um pouco diferente. O educandário que tem mais de 20 anos e atende mais de 460 crianças de zero a 15 anos em turno integral, sofre diariamente com invasões de usuários de drogas. Segundo a diretora Carla Talgatti, apenas no ano passado foram registrados mais de 15 boletins de ocorrência. "São casos que vão de ameaças até furtos de alimentos ou fios de energia, geralmente praticados por usuários de drogas", destaca. Carla explica ainda que as desavenças criadas por adultos fora da escola, chegam com as crianças no ambiente escolar. "Temos feito um trabalho para que nossos alunos fiquem menos tempo na rua. O objetivo é envolver atividades internas, com isso, temos nos últimos meses uma queda de brigas entre alunos e avanços significativos na participação de projetos", explicou a diretora, que aponta como solução definitiva a construção de um muro ao redor da escola. "Hoje temos apenas cercas que foram violadas por essas pessoas que ocupam e destroem áreas da escola. Acredito que se esta obra fosse feita, pelo menos a sensação de insegurança seria menor", finaliza.
Brigada Militar
Para proteger as escolas de Erechim a Brigada Militar desenvolvendo há mais dez anos o projeto com Corpo Voluntário de Militares Inativos (CVMI). Os policiais da reserva reforçam a segurança na entrada e saída dos estudantes nas escolas. De acordo com o primeiro tenente, Lorival Ribeiro da Silva, atualmente são cinco oficiais que se revezam em dez escolas, quatro delas na região central de Erechim. "Esses oficiais cuidam basicamente do trânsito, além de prestar uma segurança mais básica à comunidade", pontua.
O tenente destaca que no caso das escolas que abrangem a regiões mais violentas, uma viatura realiza o policiamento ostensivo e móvel, diariamente. "Hoje existe uma solicitação de mais de 500 oficiais em todo o Estado e a prioridade segue sendo a região Metropolitana. Mas como temos inscritos aqui em Erechim, assim que recebermos as nomeações, estas escolas serão as primeiras a receber o serviço destes policiais do CVMI", ressalta.
Guarda armada
Além das escolas públicas o Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), localizado no Bairro Progresso, também precisou reforçar a segurança. Após várias invasões de vândalos e também usuários de drogas, a prefeitura de Erechim adotou o sistema de guarda armada para o local. De acordo com a direção do projeto o número de registros diminuiu, sendo o último em janeiro deste ano. "Apenas seria bom se tivesse um guarda no posto de saúde e outro aqui. Hoje existe apenas um que faz o patrulhamento nos dois locais, deixando sempre um desprotegido, o mesmo ocorre no período da noite", destaca um dos funcionários.