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Dall'Astra: "minha saída foi para modernizar o futebol"

Ex-treinador comenta a má fase do Ypiranga e fala sobre sua saída do clube erechinense

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Leocir permaneceu no comando técnico do Ypiranga entre 2012 e 2016
Por Giulianno Olivar - giulianno@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski/Arquivo

Uma das maiores certezas no futebol brasileiro é a de que treinadores vivem de resultado. Como consequência dessa cultura, o comando técnico da maioria das equipes nacionais muda com frequência, o que algumas vezes acaba sendo prejudicial para a continuidade de um time, mas outras tantas pode ser o fato novo que o grupo necessitava para deslanchar - vide a dupla Gre-Nal em 2016: Renato Portaluppi substituiu Roger Machado no decorrer da temporada, o Grêmio se reencontrou e buscou o título da Copa do Brasil. O Inter, por sua vez, teve quatro treinadores no ano, e nenhum foi capaz de evitar o rebaixamento para a Série B.

Recentemente, o Ypiranga passou por uma situação bastante peculiar, digna do futebol europeu, onde técnicos resistem a momentos ruins e permanecem nos clubes por um bom tempo. De 2012 a 2016, o clube erechinense teve em sua casamata Leocir Dall'Astra, treinador que passou por um rebaixamento no Campeonato Gaúcho já em sua primeira temporada, mas que deu a volta por cima com uma sequência de resultados expressivos que deram ao Canarinho visibilidade nacional como há décadas não acontecia. Nas cinco temporadas sob a batuta de Dall'Astra, o Ypiranga retornou à Série A do estadual, garantiu vaga na Série D do Brasileirão, subiu para a Série C, quase avançou à Série B e fez sua melhor campanha na Copa do Brasil, parando na terceira fase, diante do poderoso Fluminense.
Com tanto tempo de Colosso da Lagoa, não é exagero dizer que Dall'Astra é um dos personagens mais destacados da rica história do Ypiranga. Querido por boa parte da torcida canarinho, o treinador - hoje no Treze da Paraíba - conversou com o jornal Bom Dia sobre o momento difícil pelo qual passa o clube, sua trajetória em Erechim e a saída em setembro do ano passado.

Jornal Bom Dia - Tens acompanhado a temporada do Ypiranga, Leocir?
Leocir Dall'Astra - Tenho acompanhado todas as equipes. Acho que a gente que está envolvida no futebol não pode deixar de acompanhar, não podemos estar alheios ao que se passa no futebol brasileiro. Continuo acompanhando o Ypiranga, assisti os jogos contra o Grêmio e contra o Brasil de Pelotas. O time estava bem postado, bem organizado, mas leva muito gol de bola aérea. E perdeu a característica que tínhamos para dar espaço a tal modernização.

Bom Dia - A tua saída se deu em função disso?
Dall'Astra - A minha saída foi para modernizar o futebol. [Os diretores que assumiram o clube no ano passado] Pensavam que eu era ultrapassado, que tudo o que conquistamos foi na base da sorte. Não sei se quem conquista o que conquistamos é ultrapassado. Mas, pelas entrevistas dos diretores, o time está bem agora. Aparentemente está tudo como eles queriam, mesmo com quatro derrotas seguidas no Gauchão. Mesmo com nossas limitações e com as dificuldades internas que a comissão técnica enfrentou na última temporada, nunca passamos por uma situação como essa de agora.

Bom Dia - No teu entender, o Ypiranga precisava realmente dessa mudança no futebol?
Dall'Astra - Foi a avaliação da nova diretoria. Achavam que tinham que trazer outro cara, o time tinha que ser mais técnico, mais moderno, mais profissional. Pelo jeito, não éramos profissionais. Eles profissionalizaram o futebol. Conquistamos pontos suficientes na Copinha para garantir o time da Copa do Brasil deste ano. Quatro jogos e quatro vitórias. Era amador, agora profissionalizou. É fácil falar, é uma palavra bonita. Sou profissional desde que me entendo por gente.

Bom Dia - Esse tipo de mudança de uma temporada para outra dá resultado?
Dall'Astra - Talvez demore, é preciso paciência. Demorei um ano para implementar o que acreditávamos. E depois, se você não conquistar resultados, você não fez a coisa certa. Tem que fazer acontecer. Acho que meu mérito é que eu mantinha o que achava que era bom. E tivemos tempo de analisar o que era o ideal para o clube.

Bom Dia - Como fazer a torcida entender essa sequência de maus resultados?
Dall'Astra - A torcida não pode deixar de apoiar nunca. As pessoas passam, mas o clube fica. O mais importante é o clube, que temos que carregar no peito e sempre respeitar, apesar das pessoas que às vezes estão no comando.

Bom Dia - É bom ainda ser lembrado pelos torcedores?
Dall'Astra - É, sim. Me deixa muito feliz, muito contente. Por que sei que quem pode valorizar o que fizemos é o torcedor.

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