O uniforme era novo. O técnico era novo. O resultado, não. Na última sexta-feira (17), o martírio do Ypiranga na temporada teve mais um dolorido capítulo: na estreia do técnico Guilherme Macuglia, o Canarinho foi a Pelotas enfrentar o Brasil disposto a encerrar a sequência de resultados negativos pelo Campeonato Gaúcho. O que se viu no Estádio Bento Freitas, no entanto, foi a mesma história que tem aterrorizado o torcedor do clube erechinense até aqui. Não foi apenas mais uma derrota - foi mais uma derrota com gol de bola aérea, com nenhuma efetividade do ataque e com abatimento dos jogadores em campo: 2 a 0 para o Brasil de Pelotas. Com o mais novo revés, o Ypiranga afunda na lanterna e começa a ver que sua briga no estadual será para evitar o rebaixamento.
O primeiro tempo começou com um susto para a torcida canarinho: logo aos 10 segundos, Jackson precisou ser atendido após um forte choque com Rennan, mas voltou ao jogo sem qualquer problema. Como se esperava, em virtude da situação ruim das duas equipes na tabela, Brasil e Ypiranga iniciaram a partida buscando o ataque. Por consequência, a bola ficou presa no meio durante boa parte da primeira etapa, com muitas faltas cometidas por ambos os lados.
Não demorou muito e o time erechinense começou a chegar com mais perigo. Aos 17 minutos, Araújo arriscou de fora da área, mas a bola passou longe do gol de Eduardo Martini. O grito de gol quase saiu da garganta do torcedor do Ypiranga aos 22: Maycon sofreu falta e Kaio Wilker cobrou bem, deslocando o goleiro adversário, e por muito pouco a bola não entrou. Dois minutos depois, mais uma finalização perigosa. Michel recebeu cruzamento primoroso de Maycon, e, da marca do pênalti, chutou por cima. Visivelmente nervoso devido ao jejum de gols, o atacante Michel era orientado o tempo todo pelo treinador Macuglia, mas não conseguia se mostrar efetivo na frente.
Bola aérea volta a aterrorizar o Ypiranga
O Canarinho vinha melhor no jogo - tanto defensiva quanto ofensivamente - e dava indícios de que desta vez a história seria diferente. Ledo engano. A defesa voltou a ser vazada, e o pior: novamente por cima. Aos 32, Marlon levantou na área e o sempre eficiente Gustavo Papa cabeceou sem chances para Carlão. 1 a 0 Brasil de Pelotas. O gol mexeu com os brios tanto do time quanto da torcida pelotense, e o Ypiranga passou a acumular faltas.
Segundo tempo morno e castigo no fim
Tal qual foram os primeiros minutos da etapa inicial, o segundo tempo começou bastante disputado, com as duas equipes disputando a bola com muita vontade. O Ypiranga voltou do vestiário com mudança: Macuglia sacou um pressionado Michel para dar lugar a Gustavo Ramos, mas a reação não aconteceu. Com a vantagem no placar, o Brasil tentava manter a bola, mas a partida ficou morna. A melhor chance por pouco não virou um golaço: aos 23, Sciola pegou sobra da defesa canarinho e disparou um petardo de primeira, e a bola passou à direita da meta de Carlão.
Aos 31, um lance parecido, mas a favor da equipe erechinense. Diego Torres, em sua primeira participação efetiva logo após entrar no jogo, chutou com veneno contra o gol, obrigando Eduardo Martini a defender em dois tempos. Satisfeito com a magra - mas importantíssima - vitória, o time de Rogério Zimmermann manteve o controle da partida, mas quase foi surpreendido aos 42, quando Kaio Wilker acertou boa cabeçada, obrigando Martini a fazer grande intervenção.
Os dois jogadores que entraram no segundo tempo acabaram sacramentanto a vitória do Brasil no apagar das luzes. Já sem forças para buscar o empate, o Ypiranga sofreu o golpe de misericórdia aos 48 minutos. Jean Silva recebeu de Galhardo, se antecipou à marcação canarinho e empurrou para as redes para sacramentar a quarta derrota do time de Erechim em quatro jogos disputados.