Não é exagero tratar o jogo de hoje à noite como uma decisão. Ypiranga e Brasil de Pelotas chegam à quarta rodada do Gauchão ocupando as duas vagas da zona de rebaixamento, pressionados e cientes de que quem sair de campo derrotado terá um caminho sombrio pela frente na competição. A partida - de grande potencial dramático - será às 21h30, no Estádio Bento Freitas, casa do adversário.
A partida em Pelotas marcará a estreia do treinador Guilherme Macuglia à frente do comando técnico do Canarinho, após a saída de Carlos Moraes, demitido em decorrência da sequência de derrotas neste início de temporada. Ainda que reconheça a importância da partida para o futuro do Ypiranga na tabela, Macuglia prefere não encarar o confronto como um jogo de vida ou morte. Ele, no entanto, avisa: o time tem que ir para cima e buscar o resultado positivo. "Não levar gols é fundamental num jogo como esse. É claro que temos que nos preocupar também em procurar a vitória, mas o equilíbrio da equipe é o mais importante", afirma o treinador.
Três homens na frente
Macuglia gosta de ressaltar que o momento pede simplicidade por parte da comissão técnica: "Não é hora de inventar". No treino realizado na última quarta-feira (15) no Colosso da Lagoa, o Ypiranga foi escalado com Carlão; Márcio, Negretti, Tairone e Renan; Jacson, Araújo e Kaio Wilker; Éder, Maycon e Michel. "Sempre fui adepto do 4-3-3 com algumas variações dentro do jogo", justifica Macuglia, destacando que espera uma boa compactação do time a fim ajudar a sanar os maiores problemas até o momento: o excesso de gols sofridos e a carência no ataque. "O futebol moderno exige que todos se doem para a marcação, e precisa ter uma intensidade muito grande, compactar melhor tanto ofensiva quanto defensivamente". O técnico assegura, contudo, que sua equipe não fará loucuras para sair do Bento Freitas com a vitória. "Eles precisam do resultado, mas ele não vai acontecer de uma forma doida, com zagueiro abandonando a defesa, laterais indo ao mesmo tempo... Tem que ser tudo dentro do equilíbrio que exige o futebol. Não pode se desesperar, por que aí afunda cada vez mais", reflete.
Carlão garante grupo fechado
Um dos atletas com maior prestígio entre os torcedores do Ypiranga, o goleiro Carlão voltará ao time titular após uma rápida passagem pelo banco de reservas - na derrota por 1 a 0 para o Juventude. Consciente do momento difícil do clube erechinense, o camisa 1 vê o empenho como única solução possível para mudar o cenário. "É pelo trabalho, não tem outra. O momento é complicado e é a gente quem pode dar a volta por cima e melhorar a situação", decreta o goleiro, que afirma acreditar na união de seus companheiros para tirar o Canarinho da lanterna. "O grupo tá fechado, e todos estão com o mesmo pensamento de sair dessa. Todos querem ajudar, o que a gente puder fazer, a gente vai fazer".
Jogar contra o Brasil em Pelotas nunca é tarefa das mais tranquilas. Carlão sabe dessa dificuldade, e, justamente por isso, diz que sairá contente de campo independentemente do desempenho da equipe - desde que o placar seja favorável ao Ypiranga. "É um jogo difícil, na casa deles, mas a gente acredita que pode fazer um grande jogo. E se não for fazer um grande jogo, que pelo menos consigamos um grande resultado, que hoje é o que mais importa para a gente", projeta o goleiro.
Cuidado com o "abençoado" Papa
Se a campanha do Brasil está longe de ser considerada boa (um empate e duas derrotas), pela Primeira Liga a equipe de Rogério Zimmermann vem de um bom resultado que pode servir de motivação para enfrentar o Ypiranga. O Xavante fez 2 a 1 no Criciúma, com os dois gols anotados por um velho conhecido do torcedor gaúcho, o atacante Gustavo Papa. O experiente jogador de 37 anos deve começar a partida desta sexta-feira, e exige cuidado redobrado da defesa canarinho: alto, Papa é eficiente na bola aérea, justamente o fundamento defensivo que tem preocupado o time erechinense - dos sete gols sofridos no ano, cinco foram a partir desse fundamento.