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Projeto ambicioso para a Estação Férrea

Artista plástica Maria Paula Giacomini apresenta ideia para revitalização do local e criação de espaço multiuso

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Marco zero da colonização de Erechim, Estação Férrea sofre com o descaso
Por Giulianno Olivar - giulianno@jornalbomdia.com.br
Foto Giulianno Olivar

Na última sexta-feira (10), o Jornal Bom Dia noticiou com exclusividade uma boa nova para a população erechinense: após décadas como propriedade de empresas privadas, a Estação Férrea de Erechim voltará a pertencer ao município, em virtude de um termo de cessão de uso concedido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em janeiro. Com isso, o prédio, que apresenta diversos problemas estruturais e situação de quase abandono, poderá passar pela tão esperada revitalização, idealizada há anos, mas que jamais saiu do papel justamente devido a não ser de responsabilidade da prefeitura.

Nesta semana, o presidente em exercício da Câmara de Vereadores de Erechim, Rafael Ayub (PMDB) se reuniu com a artista plástica local Maria Paula Giacomini, que lhe apresentou um projeto para revitalização do local, considerado o marco zero da colonização municipal. Ela explica que durante muito tempo pensou em um espaço para exposições artísticas em Erechim, e que sua filha, a acadêmica de Arquitetura e Urbanismo da PUC Luciana Giacomini Tacca, se dispôs a projetar algo nesse âmbito. "A cidade precisa de um espaço expositivo, mas que tenha também atividades culturais múltiplas", avalia Maria Paula, ressaltando que a opção pela Estação Férrea se deu a partir de uma visita ao local que a deixou preocupada. "Observamos piso e estrutura do teto, nos relataram que não tinha luz, nem água, nem banheiro, e havia um forte cheiro de urina", conta.
Decepcionada com o estado decadente em que se encontra um dos locais mais importantes da história de Erechim, a artista plástica resolveu arregaçar as mangas. A partir de relatos dos grupos culturais que ocupam salas no histórico prédio, ela e sua filha começaram a bolar o projeto e mobilizar a comunidade através de redes sociais. "Postei a minha indignação dada a estes artistas que trabalham de graça para manter viva a cultura de um povo", enfatiza Maria Paula.

Projeto imponente
    
A ideia do Centro Cultural Multiuso é grandiosa. Trata-se, na verdade, de um projeto de revitalização não apenas do prédio, mas de toda uma extensa área que abrangeria também o terminal de ônibus, que, de acordo com o plano, receberia uma ampla cobertura. Nas salas frontais, Maria Paula sugere a instalação de um restaurante capaz de atender à grande demanda de festas folclóricas e culturais do município. A locação de salas para bares e lojas também faz parte do projeto, e seria uma fonte de renda para ajudar a manter o espaço.
Os artistas de Erechim, naturalmente, seriam bastante beneficiados com o Centro Cultural Multiuso. "Seria importante um espaço expositivo para os 220 artistas inscritos no Conselho de Cultura e também para outros não inscritos. Eles poderiam expor e vender, o que complementaria a renda de muitas famílias", explica a idealizadora do projeto, frisando a necessidade da implantação de ateliês gratuitos para quem tiver interesse em aprender artesanato, pintura, dança e música, entre outras artes.
Atrair a população para a região da Estação Férrea é outro desafio previsto por Maria Paula. Nos fundos do prédio, é notória a frequente presença de usuários de drogas, o que também acaba afastando eventuais visitantes do local. "O problema social do entorno continuaria sem uma ação em toda a região. Seria um desperdício não termos pessoas lá e acabar transformando o local em um depósito de material artístico. Só trocar telhas e pintar é colocar dinheiro no lixo", acredita Maria Paula, que vê na arte um agente de inclusão social. "Precisamos da diversidade de atividades, diversidade de pessoas que podem usar esse espaço, que seria para todas as idades e classes sociais. Um espaço que valorize a cultura e a arte em todas suas vertentes e manifestações. Arte é para todos", enfatiza a artista.

Vereador gostou da ideia

Embora não tenha como garantir a execução do projeto do Centro Cultural Multiuso, o vereador Rafael Ayub já é um apoiador da ideia. "A gente discutiu levar isso a frente. O projeto é interessantíssimo", diz Ayub, afirmando que pretende ajudar da maneira que for possível a ver o projeto se tornar realidade. "Prometi a ela o meu envolvimento para discutir com o Executivo e com a comunidade para ver se buscamos recursos para fazer nem que seja por etapas, a partir de um plano a longo prazo", estima o vereador.
Ayub vê com entusiasmo a participação da população no desenvolvimentos de projetos importantes para a cidade, e convoca os erechinenses a seguir o exemplo de Maria Paula. "Fiquei contente em ver um profissional autônomo se preocupar em desenvolver um projeto. Se for aprovado, só precisaríamos discutir algumas eventuais melhorias ou alterações. Já temos o ponto de partida", comenta o vereador.

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