Pedestres reclamam dos riscos enfrentados para atravessar o trecho urbano da rodovia federal
O atropelamento fatal da aposentada Maria Bonfanti, 78 anos, ocorrido na segunda-feira (13), desencadeou uma nova discussão sobre os problemas de segurança para quem precisar fazer a travessia do trecho urbano da BR 153, em Erechim. A ausência de passarelas e sinalização específica para pedestres afeta o cotidiano de motoristas e pedestres que precisam se deslocar entre os bairros Progresso, Cristo Rei, Atlântico, Morada do Sol, Novo Horizonte, São Cristovão, Aeroporto e Frinape. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), desde 2009 já ocorreram 1.038 acidentes no trecho compeendido entre o trevo da ERS 331 (saída para Gaurama), até o acesso ao Parque da Acccie. Entre as ocorrências estão os registros de 25 mortes e 128 vítimas gravemente feridas. Em 2016, foram registradas oito óbitos, sendo quatro por atropelamento. O levantamento da PRF também destaca que os pontos mais perigosos estão entre os quilômetros 44 (trevo do Atlântico) e 55 (Estevan Carraro).
Promessa é dívida
A BR 153 é uma importante rodovia federal que liga a região do Planalto Médio aos estados de Santa e Paraná. Os 70 quilômetros entre Passo Fundo e Erechim não estão pavimentados. No Alto Uruguai o asfalto inicia no entroncamento na ERS 135 e recebe grande fluxo no trecho urbano da maio cidade do Alto Uruguai, margeando os bairros mais populosos da cidade. O projeto de infraestrutura é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), que apesar de executar obras de manutenção, descumpriu parcialmente os acordos celebrados com o poder Executivo nos últimos anos. Entre as promessas estava a construção de passarelas e a instalação de redutores ao longo da rodovia. Em 2014 o órgão governamental se comprometeu em instalar controladores eletrônicos de velocidade no trecho urbano da rodovia. A promessa foi cumprida parcialmente com a instalação de cinco equipamentos: um próximo ao trevo do Aeroporto; dois no Bairro Atlântico; e outros dois na entrada do Bairro Progresso, próximo ao local da morte desta semana.
Mas o órgão federal ficou devendo a implantação de alternativas de acessibilidade na área, como calçadas para cadeirantes, atendendo a uma reivindicação feita por lideranças políticas da região. O DNIT também se comprometeu a construir pelo menos três passarelas em Erechim, a principal delas no quilômetro 48, próximo ao CTG Espora de Prata. Na época o órgão prometeu que as obras iniciariam em janeiro de 2017.
Pedido antigo da comunidade
As promessas de construção de passarelas no trecho urbano da BR 153, são antigas. Em 2010, o então prefeito de Erechim, Paulo Alfredo Polis, solicitou ao DNIT, a construção de três passarelas, um trevo e um túnel, na rodovia. Quem utiliza a BR 153 pode perceber que os pedidos e promessas não sairam do papel.
Conforme o projeto arquitetônico elaborado pela prefeitura, três passarelas seriam construídas no trecho mais perigoso, possibilitando o luxo de pedestres entre o centro e os bairros Estevão Carraro e Petitt Village. Nas proximidades da empresa Unetral Caminhões, junto ao elevado do Distrito Industrial, seria colocada outra passarela. A terceira obra, conforme o estudo técnico, seria instalada no quilômetro 46, próximo ao trevo de acesso ao Bairro Atlântico. O novo trevo solicitado seria colocado no quilômetro 45, próximo ao ciadto da rede ferroviária, entrada do Bairro Vila União e Desvio Becker. No mesmo projeto o prefeito também solicitou na época a construção de um túnel de passagem na altura do KM 49, nas proximidades da entrada do Bairro Progresso, ligando a Rua Demétrio Arpini com as avenidas Dom João Hoffmann e Sete de Setembro.
Única passarela construída
No trecho urbano da Br 153 existe apenas uma passarela para a travessia de pedestres. A obra construída na década de 70 está localizada no fim da Avenida Sete de Setembro, ligando o centro da cidade aos bairros São José, Progresso e Cristo Rei. O trecho é utilizado diariamente por dezenas de moradores, mas é considerado inseguro, pois é constante a presença de deliquentes na referida passagem que foi edificada numa altura aproximada de 20 metros.
"A gente se obriga a passar por aqui, mas sempre tem medo", relata uma moradora que preferiu não informar seu nome.
Solução com redutores de velocidade
O responsável pelo posto da Polícia Rodoviária Federal em Erechim (PRF), Regivaldo Tonon, destaca que dificilmente o DNIT irá instalar passarelas na BR 153. Segundo Tonon o tráfego de veículos na via ainda é considerado pequeno, assim como o número de pedestres, comparado com outras regiões. Para o policial a instalação do equipamento de segurança não é um indicador que o número de atropelamentos na BR-153, deva diminuir. "Primeiramente por que os atropelamentos registrados em Erechim são em locais diferentes, nunca são os mesmos pontos. E também porque os pedestre já têm a cultura de atravessar na rodovia, não utilizando a passarela", destaca.
Conforme Tonon, tragédias como a que ocorrereu no inicio desta semana podem ser evitadas com a instalação de mais lombadas eletrônicas em alguns pontos específicos. A sugestão da PRF é instalar controladores no trevo de acesso ao Bairro Frinape e próximo ao Bairro Estevão Carraro. "Acredito que estes equipamentos auxiliarim na diminuição destes casos, tendo em vista que o motorista terá muito mais cuidado na rodovia", explica.
O chefe do posto da PRF, também destaca que é preciso que o pedestre tenha conscientização no momento de atravessar a pista. "Nossa orientação é que se o pedestre sempre procure um local seguro para atravessar. Caso não exista nenhum próximo, recomendamos aguardar com paciência a diminuição do fluxo de veículos. Na dúvida não cruze a pista", alerta o policial rodoviário.
Pedido dos pedestres
Um dos pontos mais utilizados para as travessias arriscadas no trecho urbano da BR-153 é o quilômetro 48, na frente do CTG Espora de Prata. No ano passado, o trabalhador autônomo, Sergio Carvalho (42), perdeu a vida no local ao ser atropelado por um veículo leve. Na manhã de ontem (15), nossa reportagem esteve no local e identificou trilhas de pedestres sobre os canteiros centrais. Moradores afirmam que é comum a passagem de pedestres em um dos pontos mais violentos da rodovia.
Preocupado com a situação o aposentado, Manoel Brasil, de 62 anos, morador do Bairro Estevão Carraro, relata que atravessa diariamente o trecho. "A gente precisa pegar ônibus ou até mesmo ir no supermercado. Aí a gente se obriga. Precisaria mesmo uma passarela aqui", pontua o morador. A jovem Ângela Beatriz Paz,18 aos, concorda com o aposentado. "Aqui sempre tem muito movimento. Não da para ir até a outra passarela. Além de ser longe é perigoso, principalmente à noite. Então a gente se obriga a passar aqui", ressalta.
O que diz o Dnit?
Procurado pela reportagem do Jornal Bom Dia o supervisor regional do DNIT, Adalberto Jurach, preferiu não se manifestar. A assessoria de comunicação também não retornou as ligações e emails e até p fechamento da edição desta quinta-feira (16) não havia posição oficial sobre as providências que poderiam ser adotadas.