“O Ypiranga, nesse momento, está trazendo alguém que, além de ser um grande profissional, é um grande amigo que volta a trabalhar aqui, onde deixou saudade”. Foi com palavras afetuosas que o presidente do Ypiranga, Luiz Felipe De Marchi, apresentou o novo treinador do clube, que, na verdade é um velho conhecido da torcida: Guilherme Macuglia, que chega para sua segunda passagem pelo Colosso da Lagoa, quase 20 anos após sua saída.
Com mais de duas décadas como treinador, Macuglia assume o comando técnico do Canarinho em um momento delicado. Em três jogos pelo campeonato gaúcho, foram três derrotas para Grêmio, Passo Fundo e Juventude – o que resultou na lanterna isolada da competição. Além disso, um dos grandes projetos da direção para 2017, a Copa do Brasil virou poeira na última semana, quando o Ypiranga voltou do Paraná eliminado pelo PSTC após perder por 2 a 1. Apesar do cenário adverso, o técnico garante que o time tem plenas condições de se recuperar já na próxima rodada, contra o Brasil de Pelotas, no Estádio Bento Freitas. “Estou calculando três pontos na sexta-feira. Depois a gente pensa no próximo jogo. Temos que agir rápido”, afirma Macuglia.
De acordo com o novo chefe da casamata do Colosso, o fundamental para começar a reverter o quadro negativo é transmitir segurança aos jogadores. “O principal é a confiança. Temos que achar uma maneira de estruturar a equipe justamente para passar essa confiança aos jogadores. Eles também sentem esses maus resultados, com certeza muitos estão abatidos e vamos ter que resgatar a autoestima do grupo”, avalia Macuglia ciente das dificuldades que encontrará em Pelotas, mas não menos confiante. “Conheço bem a pressão que é enfrentar o Brasil lá, já enfrentamos eles várias vezes, conheço o time, vi jogar duas vezes ano. Sabemos das necessidades nossas e deles e temos que enfrentar esse desafio e encarar com otimismo e confiança”, diz.
A volta, 20 anos depois
Embora tenha começado a carreira como treinador no São Luiz, de Ijuí, Guilherme Macuglia teve seu primeiro trabalho de destaque na profissão pelo Ypiranga, entre 1996 e 1998. “Fiquei três anos aqui e cometi a besteira de pedir demissão e ir embora”, ri Macuglia, destacando o que lhe fez deixar o comando do Rio Branco, do Paraná, para voltar a Erechim. “O ambiente que a gente sempre encontrou na cidade, as pessoas que comandam o clube, a torcida... E também o que vimos da equipe de futebol. Temos confiança de que esse grupo vai reagir, dar uma resposta positiva”, enumera o técnico.
Grupo tem que ser comprometido
Ex-atacante durante as décadas de 80 e 90, Macuglia sabe como funciona o vestiário de um clube profissional e como, muitas vezes, funciona a cabeça dos jogadores. Por isso, já vaticina: “O jogador às vezes acha desculpa daqui e dali. ‘Ah, o esquema, a bola, o campo’. Isso não cabe mais. É trabalhar e buscar o resultado. Não está contente, vai embora, ficar atrapalhando não adianta”.
Futebol moderno x experiência
Que os conceitos de futebol mudaram, isso não é mais novidade para ninguém. Cada vez mais estudiosos, os treinadores buscam novas referências técnicas e táticas para criarem um estilo de jogo próprio, que mais se aproxime do chamado “futebol moderno”. Macuglia reconhece e exalta essa “novidade”, mas acredita no equilíbrio como a melhor forma de buscar os resultados dentro do campo. “A gente evoluiu como técnico, tem muita novidade no futebol, mas não podemos nos empolgar demais com algumas situações. Tem coisa no futebol que é básica e não dá para mudar. A experiência nos ensina que às vezes temos que fazer o mais simples”, explica o treinador.
Amizade com Tite
Quando assumiu o Ypiranga pela primeira vez, Macuglia substituía um jovem Adenor Bachi, o Tite, no comando do vestiário canarinho. A amizade com o atual treinador da Seleção Brasileira vem de muito tempo e continua firme até hoje, segundo Macuglia. “A gente se conhece da época em que éramos jogadores do Esportivo, em 1983. A gente tem essa amizade, e fico feliz por hoje ele ser uma referência para todos nós. Estou sempre na torcida por ele, por que, além de ser uma excelente pessoa, sempre foi um excelente profissional”, conta.