O deputado estadual Altemir Tortelli participou do lançamento da Petição Pública das Mulheres Negras contra a Reforma da Previdência. O documento foi elaborado pela organização ‘Akanni - Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnias’ e entidades parceiras, reforçando a resistência contra a proposta do Governo Temer. O ato ocorreu na tarde desta quarta-feira (08), na Assembleia Legislativa.
Como coordenador da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Previdência Social Rural e Urbana, Tortelli saudou a iniciativa das mulheres negras, destacando a importância da união dos esforços contra a Reforma da Previdência. O deputado recebeu do grupo de mulheres negras uma cópia do documento, para encampar a pauta deste segmento no trabalho da Frente. “Precisamos de uma grande unidade, composta pelas diferentes forças atuantes contra a reforma, para derrotar esse atentado aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou Tortelli.
A socióloga Reginete Bispo, que coordena o instituto Akanni, explicou que a Reforma da Previdência ataca toda a classe trabalhadora, mas tem “efeito de morte” para as mulheres negras. “Num país de tradição escravocrata como o Brasil, a Reforma da Previdência significa a retomada das relações de trabalho que remetem ao século XIX”, manifestou. Segundo ela, as mulheres negras são as que mais têm dificuldades na disputa de vagas no mercado de trabalho, e os postos que assumem costumam ter as condições mais precárias.
Endereçada à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal, à Presidência da República e ao Ministério da Fazenda, a Petição das Mulheres Negras contra a Reforma da Previdência alerta que, se aprovada, a proposta do Governo Federal aprofundará as desigualdades no mundo do trabalho, pois ignora as especificidades de gênero e raça. “Se aprovar essa PEC, o Brasil vai acabar com o único mecanismo compensatório para as mulheres, sem ter solucionado as desigualdades no mundo do trabalho”, expõe o documento. “Na verdade, tudo aponta no sentido de que o objetivo da reforma é o de aproximar o tempo de aposentadoria com o tempo de morte”, sintetiza a petição.
Participaram do ato representantes da Associação dos Defensores Públicos do RS, do Conselho Estadual dos Povos de Terreiro, da Associação Cultural das Mulheres Negras, da Federação das Trabalhadoras Domésticas, do Grupo Cultural Anastácia, da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do RS (Ftia-RS), entre outras entidades e instituições.