Morte de universitária retomou o debate sobre o sistema de videomonitoramento em Erechim
A identificação do assassino confesso da jovem universitária Carla Bernardo Chagas (20), retomou a discussão sobre o não funcionamento do sistema de videomonitoramento em Erechim. Desde que foi desativado em 2012, inúmeras propostas foram analisadas no sentido retomar o serviço conectado com o policiamento ostensivo da Brigada Militar. Na última tentativa, no segundo semestre de 2016, algumas câmeras chegaram a ser instaladas pela antiga concessionária do estacionamento pago, porém, nunca funcionaram, segundo a própria polícia.
Quando anunciou a prisão do suspeito na manhã de terça-feira (7), o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, destacou que o êxito do trabalho policial foi favorecido pelo uso de imagens de câmaras de segurança instaladas em lojas e prédios nas proximidades do local onde ocorreu o crime de latrocínio. No material cedido por pessoas interessadas em elucidar o assassinato a Polícia Civil identificou o autor e observou que vítima caminhou espontaneamente na companhia do suspeito, antes de ser agredida mortalmente. "Se não fossem estas câmeras seria muito difícil elucidar o caso, pois foi uma situação incomum. Foi com bases nestas imagens que constatamos que este indivíduo era um morador de rua e usuário de drogas", destacou o delegado.
Criminalidade crescente
Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública revelam queda nos indicadores da violência em Erechim. Porém, é cada vez maior o índice de crimes relacionados ao consumo e tráficos de drogas. No caso específico do crime de latrocínio praticado contra uma jovem no centro na cidade, a livre circulação de um usuário de drogas tirou a vida de uma estudante que sonhava em ser farmacêutica. O assassino confessou que matou para roubar o celular da vítima , que segundo a polícia possivelmente foi trocado por entorpecentes.
Segundo o delegado, Germano Alves Lima, titular da delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), entre as ocorrências diárias, seguidamente estão os registros de furto praticados por usuários de drogas. Segundo o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), a Polícia Civil e a Brigada Militar combatem a prática deste delito, que não raras vezes pode acabar em morte.
Enquanto a legislação é branda e a estrutura dos órgãos de segurança é precária, delinquentes de todas as idades ameaçam a integridade de trabalhadores e pessoas comuns. Entre um crime e outro, muitos usuários de drogas sustentam o vício roubando em lojas, residências, automóveis ou até mesmo em ruas e avenidas e buscam refúgio em locais abandonados na área central de Erechim. O empresário Plínio Zin, proprietário da área onde funcionava a antiga fábrica da Corlac, já registrou um boletim de ocorrência contra invasores da propriedade privada. Foi neste local que o suspeito pela morte de Carla buscou abrigo para queimar roupas sujas de sangue. Zin, que busca parcerias para edificar o imóvel, reclama que o funcionamento do Albergue Municipal nas proximidades do centro, afeta a vida de muitas pessoas. A direção do albergue de Erechim confirmou que Marcos Lima Trindade procurava a casa de assistência social para tomar banho e alimentar-se na parte da manhã.
Grupo de trabalho estuda alternativas
Para as lideranças locais a prevenção dos problemas partiria da instalação de um novo sistema de videomonitoramento. Representantes de diversas entidades do município têm se encontrado com representantes de órgãos de segurança e do poder público. O movimento tem o apoio do Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro), Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato Rural e da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (Accie). A meta principal é a instalação de um sistema para captação de imagens com recursos necessários para auxiliar o trabalho de policiamento ostensivo da Brigada Militar, bem como de investigação da Polícia Civil.
Segundo o vice-presidente da CDL, Juliano André Antoni, o grupo deve voltar a se reunir já na semana. O encontro deverá ser marcado por avanços no projeto que busca a revitalização do sistema de videomonitoramento de Erechim, que já está em andamento. "Desde o ano passado, estamos fazendo esta conversação com objetivo principal de implantar um sistema que funcione. Para isso, foi criado um grupo de trabalho, que pode observar o que já vem sendo feito nas cidades de Marau e Passo Fundo. Também conversamos com o comando regional da Brigada Militar, tudo para criar um sistema específico para Erechim", destacou o líder empresarial.
Conforme Antoni, o projeto inicialmente conta com parte uma verba de R$ 100 mil, repassados pelo Executivo Municipal em dezembro do ano passado ao Consepro, que também serve para ampliação da sala de operações do 13° Batalhão da Brigada Militar (13°BPM). "Nosso objetivo é que até março, esta obra esteja pronta. Assim poderá abrigar a sala para o videomonitoramento. Pensamos em iniciar com dez câmeras, utilizando uma rede de fibra ótica que já está sendo paga pelo município em um projeto semelhante ao de Marau. Claro que é apenas o inicio. O valor total para um videomonitoramento eficaz chega a mais de R$ 2 milhões", finaliza Juliano André Antoni.