Ele pode até não ter o mesmo destaque de décadas passadas, o domínio da dupla da capital tem tornado os resultados previsíveis, a crise econômica prejudicou a formação das equipes para a temporada, etc, etc... Mesmo com tudo isso, não há como negar: o Gauchão mantém a mística de ser um campeonato de características peculiares, personagens folclóricos e times aguerridos que, mesmo modestos, são capazes de protagonizar disputas épicas. Neste final de semana, tem início mais um capítulo de uma quase centenária história: começa a 97ª edição do estadual mais casca grossa do Brasil, o nosso Campeonato Gaúcho.
Mais curto
O Gauchão tem encolhido nos últimos anos. Em 2015, 16 equipes participaram da competição, em que três eram rebaixadas e apenas uma subia da Divisão de Acesso. No ano passado, mesma fórmula: dos 14 clubes, três caíam e um era alçado à elite do estadual. A ideia da Federação Gaúcha de Futebol era chegar ao formato alcançado nesta edição, com 12 times – dois caem, dois sobem.
Na disputa entre as equipes, nada muda: todas se enfrentam em turno único, com os oito primeiros avançando às quartas de final. A partir daí, até a final, o famoso mata-mata, em que os classificados decidirão as vagas em jogos de ida e volta. O número reduzido de times proporciona algumas situações curiosas, como a ocorrida em 2016 com o Brasil de Pelotas: na última rodada, o Xavante brigava tanto para classificar-se entre os oito como para escapar da degola.
Hegemonia vermelha
Uma das maiores expectativas deste início de Gauchão diz respeito ao Internacional. Atual hexacampeão, o Colorado garante foco total para buscar o hepta, mas uma dúvida persiste na cabeça da torcida: que Inter é esse que começará o torneio? O time abatido e sem poder de reação que “se conformou” com o rebaixamento para a Série B, ou a equipe brigadora, liderada por um sempre inconformado D’Alessandro, que conquistou resultados expressivos ao longo dos últimos anos? Nos primeiros testes da temporada, os resultados preocuparam a comissão técnica liderada por Antônio Carlos Zago: empate sem gols contra o Inter de Lages e derrota por 2 a 1 para o Tubarão, com direito a ampla participação dos goleiros Danilo Fernandes e Marcelo Lomba – o que evidencia a necessidade de ajustes urgentes no time, sobretudo do meio para a frente.
Tricolor embalado
Embora não seja a prioridade do ano gremista – tem Libertadores logo mais –, o Tricolor promete dar atenção especial ao estadual para quebrar a longa sequência de títulos do maior rival. Embalado pela recente conquista da Copa do Brasil, o time liderado por Renato Portaluppi pode até não ter investido em contratações de fazer brilhar o olho do torcedor, mas o fato de ter mantido praticamente todo o grupo do ano passado pode ser considerado o grande reforço do clube porto-alegrense. Claro que, com o tri da América como maior objetivo, em algumas partidas o Grêmio terá que preservar seus titulares e lançar mão dos reservas ou até um segundo grupo de atletas. No único jogo-treino antes da estreia pelo Gauchão, vitória tranquila contra o Sindicato dos Atletas: 7 a 0.
Ypiranga e a esperança do interior
O bom 2016 do Ypiranga tem feito o torcedor canarinho esper com um 2017, no mínimo, no mesmo nível. Apesar da grande reformulação pela qual passou o elenco do clube erechinense, os jogos-treinos e amistosos da pré-temporada mostraram que o time de Carlos Moraes tem condições de alcançar resultados interessantes no Campeonato Gaúcho, ainda que necessite algumas melhoras – ofensivas, sobretudo. Nos últimos dois anos, o Ypiranga foi o quinto colocado na competição, e agora tem como meta chegar entre os quatro, mas sem deixar de sonhar alto: desde 2000, um time do interior não conquista o estadual (o Caxias foi o último) – seria o Canarinho capaz de tal façanha?