Erechim perdeu nesta sexta-feira (27) uma das lideranças empresais mis expressivas da história do município. Romeu Madalozzo morreu em São Paulo, aos 92 anos de idade. O velório e sepultamento serão na capital paulista.
O prefeito Luiz Francisco Schmidt (PSDB) decretou luto oficial e determinou que as bandeiras oficiais deverão ser hasteadas a meio-mastro. de Erechim de 1963 a 1967. O presidente da ACCIE, Claudionor Mores, lamentou a perda do empresário, "um homem de grande importância nos setores onde atuou e que contribuiu de modo incisivo nos destinos da Associação Comercial e para o desenvolvimento do município", conmforme nota divulgada pela assessoria de comunicação da entidade empresarial. Segundo Claudionor, "Romeo Madalozzo sempre teve o dom de aglutinar pessoas, dos mais diversos interesses, aproveitando o que cada um tem de melhor".
Ex-presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim e representante de família pioneira no empreendedorismo na região Norte do RS e em outros estados do Sul do País, Romeu Madalozzo liderou o movimento que resultou na criação na criação de uma exposição que reuniu todos os segmentos da economia local na década de 1960: a primeira Frinape, realizada em 1966, um marco de uma iniciativa que chega aos nosso dias, com previsão de estar junto com o município no ano que vem, na comemoração dos 100 anos de emancipação.
Romeu Madalozzo foi homenageado em várias oportunidades em Erechim. A última em 2013. Ele foi presidente da ACIE de 1963 a 1967.
Atuação de Romeo Madalozzo na Accie
Romeo fazia parte de um grupo de jovens empresários descontente com os rumos da associações naquela época e queriam fazer uma reviravolta. Em uma reunião com os associados, o então presidente lançou o desafio para que assumissem e desenvolvessem as ideias apresentadas. Após 10 dias de analise decidiram assumir a entidade, porem com algumas condições, que logo foram aceitas, entre elas, alteração dos estatutos sociais, incluindo a participação da classe industrial, passando então a chamar-se “Associação Comercial e Industrial de Erechim” e eleição de nova diretoria por eles indicada.
Naquela época, a ACCIE chegou a ganhar um terreno da Prefeitura para construção de sua sede, porem como não havia sido aprovada a doação pela Câmara de Vereadores, teve que ser devolvida.
Em agosto de 1963, foi formada uma comissão de 8 representantes (cada um arcando com suas despesas), e viajaram ao Rio de Janeiro, com a finalidade de conseguir do Banco do Brasil, uma faixa de crédito especial para as empresas poderem operar melhor. Aproveitaram a viagem para reivindicar com o Ministro dos Transportes e o DNER a abertura da BR-153, ligando Erechim a Porto União, com a ponte no rio Uruguai. Informaram que só tinham verba para a ponte, então pediram e de fato fizeram, primeiro a ponte no Rio Uruguai, e só mais tarde é que a rodovia foi aberta.
Em nome da ACCIE dera todo o apoio e colaboração para as campanhas das diversas entidades de Erechim. Destacam-se a reconstrução do Colégio São José, destruído por um incêndio, a construção da nova sede do Lar dos Velhinhos Jacinto Godoy, a Comissão pró-Faculdade de Erechim; a Comissão Pró-Diocese, a fundação do CDL – Clube dos Diretores Lojistas e do SPC – Serviço de Proteção ao Credito de Erechim; os Sindicatos Patronais e de empregados, e outros.
Numa das reuniões de trabalho da ACIE foi levantada a ideia de fazer de Erechim um centro geoeconômico, congregando todos os municípios do Alto Uruguai, principalmente os que formaram no início o grande município de Boa Vista do Erechim, procurando realizara eventos, exposições, conclaves, congressos, etc. Daí nasceu a ideia principal de se construir um centro para periodicamente apresentar, não só à região, mas principalmente para todo o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que se fazia, o que tinha e o que produzia a região, e também, que outros viessem mostrar o que de mais moderno se podia ter para melhorar nossa produção e trazer ideias criativas para encontrarmos novos negócios e frentes de trabalho.
A ideia tomou corpo e aprovação de todas as forças econômicas do município, e através de um concurso popular, foram escolhidos o nome e o escudo que logo foi oficializado, como Frinape – Feria Regional, Industrial, Agropecuária de Erechim.
No fim de 1963 o radialista Milton Doninelli falou da ideia de se instalar uma estação retransmissora de televisão em Erechim, visando dar uma moderna recreação a população. Na época, cogitava-se a instalação de uma torre de retransmissão, o que, segundo Doninelli, pouco resolveria e iria custar mais que se instalar uma estação própria. O associado Dr. Ruhter V.Muhlen, um entusiasta da TV, aceitou liderar o movimento, naturalmente com a colaboração e participação de toda a equipe da ACIE. O nome da nova empresa passou a ser Televisão Erechim Ltda. Foi lançada a subscrição de quotas capital, com facilidade de pagamento, tanto para a compra do equipamento, como também para a compra do terreno e construção do prédio, que foi instalado no alto do bairro Ipiranga.
Em abril de 1965 o então presidente do Brasil, Mal. Humberto de Castelo Branco, concedeu a licença para Erechim ter seu canal e sua estação de TV. A festa de inauguração foi comovente e significativa. Inicialmente os programas eram locais, de entrevistas, reportagens e filmes de cinema ou documentários, com o decorrer do tempo, e dentro da necessidade de manter um programa diário com mais atrações, foi resolvido associar os quotistas a Televisão Erechim Ltda., a TV – Gaúcha, Piratini de Porto Alegre, que já tinha outras oito estações coligadas no interior do Estado.