Lojistas buscam alternativas para atrair consumidores, que neste ano buscam economia e qualidade nos produtos
Mesmo sem definição da data de início das aulas na escola onde a pequena Raquel, de seis anos, vai estudar, a última sexta-feira (27) foi reservada para a compra dos seus materiais escolares. Acompanhada da mãe, Joana Skiba, ela pode escolher alguns dos itens que precisará para frequentar o primeiro ano do ensino fundamental. Embora a projeção da mãe seja de que o ano letivo inicie somente em março, a opção por se adiantar nas compras tem motivos: “Nessa época fica mais fácil pesquisar os preços, pois o comércio ainda está tranquilo. E também dá tempo de organizar todos os materiais, colocar os nomes e deixar tudo preparado com mais calma”, explica a dona de casa.
Se para Joana a justificativa para a antecipação foi o tempo para se organizar, no caso da adolescente Valentina, de 12 anos, a compra dos materiais escolares atende a outra motivação: “Ela estava ansiosa demais para vir comprar, não parava de falar disso”, comenta a mãe, Denise Farina Arpini. Professora, ela deu liberdade à filha para escolher os materiais que utilizará no oitavo ano do ensino fundamental. “Entendemos isso como um investimento e também como um incentivo para ela, já que todos os anos ela tem sido bastante estudiosa e, por isso, merece. Mas é tudo dentro das nossas possibilidades”, pontua a mãe, que afirma ter reservado um valor para este fim.
Partindo de justificativas como estas, a compra de materiais escolares têm movimentado o comércio de Erechim. Tanto nas lojas específicas, supermercados ou mesmo nas livrarias, uma característica marca a procura neste ano: a busca por qualidade aliada à economia. Com prateleiras e gôndolas cheias, há preços para todos os bolsos e o segredo é pesquisar. A estimativa dos comerciantes é de que o movimento se intensifique especialmente nas próximas semanas, com a entrada do salário do primeiro mês do ano.
Economia, reaproveitamento, pagamento à vista e consumidor exigente
O gerente de uma loja de materiais de escritório, Tiago Moretto, explica que este ano está marcado por algumas particularidades. “Há muito reaproveitamento de materiais do ano passado. O pessoal está deixando de comprar itens que podem ser usados neste ano, como estojo, régua, tesoura... A venda de mochilas, por exemplo, caiu muito em razão disso, pois está é uma das maneiras encontradas por quem quer economizar”, pontua.
Outra característica citada por Moretto está no fato de que os clientes estão optando pelo pagamento à vista. “Mesmo com as condições de parcelamento, muitos optam por pagar à vista para não se comprometer mais adiante. Acredito que isso tem relação com os reflexos da insegurança que 2016 causou como um todo”, ressalta.
Em outra loja, conforme a proprietária, Maria Iglacir Rosset, tem sido bem comum a “negociação” entre pais e filhos. “Eles conversam e acabam chegando a um consenso que agrade a ambos, por exemplo, o filho pode escolher um caderno mais caro e o resto os pais que decidem”, pontua.
A comerciante aposta em uma procura maior no próximo mês, já que algumas escolas têm data de início marcada para a segunda quinzena de fevereiro. Mas desde já, ela assim como Moretto, destacam a exigência dos consumidores. “Eles têm pesquisado muito, procuram por produtos bons e com preços mais acessíveis. Antes já havia pesquisa, mas agora tem sido ainda mais minuciosa”, pondera Tiago.
Preços para todos os bolsos e maneiras de atrair clientes
Embora não determinem exatamente o reajuste dos preços deste ano, é possível perceber nas lojas uma variedade de materiais que atende a todos os bolsos. “Há produtos com preços diversos, tanto para quem está disposto a comprar o básico, quanto para quem busca materiais mais caros. Tudo depende de quanto cada um pretende gastar. Há cadernos que vão de R$ 5 a R$30, por exemplo, assim como há mochilas que vão de R$ 35 a R$ 600”, exemplifica Moretto.
Com a diversidade de preços e com clientes mais exigentes, o comércio busca maneiras de atrair os consumidores. Em um hipermercado, por exemplo, todos os catálogos deste mês estão focados nos materiais escolares, além da possibilidade de pagamento parcelado. Decoração diferenciada e ilhas de produtos também estão entre as alternativas para chamar atenção. Já nas lojas, uma das apostas são os horários diferenciados de atendimento, além de promoções de produtos de linhas específicas.