Jurados entenderam que homem de 78 anos cometeu o crime sob efeitos de medicamentos controlados
O tribunal do Júri da comarca de Erechim esteve reunido nesta quinta-feira (26) para julgar um homem acusado de matar a própria esposa. O crime ocorreu no dia 15 de abril de 2011 no interior de uma residência localizada na Rua Araújo Lima, área central de Erechim. De acordo com a investigação policial a mulher foi morta enquanto dormia ao ser agredida pelo réu que utilizou um banco para provocar as lesões. Por maioria de votos os jurados compreenderam que o réu Albino Rodrigues (78), não teve a intenção de matar Ilda Martini Rodrigues. A decisão então passou para o juiz, Marcos Luiz Agostini, que inocentou o réu.
Durante a tramitação do processo, Albino Rodrigues admitiu ter matado a mulher. No interrogatório diante dos jurados o réu mudou a versão e alegou que não lembrava do fato, pois o quarto estava escuro. " Eu quis bater no travesseiro para pedir ajuda, pois estava me sentindo muito mal", explicou Rodrigues.
A decisão foi embasada em laudos médicos apresentados pela defensora pública, Raquel Fellini. "Solicitamos aos jurados a absolvição e também ausência de dolo, ou seja, que ele não quis matar. Felizmente os jurados acolheram a tese de dolo e o juiz decidiu pela inocência", comentou a defensora no fim da sessão.
Durante o julgamento Raquel Fellini também solicitou o depoimento de quatro testemunhas. Três foram ouvidas pelos jurados e uma dispensada. Entre os escolhidos estava um médico que tratava Rodrigues desde 1995. Segundo ele o paciente sofria de crises de depressão e afirmou que no dia do crime o réu pode ter tido um surto psicótico e que chegou a ir até seu consultório pedindo ajuda horas antes do fato. "Uma em cada 100 pessoas podem apresentar este surto. A depressão dele é muito grave. Tenho certeza que ele não fez isso com intenção. Foram os remédios que provocaram essa reação que encerrou em tragédia", destacou o médico durante seu depoimento.
As outras duas pessoas ouvidas foram os filhos do réu e da vítima, que lembraram que Rodrigues não tinha motivos para cometer o crime. "Eles foram casados por mais de 50 anos. Na noite do fato jogaram cartas juntos, segundo nossas tias que estavam com eles. Ele não ficou com nada", finalizou uma das filhas, emocionada.
Na opinião do promotor Raphael Guimarães dos Santos, o réu sabia o que estava fazendo. O representante do Ministério já recorreu da sentença em ata e nos próximos dias deve apresentar os motivos do recurso à Justiça."Durante acusação, apresentamos um laudo do Instituto Geral de Psiquiatria do Estado que comprovou que no dia do réu sabia que estava matando a esposa, enquanto ela dormia", finalizou.