Um sonho distante
A demonização da política tem inúmeras repercussões, quase todas negativas. Seria ingenuidade negar que muitos políticos dão razões de sobra para jornalistas e eleitores crucificarem todos que detêm mandato popular.
Em 2026 teremos, além da Copa do Mundo, a ocorrência de eleições. Em outubro e novembro os brasileiros elegerão deputados estaduais e federais, além de senadores, governadores e o presidente da república.
O ideal seria estimular a participação de profissionais dos mais diversos segmentos de atividade. Professores, advogados, empresários, comerciários, arquitetos, jornalistas, engenheiros, dentistas, médicos, empreendedores, entre outras atividades, deveriam ter coragem para submeter seus nomes ao crivo popular. Mas diante de tantos casos de corrupções, desvios de caráter e escândalos envolvendo políticos, como seria possível convencer estas pessoas a participar da vida pública?
Além da má fama que persegue os políticos, é injusto entrar em uma disputa onde aqueles que já detêm mandatos dispõem de sólida estrutura para se manter nos parlamentos? Deputados e senadores que concorrem à reeleição contam com gabinetes estruturados com inúmeros assessores, inclusive “nas bases”, ou seja, nos Estados de origem.
O mesmo acontece com deputados estaduais que podem contratar assessores para trabalhar em seus municípios de origem. Além disso, dispõem de celulares, diárias e várias outras benesses. Todas estas despesas são pagas com o meu, o seu, o nosso dinheiro, além do apetitoso fundo partidário. Em resumo: já existe financiamento público de campanhas políticas, mas disfarçado com outros nomes, numa rotina que consome bilhões a cada ano.
Apesar da insatisfação generalizada, a renovação dos parlamentos não passa dos tradicionais 30/40%, índice que se mantém há muitos anos. A onipresença das emendas parlamentares – uma das maiores obscenidades da política brasileira (entre tantas) – é outro empecilho para o surgimento de novas lideranças. É impossível concorrer com deputados federais que dispõem de mais de R$ 40 milhões para distribuir livremente? São quase R$ 50 bilhões no total. Uma fortuna.
A política, como outras estruturas do Brasil, foi concebida para não mudar. Jamais.