Jovens há mais tempo
No final de semana reencontrei velhos amigos, prática cada vez mais constante. Nossa amizade é tão antiga que remonta aos tempos do “futebol de salão”, hoje rebatizado de “futsal”. Coisas da linguagem moderna, mas o espírito antigo permanece.
Ao longo da sexta-feira à noite, damos sonoras risadas que assustaram – e até afugentaram! – alguns clientes do restaurante escolhido para o encontro. Normalmente estas alegres confraternizações são realizadas na residência de um dos confrades. Isso permite maior flexibilidade de horário e despreocupação com o tom de voz.
A maioria da “gurizada medonha” reunida tinha mais de 60 anos, ou seja, compartilham das mesmas agruras, preocupações, alegrias com filhos e netos, e gostam de recordar “os velhos tempos” com saudade.
Os desafios com a saúde são unanimidade. Todos, sem exceção, compartilham da necessidade de usar medicamentos de uso contínuo. Outro compromisso envolve a realização de exames/check-up frequentes e manter uma disciplina rígida para seguir conselhos médicos.
Já o hábito de manter atividades físicas divide o pessoal. Alguns são “ratões de academia” e frequentam estes locais ao menos uma vez por semana, embora o ideal seja, no mínimo, duas aulas a cada sete dias. Outros ignoram os exercícios.
A preocupação com os pais é comum. Poucos ainda contam com a companhia de pai/mãe. Os felizardos que compartilham deste privilégio mantêm inquietações sobre o que fazer. Nem todos têm condições de manter cuidadoras ou internar os pais em instituições dignas, com cuidados à altura do amor que sentimos.
Mas nem tudo são agruras para aqueles que são “jovens há mais tempo” e nasceram no século passado. As alegrias proporcionadas pelos filhos e netos compensam tantas preocupações dispendidas até que os herdeiros se tornassem adultos responsáveis. A possibilidade de viajar, conhecer novos lugares e reencontrar velhos amigos, ex-colegas de trabalho e de escola, constituem momentos incomparáveis de comemoração.
Chegar aos 60/70 exige resistência e vigilância permanentes. Usar a experiência, sem abrir mão das novidades que aumentam nossa qualidade de vida, é apenas um dos macetes para driblar o destino, as doenças, a depressão e a tristeza.