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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Para o ano

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Os portugueses costumam utilizar a expressão “pra semana” quando se referem à semana vindoura, enquanto no Brasil dizemos “na semana que vem”. Da mesma forma, usam o termo “pra o ano” quanto ao que vai acontecer “só no ano que vem”. Muitos aproveitaram o final de 2025 para estabelecer aquilo que gostariam ou gostarão de fazer nesse ano novinho que já começou. Porque fazer metas virou um costume da modernidade.

Agora e na hora…

Da nossa morte, amém! Pois então. Quando colocamos metas em nossas jornadas nunca imaginamos que poderemos bater outra coisa antes delas: as botas. Assim, sem mais nem menos, sem aviso prévio. Duvido até que o mais pessimista dos suicidas ponha isso no papel. Até porque os que padecem desta amarga doença chamada depressão já não anseiam por mais nada na vida, o que é uma pena. Perderam a capacidade de pensar em algo positivo e útil. Também, não podemos esquecer os que convalecem em suas camas e já não têm capacidade de pensar em mais nada de efetivo, a não ser o merecido descanso do corpo físico ou na esperança de um recomeço no plano espiritual. Para os demais, há sempre muito a pensar e isso requer cuidado.

As metas

Traçar metas é sempre bom. Parece encher-nos de entusiasmo, vontade e desejo de realização. Não esqueçamos, no entanto, que traçar metas também serve de gatilho para frustração. Afinal, quando não avançamos, quando não damos aquele “check” na planilha do novo janeiro, o próximo dezembro pode arrastar sombras que a vida não merece. Tudo isso faz parte do contexto, dentro daquilo que podemos chamar de ponderável. Mas… e o impoderável? E as situações inusitadas? Como devem ser tratadas? Nunca colocamos isso nas metas.

Surpresas

Talvez o grande barato da vida seja a própria possibilidade de perder. Perdas de todo gênero. Que graça seria jogar um Grenal se já soubéssemos o resultado? São as sombras que engrandecem os nossos desejos. Mesmo assim, é preciso ter cuidado para que elas não criem medos ou paranoias. No mundo atual, são muitas as loucuras que temos de enfrentar, tamanha a instabilidade do terreno em que pisamos, dia após dia. Diante dessa incapacidade de prever o futuro, de saber se seremos vencedores, cumpridores de metas ou se amargaremos um ano ruim em comparação ao que planejamos, jamais devemos esquecer de uma coisa: do presente.

O presente

Os raros instantes de contemplação da vida são aqueles que ocorrem nos momentos mais inusitados. Geralmente quando temos de esperar por alguma coisa e ficamos incapacitados de fazer o que estava programado. Acontece antes de embarcar no avião, na fila o ônibus, ou quando esperamos o filho sair da escola. Esses pequenos lapsos do nosso dia, em que nada podemos fazer a não ser esperar, são os verdadeiros “presentes”. O nome não é um acaso. Nada de passado e nada de futuro. Simplesmete o momento do “aqui e agora”. Nos pega desprevenidos. Até parece a hora da morte. Saber aproveitá-los é sinal de sabedoria, até porque as demais horas do dia não nos pertencem, pois estamos sempre a servir a alguma coisa ou alguém.

Se eu morresse amanhã

Quem sabe se vivêssemos assim, como se fôssemos morrer amanhã, saberíamos que metas estabelecer na vida, que contribuições daríamos ao nosso futuro e, principalmente, que consciência daríamos ao nosso presente e a essas pequenas fraturas de tempo que a divindade nos dá e que tanto desprezamos. Será que trabalharíamos tanto? Será que perderíamos o equilíbrio tentando ter razão contra os insensatos? Na dúvida, façamos assim: escrevemos as metas, mas no dia de hoje – e no de amanhã – temperamos nossa jornada com uma pitada de “e se eu morresse amanhã?” Será que vida não seria mais leve assim?

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