Conversão; Acolhimento e Compromisso cristão
Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Estamos no 2º Domingo do Tempo do Advento, tempo de preparação ao Natal. Nas palavras de João Batista o convite da liturgia deste dia: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3,2). A conversão é um processo que exige atitude de revisão de vida, de mudança; exige acolhimento da Palavra de Deus e compromisso com o novo que ela nos aponta. É o próprio Cristo, “Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1) que nos orienta no caminho da conversão, da prática do bem, da esperança e da paz.
Prezados irmãos e irmãs. O Advento nos diz que Deus vem a nós porque Ele nos ama infinitamente e quer nos transmitir Sua Palavra de vida. Deus é o único em quem podemos confiar plenamente. Paulo nos diz que nele devemos colocar a “firme esperança” (Rm 15,4). O Advento nos convida também a sermos hospitaleiros. Quem hospeda a Deus se faz templo de Deus. Isto implica em mudanças na relação com Ele e com as pessoas. O outro não deve ser visto como inimigo, mas como templo de Deus. Por isso, conversão implica tirar de nós tudo o que nos impede de acolher o outro e preparar-se especialmente para acolher o Cristo que vem ao nosso encontro.
A primeira leitura (Is 11,1-10) é palavra simbólica carregada de esperança. Nascerá uma haste, um ramo novo, do tronco de Jessé (Is 11,1): é o anúncio de um novo tempo que ocorrerá com a vinda de um novo rei. Essa palavra de Isaías cumpre-se plenamente em Jesus. Davi era filho de Jessé e nasceu em Belém. Jesus, nascido em Belém, inaugurará um tempo novo, pois “sobre ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, de conselho e fortaleza, de ciência e temor de Deus”. Mais: “Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; mas trará justiça aos humildes...” (Is 11,2-5). Seu critério básico de ação é a Palavra divina, que leva à prática da justiça. Guiado pelo Espírito do Senhor, Ele virá para estabelecer relações novas entre as pessoas. O Advento nos convida, portanto, à conversão, à mudança total, a olhar o outro como irmão, como irmã. Só assim poderemos viver plenamente o sentido do Natal.
Conforme o Salmo (Sl 71), neste tempo novo “a justiça florirá” (Sl 71,7), trazendo vida nova entre as pessoas: O Senhor governará o povo com justiça, julgará os pobres com equidade, libertará o indigente e o infeliz, salvará os humildes que ninguém os ajuda. Assim o Salmo nos apresenta Deus, que em Jesus vem a nós.
Caríssimos. O Evangelho (Mt 3,1-12) apresenta a pregação de João Batista, apontando a chegada do Reino dos Céus. Primeiramente, João Batista faz um forte apelo à mudança: “Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3,2). Sua pregação indica a existência de um contexto complexo, que exigia mudanças, condição para acontecer novas relações. “Preparar o caminho do Senhor” é sua missão central, implicando em “endireitar suas veredas” (Mt 3,3). Exorta a todos se converterem, a abrirem-se à novidade de Jesus, o Reino dos Céus. Seu modo de ser era simples e não vivia atrelado às elites (Mt 3,4). Muitos iam ao seu encontro para ouvir sua palavra, se converter e serem batizados (Mt 3,5-6). Mergulhar no Jordão significava deixar-se lavar pela justiça do Reino dos Céus, adotando-a como princípio de vida. E João advertia os fariseus e saduceus que não era suficiente ser descendentes de Abraão (Mt3,9). Podemos atualizar isto para a nossa vida e dizer que não basta ser batizado ou pertencer a uma família católica! O que importa é uma ter uma fé viva e fecunda, capaz de produzir bons frutos (Mt 3,10), e empenhar-se pela causa do Reino.
Façamos deste tempo do Advento, um tempo da graça pela conversão e um tempo de esperança pela certeza de que em Cristo se encontra a verdadeira vida e salvação do mundo.
Deus abençoe a todos e bom domingo.