Dia de Finados: “Nós cremos na vida eterna”
Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Neste domingo celebramos o Dia de Finados ou dos Fiéis Defuntos. Este dia nos leva a fazer memória das pessoas que caminharam conosco, que fizeram parte de nossa vida e história. Envolve a lembrança daqueles que nos precederam e já partiram para a Casa do Pai. Junto com sua saudosa memória, é um dia de profunda gratidão por tudo o que realizaram junto a nós.
Prezados irmãos e irmãs. A celebração dos Fiéis Defuntos recorda ainda a todos nós que a morte não é o fim da existência humana, mas a entrada na eternidade. A fé na ressurreição e a oração por quem já partiu marcam esta celebração e este dia. A oração pelos mortos expressa nossa fé na bondade e no amor misericordioso de Deus, que nos criou “à sua imagem e semelhança” (Gn 1,26), que “ressuscitou Jesus dentre os mortos” (At 3,15; 4,10) e “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Cristo, vencendo a morte, abriu-nos as portas da eternidade.
Por essas razões, Finados é um dia de fortalecer a esperança em Cristo Jesus, “esperança que não decepciona” (Rm 5,5). Assim afirma-nos o Apóstolo Paulo: “Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1Cor 15,19-20). Por isso, “se fomos identificados a Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos também semelhantes a ele pela ressurreição” (Rm 6,5). Desta forma, o Dia de Finados nos convida a renovar a confiança em Deus, que é a Fonte da vida e a Plenitude de nossa existência. O livro de Jó assim se expressa: “Eu sei que o meu Redentor está vivo... e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão” (Jó 19,25-27).
E entre a memória dos que já partiram e a esperança que cultivamos há um caminho a ser percorrido no presente. Por isso, o Dia de Finados, dia em que visitamos nossos entes queridos, recorda a todos nós que a vida, esse grande dom de Deus, é frágil e limitada. Ao visitar nossos familiares e amigos sepultados tomamos consciência de que o que levamos desta vida para a eternidade é o bem que fazemos. Tudo o resto fica para trás.
Caros irmãos e irmãs. Finados nos lembra que a morte um dia nos acolherá também, independentemente de qualquer coisa! Assim diz o livro do Eclesiástico: “Não temas a sentença da morte; lembra-te dos que te precederam! Ela é uma sentença do Senhor para todo ser vivo” (Eclo 41,3-4). Por isso, no Evangelho deste dia, ouvimos o apelo de Jesus à vigilância: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas... Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes” (Lc 12,35-40).
Jesus é insistente em relação à vigilância. Trata-se de um apelo à vigilância ativa e à preparação para o encontro definitivo com Deus. Jesus entende a fé como “uma atitude vigilante”. Por isso, disse: “Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar” (Lc 12,37). É fácil acomodar-se ou viver “dormindo”, atitude que esvazia a vida de sentido. Com essas palavras Jesus chama a todos para viverem com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividade. Que este dia nos ajude a tomar consciência do verdadeiro sentido e valor da vida, pois passamos uma única vez por este mundo.
Assim, a vigilância cristã nos chama a viver cada dia de acordo com o Evangelho e de forma que estejamos sempre preparados. E a fé cristã nos ensina que a morte é passagem para a vida plena. Essa convicção nos leva a rezar por aqueles que partiram, para que todos estejam na comunhão com Deus na eternidade.
Irmãos e irmãs. A Deus, em favor de nossos entes querido que partiram, suplicantes rezamos: “Dais-lhes Senhor o descanso eterno e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém!” Valorizemos a vida, façamos o bem e vigilantes busquemos a eternidade.
Deus abençoe a todos e bom domingo.