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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Juiz de Fora

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Escrevo hoje a coluna de número 399 deste jornal. Gostaria muito de transmitir algo divertido, tocante ou mesmo inteligente. Mas não. E, por que razão caí novamente na mesma tentação? Porque não há mais peneiras capazes de tapar o sol. O nível a que chegou o ambiente político brasileiro exige mais do que um sentimento de nojo. Requer paciência, até que os atores do momento caiam finalmente em suas próprias armadilhas. Então, valho-me da minha própria inspiração, pregressa, quando, em setembro escrevi sobre futebol, religião e política.

Setembro de 2021

Na ocasião, o primeiro parágrafo da minha coluna dizia assim: “Nascido há quase 330 anos, Voltaire foi, acima de tudo, um pensador de vanguarda. Aristocrata, educado por Jesuítas, esteve preso na famosa prisão da Bastilha, justamente por defender ideias que afrontavam a religião e a política. Foi um dos pensadores iluministas que buscavam as liberdades individuais e a tolerância religiosa, baseada na razão. Já Evelyn Beatrice Hall, nasceu 160 anos depois e, dentre outras obras, escreveu a biografia de Voltaire. É dela a famosa expressão: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo””.

Tempos de ditadura

Me preocupa o que se passa na cabeça dos jovens. Idealistas, por vezes românticos, costumam ter afeição pela esquerda. Quando enveredam pela direita, preocupam ainda mais, porque é natural que a juventude flerte com as causas mais utópicas e humanistas. Lembrando meu tempo de juventude, quando estudava Direito, confesso não mais reconhecer, nem o meu país, nem o Direito brasileiro. Quem aqui lembra quem foi Ellen Gracie Northfleet? E Marcelo Rubens Paiva? Pois é. A primeira foi tão ministra do STF quanto os que aí estão. A diferença é que, há vinte e tal anos, ser ministro era como ser invisível, como foi o livro de Marcelo Paiva até dar origem ao filme ganhador do Óscar.

Aprendizado

Deve ser difícil a vida de quem estuda Direito hoje em dia. Fico imaginando como um professor deve ensinar a seus alunos as competências do STF, quando um ministro resolve decidir tudo a manu militari. Muito complicado. Mas o pior está por vir. Quem hoje tem vinte anos, convive diariamente com uma banal barbaridade multilateral de autoritarismo travestido de democracia. Se forem aos livros em busca de respostas, não mais entenderão o que se passa no presente. Ah, já sei! Os livros são o problema! Estão todos errados! Queimem-os! O que vale é o que está nas redes sociais. Falou mal do governo? Cadeia! Eis a razão do sucesso do filme de Marcelo Rubens Paiva. Querem saber o que é ditadura? Vejam o filme ou o assistam ao Jornal Nacional.

O poder das palavras

Quem diria que, às vésperas do sete de setembro, em 2018, Bolsonaro sofreria um atentado? Ou foi só uma facadinha? Para quem liderava e ganhou as eleições democraticamente, não seria um “atentado à democracia”, como brada o Imperador Romano reencarnado? Até hoje nada foi concluído. Seja como for, o ex-presidente realmente não aprendeu o poder das palavras. Esqueceu que foi em Juiz de Fora onde tudo começou. Quem sabe, com o “juiz de fora” a paz possa voltar ao Brasil? Até onde vai o duelo Magnitsky, não sabemos. Aguardemos pela sucessão de excessos e disparates. É o que dá quando humanóides chegam ao poder. Faz parte do apocalipse. Termino como em 2021, com Paulo de Tarso em Coríntios (10:23): “Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém procure satisfazer os seus próprios interesses, mas os do próximo”.

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