“A Messe é grande...Pedi, pois, ao Senhor da Messe...”
Artigo Dom Adimir Antonio Mazali
Bispo Diocesano de Erexim – RS
Minha saudação aos irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Celebramos o 11º Domingo do Tempo Comum e renovamos a confiança no amor de Deus manifestado no clamor feito por Jesus: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9, 37).
Caríssimos irmãos e irmãs. O Evangelho narra a escolha dos doze discípulos e o primeiro envio, dos mesmos, à missão. Jesus constata a situação precária na qual se encontra o povo, conforme relata o texto: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36). Quando não há líderes comprometidos com o sofrimento do povo, este se torna como “ovelhas sem pastor”, pois fica exposto e desprotegido, sem segurança e proteção.
Ao ver as multidões “cansadas e abatidas”, Jesus “compadeceu-se” delas, ou seja, “sentiu compaixão”. Sentir compaixão é colocar-se no lugar do outro. Por isso, a primeira preocupação de Jesus é o sofrimento dos mais fragilizados. Os Evangelhos são unânimes em apresentar Jesus indo ao encontro dos pobres, marginalizados, enfermos, doentes, possessos, para libertá-los de seu sofrimento. É o amor compassivo que está na origem e no fundamento de toda a atuação de Jesus, inspirando e configurando toda a sua vida. A compaixão não é para Jesus uma atitude entre outras. Ele vive impregnado pela misericórdia: dói-lhe o sofrimento das pessoas. Dessa forma, Jesus apresenta-se como o Rosto Misericordioso do Pai na defesa da vida, em favor dos indefesos e excluídos.
Sensibilizado pela situação de abandono do povo sofrido, o qual se apresenta como um “rebanho sem pastor”, Jesus chama os Doze Discípulos e os envia em missão, dizendo-lhes: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça daí” (Mt 10,6-8). Os discípulos deviam anunciar a chegada do Reino por palavras e sinais, assim como Jesus o fazia. A missão que os discípulos receberam de Jesus é de pregar e curar.
Prezados irmãos e irmãs. As curas realizadas por Jesus são sinais concretos da presença do Reino de Deus. Ao enviar os discípulos para curar os doentes, Jesus os envia como instrumentos do amor e da bondade compassiva de Deus, a fim de que atendam o povo por meio do diálogo, da compreensão, do perdão, da oração, suscitando a fé e o compromisso de todos na construção do Reino de Deus.
Assim sendo, Jesus envia os discípulos, dizendo-lhes: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios” (Mt 10,8a). Sim, quantos, num contexto marcado pela injustiça e exploração, estão mortos. Precisam da palavra ressuscitadora do Evangelho, que devolve a esperança e a força para lutar. Por isso, o envio de Jesus para evangelizar se faz atual. Acreditemos, portanto, na força da Palavra de Jesus, ou seja, na força do Evangelho, o qual nos alerta: “De graça recebestes, de graça deveis dar! ” (Mt 10, 8b).
Caríssimos. A Palavra de Deus nos estimula a vivermos como uma nação santa (cf. Ex 19,6ª), reconciliada no amor de Deus por nós (cf. Rm 5,8) e como discípulos missionários de Jesus, anunciar a Boa Nova do Reino, especialmente a quem se sente perdido, “como ovelhas sem pastor”. Ainda não podemos esquecer nosso compromisso de rezar pelas vocações, pois nos diz ainda o Evangelho: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt 9,37-38).
Deus abençoe a todos e um bom domingo.