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Saúde

Excesso de redes sociais pode afetar rotina e autoestima

Conteúdos idealizados e estímulos contínuos influenciam a percepção sobre a própria vida, com maior impacto entre jovens

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Redes sociais podem afetar o bem-estar emocional, especialmente entre jovens, mas seus impactos depe
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

O avanço das tecnologias transformou a forma como as pessoas se comunicam, se informam e ocupam o tempo livre. Entre adolescentes e jovens adultos, as redes sociais integram a rotina e ampliam a exposição a imagens, opiniões e padrões de comportamento, levantando debates sobre seus possíveis efeitos no bem-estar emocional.

Embora pesquisas indiquem uma possível relação entre o uso intenso das redes e problemas de saúde mental, não é possível atribuir a elas, isoladamente, casos de ansiedade e depressão. Transtornos mentais são multifatoriais e resultam da combinação de diferentes aspectos da vida de cada indivíduo.

Comparação pode afetar autoestima

Um dos efeitos observados na prática clínica está relacionado à comparação. Nas redes sociais, as pessoas tendem a compartilhar versões selecionadas da própria vida, como viagens, conquistas e momentos de lazer, o que pode levar o usuário a compará-las com uma rotina que também inclui dificuldades e frustrações. A exposição frequente pode gerar sentimentos de inadequação, fracasso e insatisfação, além de distorcer a percepção sobre a própria vida. Esses sentimentos, porém, não significam necessariamente a presença de transtornos mentais, já que tristeza e insatisfação podem ocorrer sem caracterizar quadros de ansiedade ou depressão.

Excesso de estímulos provoca sobrecarga

Outro aspecto relacionado ao uso prolongado é a quantidade de estímulos recebidos em pouco tempo. Vídeos curtos e conteúdos que mudam rapidamente exigem alterações constantes da atenção. A pessoa pode ter a sensação de estar descansando enquanto navega pelas redes, mas a sucessão de estímulos mantém o cérebro em atividade. Com isso, podem surgir cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e aumento da sensação de insatisfação.

O problema pode se agravar quando o tempo conectado substitui atividades que proporcionam descanso efetivo, convivência e contato com o momento presente.

Crianças e adolescentes exigem maior atenção

A influência das redes tende a ser maior entre crianças e adolescentes devido ao estágio de desenvolvimento cerebral e emocional. Nessa fase, a capacidade de filtrar informações, avaliar padrões apresentados na internet e compreender os efeitos desses conteúdos ainda está em formação.

Adultos também podem ser influenciados, mas alguns desenvolvem mecanismos para selecionar melhor o que consomem e estabelecer limites de uso.

Escolha do conteúdo também importa

O uso consciente passa não apenas pelo controle do tempo, mas também pela seleção do que é consumido. A revisão dos perfis acompanhados pode reduzir a exposição a conteúdos que provocam comparações, insatisfação ou outros efeitos negativos. Os próprios aplicativos oferecem ferramentas para monitorar e limitar o tempo de uso. Esses recursos podem ajudar a identificar hábitos que passam despercebidos na rotina.

Para crianças e adolescentes, cabe aos responsáveis acompanhar tanto o período de permanência nas plataformas quanto os conteúdos e perfis acessados.

Alternativas fora das telas

Reduzir o uso das redes também significa criar outras possibilidades para ocupar o tempo. Atividades em família, conversas, refeições preparadas em conjunto, filmes, exercícios e momentos ao ar livre podem substituir parte do tempo dedicado às telas.

A preocupação não está apenas no número de horas conectado, mas na forma como as redes interferem na rotina e na percepção que cada pessoa tem de si mesma. Em vez de tratar ansiedade e depressão como consequência direta do uso das plataformas, a discussão passa pela necessidade de compreender os diferentes fatores envolvidos e observar quando o ambiente digital começa a prejudicar o bem-estar e a vida cotidiana.

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