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Saúde

Olho seco aumenta no inverno exigindo atenção aos primeiros sintomas

Médico do Santa Luzia participou de simpósio latino-americano para discutir novas abordagens da doença

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Doutor Vinicius Vielmo em entrevista à TV Bom Dia abordando as novidades do simpósio latino-american
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Amanda Gatti

Enquanto as doenças respiratórias costumam concentrar as atenções durante o inverno, o período também favorece o surgimento e a piora de diversos problemas oculares. Ambientes mais fechados, menor circulação de ar, baixa umidade, vento e o uso frequente de aquecedores e ar-condicionado criam condições que aumentam os casos de conjuntivites, alergias oculares e, principalmente, da síndrome do olho seco.

Segundo o médico oftalmologista do Instituto de Olhos Santa Luzia e especialista em olho seco, Dr. Vinicius Vielmo, o inverno reúne uma série de fatores que contribuem para o agravamento dessas doenças. "No inverno realmente a gente vê um aumento da incidência de algumas patologias oculares. Geralmente as conjuntivites, as alergias e também a síndrome do olho seco começam a aumentar um pouco nessa época do ano".

Olho seco ganha novas abordagens no tratamento

Entre os problemas que mais preocupam os especialistas está a síndrome do olho seco. Além das condições típicas do inverno, o aumento do tempo em frente às telas também tem contribuído para o crescimento dos casos.

A doença provoca sensação de ressecamento, ardência, desconforto, vermelhidão e, nos quadros mais intensos, pode causar lesões na córnea, fotofobia e comprometimento da qualidade de vida.

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), aproximadamente 10% da população brasileira apresentará sintomas relacionados ao olho seco ao longo da vida.

"Sem perceber, quando a gente está na frente de um computador, de um tablet ou de um celular, acaba piscando menos. O filme lacrimal evapora mais facilmente e isso piora os sintomas do olho seco", coloca o médico.

A lágrima é composta por três camadas: mucina, água, que representa cerca de 90% da composição, e uma camada lipídica (oleosa), responsável por impedir a evaporação excessiva. Alterações em qualquer uma dessas camadas podem desencadear a doença.

Mulheres acima dos 50 anos, gestantes, pessoas com doenças reumatológicas, usuários de alguns medicamentos, pacientes com deficiência de vitamina A ou ômega 3 e quem permanece longos períodos diante de telas fazem parte dos grupos mais suscetíveis.

Participação em simpósio internacional

Os avanços mais recentes no diagnóstico e tratamento do olho seco foram debatidos durante o DryEye, simpósio latino-americano realizado em abril, em São Paulo, voltado exclusivamente para médicos convidados.

Entre os representantes do Rio Grande do Sul, apenas dois oftalmologistas participaram do encontro. Um deles foi o Dr. Vinicius Vielmo, representando o interior do Estado. "Esse evento foi uma reunião de vários profissionais de toda a América Latina, especialistas em olho seco, para discutir sobre essa patologia. Foi muito interessante, porque eu fui representando o interior do Estado e mais um outro profissional oftalmologista de Porto Alegre", coloca.

Durante o simpósio foram apresentados o novo consenso mundial sobre olho seco (DEWS III), além de um consenso específico para a América Latina, o Lubos, reunindo evidências voltadas à realidade da região.

Segundo o oftalmologista, a principal mudança está na busca pela causa específica da doença para individualizar o tratamento. "Basicamente eram dois grandes eixos do olho seco. E hoje não. Hoje a gente está procurando mais essa causa específica".

Ele explica que o objetivo é avaliar fatores como alterações nas pálpebras, inflamação ocular, deficiência nas diferentes camadas da lágrima e até alterações neurológicas relacionadas à sensibilidade ocular. "A grande diferença desse consenso foi justamente buscar mais a causa para fazer esse tratamento mais personalizado para o paciente".

O evento também apresentou novas tecnologias para diagnóstico, novos colírios e oficinas práticas sobre tratamentos, incluindo a luz pulsada.

Diagnóstico evoluiu nos últimos anos

Os recursos para identificar a síndrome do olho seco mudaram significativamente nos últimos anos. Hoje, equipamentos permitem avaliar em consultório o tempo de estabilidade do filme lacrimal, identificar qual camada da lágrima está comprometida e determinar a origem do problema.

"No consultório, com esse aparelho, a gente consegue diferenciar as camadas da lágrima e ver qual está causando o olho seco. É muito importante descobrir a causa para conseguir tratar a base do problema", frisa Dr. Vinícius.

Luz pulsada amplia opções terapêuticas

Entre as alternativas para pacientes com casos persistentes está a luz pulsada, técnica inicialmente utilizada na dermatologia e posteriormente adaptada para a oftalmologia. O tratamento atua sobre as glândulas responsáveis pela produção da camada lipídica da lágrima, melhorando sua qualidade e reduzindo a evaporação.

O médico coloca que "foi estudado para oftalmologia e foi criado um aparelho específico para os olhos. A gente já faz esse tratamento há cerca de dois anos no Instituto de Olhos Santa Luzia e observa uma melhora muito grande nos pacientes".

O procedimento costuma ser realizado em três sessões, é rápido, praticamente indolor e os benefícios começam a serem observado de seis meses a um ano após a aplicação da luz pulsada.

Mesmo assim, o especialista ressalta que a luz pulsada faz parte de um tratamento escalonado. "O tratamento do olho seco é um tratamento escalonado. A gente tem que ver a gravidade do olho seco do paciente, buscar essa causa e ir progredindo no tratamento".

Ambientes fechados favorecem conjuntivites e alergias

Além do olho seco, o inverno também favorece o aumento das conjuntivites e das alergias oculares. No caso das conjuntivites infecciosas, a transmissão se torna mais frequente devido à permanência em ambientes fechados. Segundo o médico, cerca de 80% dos casos são provocados por vírus, enquanto aproximadamente 20% têm origem bacteriana.

A conjuntivite viral costuma estar relacionada a surtos em escolas, empresas e outros locais com grande circulação de pessoas. Já a bacteriana normalmente apresenta secreção abundante e responde rapidamente ao tratamento com antibióticos.

Nas alergias oculares, o principal fator é o maior contato com ácaros e poeira acumulados dentro de casa. Pessoas com rinite alérgica, asma e dermatites apresentam risco maior. "Qualquer pessoa pode ter uma alergia ocular, mas geralmente a incidência nesse grupo de pacientes acaba sendo maior", aponta Dr. Vinícius.

Coceira é um dos principais sinais da alergia ocular

Embora algumas manifestações sejam semelhantes, existem características que ajudam a diferenciar a conjuntivite alérgica da infecciosa. Segundo o oftalmologista, a coceira intensa é um dos principais indícios de alergia. "Eu diria que o principal sintoma que vai ajudar a diferenciar seria mesmo a coceira e o prurido, que são bem mais para o lado alérgico".

Olhos inchados e comprometimento simultâneo dos dois olhos também costumam ser mais frequentes nas alergias.

Automedicação com colírios pode agravar problemas

Outro alerta feito pelo especialista diz respeito ao uso indiscriminado de colírios sem avaliação médica. Além da existência de diferentes medicamentos para doenças distintas, o uso inadequado pode piorar o quadro. "É importantíssimo que diante de qualquer sintoma oftalmológico, alguma dor ocular ou algum problema ocular, sempre consultar o médico para ter uma orientação adequada do que deve ser usado", salienta.

Também é necessário observar o prazo de validade após a abertura do frasco. A recomendação é utilizar o colírio por, no máximo, 30 dias e "às vezes o paciente pega um colírio que está há três, quatro meses em casa e coloca dentro do olho. Isso vai ser muito mais prejudicial, porque a substância vai estar contaminada e acaba levando mais infecção para o olho”.

Cuidados diários ajudam a reduzir sintomas

Além do tratamento médico, mudanças de hábitos podem diminuir o desconforto causado pelo olho seco. Entre as orientações estão manter boa hidratação, fazer pausas durante o uso de computadores e celulares, lembrar de piscar com frequência, posicionar corretamente o monitor, evitar o fluxo direto do ar-condicionado sobre o rosto e manter alimentação equilibrada.

O especialista também recomenda que sintomas persistentes, como ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos ou visão embaçada, não sejam considerados normais. "Hoje a gente tem muita coisa, um arsenal terapêutico enorme, e não dá para ficar sofrendo mais de olho seco com todas essas opções de tratamento. Tem que buscar ajuda", conclui Dr. Vinícius.

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