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Saúde

Fibromialgia exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo para controlar os sintomas

Dor crônica, fadiga e alterações no sono comprometem a rotina dos pacientes, enquanto desinformação ainda atrasa o reconhecimento da síndrome

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A fibromialgia é uma síndrome de hipersensibilização à dor, fazendo com que o cérebro processe a dor
Dra. Árien Oldoni
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação e Arquivo Pessoal / Dra. Árien Oldoni

A fibromialgia é uma síndrome de hipersensibilização à dor causada por uma alteração na maneira como o sistema nervoso processa os estímulos dolorosos. A condição não provoca lesões visíveis em exames de imagem ou laboratoriais, mas interfere diretamente na qualidade de vida dos pacientes.

“Isso faz com que o cérebro da pessoa afetada processe a dor de maneira mais intensa e difusa”, explica a médica reumatologista Dra. Árien Oldoni, CRM 39921/RQE 34846.

Além da dor crônica generalizada, que precisa estar presente por pelo menos três meses para compor o diagnóstico, a síndrome também pode provocar fadiga intensa, sono não reparador, dificuldades de concentração e memória, além de sintomas de ansiedade e depressão.

Embora possa atingir pessoas de qualquer idade e sexo, a fibromialgia é mais frequente entre mulheres de 30 a 50 anos.

Falta de compreensão dificulta diagnóstico e afeta a rotina

Mesmo sendo reconhecida pela medicina, a fibromialgia ainda é cercada por desinformação. Como seus sintomas não aparecem em exames convencionais, muitos pacientes enfrentam preconceito e demora para receber o diagnóstico correto. “Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que a doença é psicológica ou que o paciente está exagerando a dor”, afirma a reumatologista.

Ela explica que a condição possui mecanismos biológicos relacionados ao processamento da dor pelo sistema nervoso, já conhecidos pela ciência. “Essa incompreensão pode atrasar o diagnóstico e fazer com que o paciente se sinta desacreditado, tanto no ambiente familiar quanto no trabalho.”

A dor persistente, associada ao cansaço e às alterações do sono, compromete a produtividade, dificulta tarefas simples do cotidiano e pode limitar a convivência social, além de impactar a saúde mental.

Tratamento combina exercícios, medicamentos e outras terapias

Embora a fibromialgia não tenha cura, há diversas estratégias capazes de controlar os sintomas e proporcionar melhora significativa da qualidade de vida. O tratamento deve ser individualizado e conduzido por uma equipe multidisciplinar.

Entre as medidas consideradas mais eficazes está a prática regular de exercícios físicos, principalmente atividades aeróbicas e exercícios de fortalecimento muscular, que apresentam evidências científicas na redução da dor e no aumento da disposição.

Também fazem parte do tratamento a adoção de hábitos de sono saudáveis, o controle do estresse, o manejo da ansiedade e da depressão e a orientação adequada sobre a doença. Quando necessário, medicamentos podem ser prescritos para aliviar a dor, melhorar o sono ou tratar sintomas associados, sempre de forma individualizada e com acompanhamento médico.

“A fisioterapia, a terapia cognitivo-comportamental, acupuntura e outras abordagens podem trazer benefícios importantes”, afirma Dra. Árien. Segundo a especialista, os melhores resultados dependem da combinação dessas estratégias e da participação ativa do paciente no próprio tratamento.

Acompanhamento contínuo amplia a qualidade de vida

O acompanhamento médico é indispensável para confirmar o diagnóstico, descartar outras doenças com sintomas semelhantes e definir o plano terapêutico mais adequado para cada caso. Como os sintomas podem variar ao longo do tempo, o tratamento deve ser reavaliado periodicamente.

“Além do atendimento médico, grupos de apoio e associações de pacientes têm um papel muito importante. Eles oferecem acolhimento, troca de experiências e informações confiáveis, ajudando a reduzir o sentimento de isolamento e fortalecendo a adesão ao tratamento”, explica Dra. Árien.

O reconhecimento precoce da fibromialgia e o tratamento integral aumentam as chances de controlar os sintomas, preservar a capacidade funcional e melhorar a qualidade de vida. O acesso à informação de qualidade também contribui para reduzir o preconceito e ampliar a compreensão sobre a doença.

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