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Saúde

Fome na infância eleva risco de doenças e depressão na velhice

Estudo com mais de 6 mil idosos brasileiros aponta que a privação alimentar nos primeiros anos de vida é prejudicial na terceira idade

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As consequências da fome não se limitam à infância, podendo se estender por toda a vida e influencia
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

A privação de alimentos nos primeiros anos de vida pode gerar efeitos duradouros no organismo, segundo estudo brasileiro baseado no ELSI-Brasil. A pesquisa aponta que pessoas que passaram fome na infância têm maior risco de desenvolver, na velhice, doenças crônicas, fragilidade física, limitações funcionais e sintomas depressivos.

Os dados reforçam que as consequências da fome não se limitam à infância, podendo se estender por toda a vida e influenciar o processo de envelhecimento. A privação alimentar precoce está associada a piora significativa das condições de saúde décadas depois, incluindo maior chance de multimorbidade, fragilidade e depressão na terceira idade.

Pesquisa analisou mais de 6 mil idosos

Um levantamento com dados de 6.822 brasileiros com 60 anos ou mais, participantes do ELSI-Brasil, pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde e coordenada pela Fiocruz Minas e pela UFMG, analisou os impactos da fome na infância sobre a saúde na velhice.

O estudo mostra que cerca de 25% dos entrevistados relataram ter passado por privação alimentar entre o nascimento e os 15 anos, chegando a dormir com fome nesse período. Entre esses idosos, foram identificadas maiores taxas de multimorbidade (duas ou mais doenças crônicas), além de mais fragilidade física e maior dificuldade para realizar atividades básicas do cotidiano, como higiene, vestimenta e locomoção. Também houve associação significativa com sintomas depressivos na terceira idade.

Por outro lado, a pesquisa não encontrou relação consistente entre a privação alimentar precoce e obesidade ou comprometimento cognitivo na velhice.

Efeitos da fome podem surgir décadas depois

Pesquisadores afirmam que os efeitos da fome podem não ser imediatos, manifestando-se anos ou até décadas depois, especialmente na velhice. Na infância, a falta de nutrientes leva o organismo a adaptações que podem causar alterações permanentes no metabolismo e no sistema imunológico, elevando o risco de doenças crônicas ao longo da vida.

A privação alimentar também está associada a inflamações, queda da imunidade e ao desenvolvimento de condições como doenças cardiovasculares, diabetes, síndrome da fragilidade e transtornos mentais, incluindo a depressão. Além disso, a fome infantil frequentemente se insere em contextos de vulnerabilidade social persistente, com impactos acumulados no acesso à saúde, educação e alimentação adequada, aprofundando desigualdades ao longo do tempo.

Os autores concluem que a fome deve ser compreendida não como um evento isolado, mas como um marcador de vulnerabilidade social e biológica capaz de acelerar o envelhecimento.

Saúde mental é um dos aspectos mais afetados

Entre os resultados mais expressivos da pesquisa está a relação entre fome na infância e depressão na velhice. Os idosos que relataram ter passado fome apresentaram 42% mais risco de desenvolver sintomas depressivos, mesmo após o ajuste para fatores como escolaridade, renda e hábitos de vida.

De acordo com os pesquisadores, o estresse intenso e prolongado causado pela privação alimentar durante a infância pode alterar a forma como o organismo responde a situações de pressão ao longo da vida. Essa maior vulnerabilidade emocional pode favorecer o surgimento de transtornos mentais na terceira idade.

Cuidados ajudam a reduzir impactos ao longo da vida

Embora os efeitos da fome na infância não possam ser totalmente revertidos, especialistas afirmam que é possível atenuar seus impactos na velhice por meio de uma alimentação equilibrada, rica em proteínas e nutrientes, e da prática regular de exercícios físicos, sobretudo os de fortalecimento muscular, que ajudam a preservar a autonomia e reduzir a fragilidade.

O acompanhamento médico contínuo, com controle de doenças crônicas e prevenção de complicações, além do cuidado com a saúde mental, incluindo o tratamento da depressão e o combate ao isolamento social, também é considerado fundamental.

Pesquisas indicam que idosos que passaram por fome na infância apresentam maior carga de doenças, mais dependência funcional e maior vulnerabilidade psicossocial, refletindo trajetórias marcadas por desigualdades sociais.

Combate à fome na infância é estratégia de saúde pública

A prevenção da fome na infância é uma das principais estratégias para promover saúde e qualidade de vida ao longo de todo o ciclo de vida. Garantir acesso adequado à alimentação nos primeiros anos não apenas favorece o crescimento e o desenvolvimento infantil, mas também reduz o risco de doenças e limitações futuras.

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