O projeto “Livro Livre” vai instalar mini bibliotecas em locais públicos de Erechim. A iniciativa da Academia Erechinense de Letras visa facilitar o acesso a livros e expandir o número de leitores.
Seguindo o padrão de projetos semelhantes em outros países, o Livro Livre surgiu em Erechim como resposta à necessidade de democratização do acesso à informação e à cultura. No Brasil, 44% da população não tem o hábito da leitura e 30% nunca comprou um livro.
As mini bibliotecas de rua atuam diretamente na reversão deste cenário, eliminando barreiras burocráticas: não exigem cadastro, comprovante de residência ou identificação e criam um espaço verdadeiramente democrático, onde o livro está ao alcance de qualquer mão.
Além disso, ocupam o tempo ocioso das pessoas, transformando a espera pelo ônibus ou uma visita ao parque com os filhos em oportunidade de leitura. O tempo que antes era perdido torna-se precioso para o desenvolvimento pessoal.
Conforme a presidente da AEL, Zeni Bearzi, as mini bibliotecas também fortalecem o senso de comunidade e pertencimento.
“Eles criam um pacto silencioso de confiança entre os moradores, que se tornam corresponsáveis pelo acervo e pelo espaço. É a cultura do cuidado coletivo sendo exercitada no cotidiano”, salienta.
O projeto segue o modelo consagrado internacionalmente pelo movimento Little Free Library e por iniciativas como o Bookcrossing. A dinâmica é simples e baseada na confiança: qualquer pessoa pode retirar gratuitamente um livro da estante, sem prazo de devolução ou multa. Após a leitura, o livro pode ser devolvido na mesma unidade ou em qualquer outra. Quem possui livros parados em casa também pode doá-los, mantendo o acervo em circulação.
Segundo a acadêmica Marielise Ferreira, responsável pela execução do projeto em Erechim, o principal objetivo é implantar uma rede de mini bibliotecas em pontos estratégicos da cidade, democratizando o acesso à leitura e promovendo a circulação gratuita de livros. Já no primeiro ano, está prevista a instalação de 10 unidades, com circulação mínima de 500 livros por mês.
Parcerias e adoção por padrinhos
A construção das mini bibliotecas é um momento importante de envolvimento comunitário, reunindo marcenarias, escolas, madeireiras, artistas e a própria Academia Erechinense de Letras.
Para viabilizar o projeto, a AEL estabelecerá parcerias com comércios locais, instituições e pessoas físicas interessadas em colaborar, seja com doação de materiais ou com a participação de artistas plásticos na pintura das estruturas.
Empresas, instituições, condomínios e pessoas físicas podem se tornar “padrinhos”, adotando uma mini biblioteca para instalação em local de interesse próprio ou em pontos definidos pela AEL. O valor de adoção é simbólico, suficiente apenas para a construção da estrutura. Os livros iniciais são doados pela AEL e, posteriormente, o acervo se mantém com as contribuições dos usuários.
Nos primeiros contatos, a AEL já garantiu três parceiros para a confecção de nove unidades:
- Via Vidros, representada pela empresária Márcia Condah, com doação de vidros;
- Escritório de Advocacia Reichmann, com doação de madeira;
- Marceneiro Antônio Carlos Nunes, responsável pela mão de obra.
Para participar ou se tornar padrinho, basta entrar em contato com a Academia Erechinense de Letras pelos telefones (54) 99969-4751 ou WhatsApp (54) 99991-6330.
Mais do que estruturas físicas, as mini bibliotecas são pontos de encontro, afeto e confiança. Na visão da AEL, cada livro que circula carrega não apenas histórias, mas também a certeza de que uma comunidade que lê junta é mais forte, crítica e acolhedora.
“Que este projeto possa transformar esquinas em destinos, muros em portas e transeuntes em leitores”, destaca a presidente Zeni Bearzi.
Lançamento com homenagem à poetisa
A primeira mini biblioteca será instalada na Praça do Livro durante a 27ª Feira do Livro. As madrinhas da unidade serão a presidente da AEL, Zeni Bearzi, a acadêmica Marielise Ferreira e a artista plástica Nazaré Zílio, responsável pela pintura.
A unidade também prestará homenagem póstuma à poetisa e acadêmica Nelly Therezinha Todeschini Cantele.
A pintura, feita com tinta acrílica e verniz, representa a importância da leitura e o universo de fantasia presente em cada história.
“Foi uma honra para mim participar do projeto”, afirma a artista Nazaré Zílio.
O evento de lançamento acontecerá no dia 2 de maio, às 16h, no estande da AEL, com participação de familiares da homenageada, acadêmicos e apresentação do Coral Belas Artes, regido pelo maestro Gleison Wojciekowski.
Durante a feira, a mini biblioteca ficará abastecida com livros disponíveis tanto para retirada quanto para doação.